Brasileiro come cada vez menos arroz com feijão

Agronegócio

Brasileiro come cada vez menos arroz com feijão

Apesar de nutritivo e barato, nos últimos anos o consumo da combinação vem caindo
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O que já foi o “par perfeito”, carro-chefe da mesa dos brasileiros, hoje não aparece mais com tanta freqüência nas refeições. Apesar de bom, nutritivo e barato, nos últimos anos o consumo da combinação arroz e feijão vem caindo. As famílias substituem os dois produtos por pratos mais simples, rápidos e, nem sempre, tão saudáveis. No entanto, especialistas alertam: é preciso trazer de volta essa “mania nacional”.

Segundo informações da Embrapa, os resultados da Pesquisa Nacional de Orçamentos Familiares (POF), de 2003, evidenciam a queda no consumo. Esses mostram que, nos domicílios de dez maiores cidades do Brasil, em 2003, adquiria-se 31,6 kg per capita de arroz; de feijão era 12,4 kg. De acordo com os dados, também divulgados pela Embrapa, “nas grandes metrópoles brasileiras identificou-se um decréscimo percentual, em relação a 1975, de 46% do consumo de arroz e 37% do feijão”.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Beatriz Pinheiro, responsável pela campanha de incentivo do consumo de arroz e feijão, a queda acontece pelo menos desde o início da década. Ela cita algumas explicações para essa “mudança de hábito”. “Antes tínhamos uma estrutura e um ambiente que faziam com que esses alimentos fossem colocados à mesa, durante as reuniões familiares, seja no almoço ou no jantar. Porém, o que vemos hoje são refeições sendo feitas fora de casa e, à medida que vemos mais donas de casa no mercado de trabalho, estas buscam formas mais rápidas de alimentos”, expõe.

Ainda segundo a pesquisadora, isso faz com que as gerações mais novas não valorizem esses alimentos, como as gerações anteriores. “É preciso, agora, que as partes dessa cadeia dos dois produtos se atentem. Às indústrias é preciso colocá-los sob nova ótica no mercado; os educadores devem divulgar esse hábito nas escolas e as donas de casa devem levar à mesa os dois produtos de maneira mais atraente”, afirma.

Escola

Em Curitiba, nas merendas escolares da rede municipal parece que ainda se prima por manter os hábitos de casa. Segundo a nutricionista responsável pelo cardápio das merendas, da Secretaria Municipal de Educação, Sirlei Valaski, pelo menos as unidades integrais têm, todos os dias, arroz e feijão na mesa. “Se eu não mandar arroz e feijão, eles acham falta. Nos cardápios das escolas, procuramos manter os hábitos alimentares, até mesmo para não perderem esse costume”, comenta a profissional.

Facilidade de oferta aos consumidores

A engenheira de alimentos curitibana Elaine Cristina Falvo associa a queda do consumo de arroz e feijão à facilidade com que os outros alimentos são oferecidos ao consumidor. “São mais atrativos e mais fáceis de preparar. Já, principalmente no caso do feijão, falta praticidade”, diz ela.

No entanto, Elaine afirma que é possível colocar os dois produtos de maneira tão atraente quanto os demais produtos industrializados. “É preciso investir nisso. Para atrair os consumidores, a iniciativa deve vir das indústrias. Tecnologia existe para vender isso pronta e mais atrativo. É viável”, comenta.

A engenheira, porém, completa que, apesar de inovações, é preciso inovar mais e manter o baixo custo que atualmente têm o arroz e o feijão. “É preciso as indústrias se unirem e começaram uma campanha, divulgar as qualidades nutricionais dos dois produtos. Como foi feito com o leite. Muitas empresas do ramo de alimentos prontos certamente estão preparadas para isso. É preciso investir”, sugere a profissional.

Como explica, de maneira simples, a nutricionista da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, Sirlei Valaski, “o arroz e o feijão têm alto valor nutricional, são importantes para o crescimento das crianças. Sustenta, é natural e mais saudável”. Não apenas para as crianças, mas para os adultos esses produtos também são fundamentais.

A nutricionista, diretora do curso de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Helena Simonard Loureiro, afirma que arroz com feijão, a mistura, une as proteínas do cereal (arroz) com as proteínas das leguminosas (feijão). “Trata-se da quantidade adequada de vitaminas vegetais. Outra vantagem é que a proteína vegetal, ao contrário da animal, não está associada à gordura. Além disso, o feijão, principalmente, é fonte de fibras”, explica.

Como ainda comenta a pesquisadora da Embrapa, Betriz Pinheiro, atualmente, também relacionado às mudanças nos hábitos alimentares, “verifica-se adolescentes cada vez mais obesos, devido aos maus hábitos e falta de dieta equilibrada; população com mais problemas cardíacos; pressão alta”. “Para não chegarmos a ter isso como problema de saúde pública, precisamos promover, de forma adequada, o consumo do arroz com feijão”, conclui.

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