Brasil pega carona na alta do trigo argentino

Agronegócio

Brasil pega carona na alta do trigo argentino

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Os argentinos estão ajudando os produtores brasileiros. Por mais estranho que isso possa parecer, o aumento das cotações do trigo no mercado internacional está gerando um movimento entre os moinhos brasileiros para que paguem um pouco mais pelo grão nacional. Nos últimos vinte dias, o preço do trigo argentino sofreu uma valorização de 11%, passando de US$ 108 para US$ 120 por tonelada.

A valorização do grão argentino é resultado da antecipação das vendas. Entre novembro do ano passado, quando os primeiros negócios com o trigo argentino foram realizados, e a semana passada, 7,14 milhões de toneladas, da safra total de 16 milhões de toneladas, haviam sido comercializadas. No mesmo período do ano passado, apenas 3,13 milhões de toneladas de trigo argentino foram comercializadas, ou seja, o dobro do volume para o mesmo espaço de tempo.

O aumento dos negócios da Argentina são atribuídos à grande safra que o país terminou de colher. O aumento da oferta fez com que os preços do grão argentino recuassem, ficando mais atrativos para o mercado internacional. Enquanto a tonelada do trigo americano era cotada a US$ 150, o argentino era negociado a US$ 108, uma diferença de 28%. A diferença entre os valores atraiu compradores de mercados antes pouco explorados pelos argentinos, como os países do norte da África.

Com a alta dos preços argentinos, alguns moinhos nacionais passaram a pagar um pouco mais pelo trigo nacional. "O grão do norte do Paraná é negociado entre R$ 360 e R$ 365. Antes da alta na Argentina, os produtores chegaram a vender a tonelada a R$ 345, ou seja, existe uma tendência de aumento de preços no mercado interno", afirma Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico.

Preço baixo:

O executivo lembra que, apesar de existir uma tendência de alta, os preços podem ainda não ser tão atrativos para os agricultores. "Tudo indica que os preços irão subir no mercado interno, resta saber se os agricultores vão querer vender ao novo nível", afirma Pih, lembrando que a leve recuperação do dólar frente ao real também irá contribuir para a elevação das cotações no mercado interno.

A tendência de alta, no entanto, tem sido mais sentida pelos produtores de trigo de qualidade superior, utilizado na panificação. A grande maioria dos produtores ainda não percebeu esse aumento e permanece retraída. "Os moinhos estão comprando muito pouco e estão, na média, pagando os mesmos preços. Por outro lado, os agricultores estão vendendo apenas o necessário para pagar suas dívidas", afirma Otmar Hubner, analista do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), órgão ligado à secretaria de Agricultura do Paraná.

Neste cenário, a comercialização permanece lenta. Segundo o Deral, apenas 65% da safra já foi comercializada. Para esse mesmo período do ano passado, quase 85% da safra havia sido vendida. "Com o preço baixo e a dificuldade de comercialização, muitos produtores pensam em reduzir drasticamente a área plantada para a próxima safra", afirma Hubner.

É o caso, por exemplo, de Richard Dijkstra, produtor de Carambei (PR), que vendeu suas últimas 200 toneladas na semana passada. "Vendemos esse último lote a R$ 350 a tonelada, mas chegamos a negociar parte da produção a R$ 420, nos meses de agosto e setembro do ano passado. Os moinhos sabem que precisamos vender o que temos para abrir espaço para a safra de verão, por isso eles compram apenas o mínimo necessário", afirma Dijkstra, que já pensa em reduzir a área plantada com trigo na próxima safra, cultivando apenas o necessário para não prejudicar a rotação para a próxima safra de verão.


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