BSBios promove diversificação de culturas no biodiesel

Agronegócio

BSBios promove diversificação de culturas no biodiesel

Agentes defendem utilização de outras oleaginosas para reduzir dependência da soja
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A cadeia do biodiesel tem uma característica predominante quando se trata de matéria-prima: o uso da soja. Alguns agentes do setor defendem o aumento da utilização de outras oleaginosas para reduzir essa dependência. Entre essas companhias está a gaúcha BSBios, que conta com unidades para fabricar o biocombustível em Passo Fundo e em Marialva, no Paraná. O diretor-superintendente da empresa, Erasmo Carlos Battistella, lembra que o grupo é pioneiro nas experiências com canola no Rio Grande do Sul. Além da diversificação, o dirigente sugere o incremento da mistura do biodiesel na fórmula do óleo diesel. A BSBios, que já contava com a parceria da Petrobras na sua unidade paranaense, neste mês repassou 50% da sua participação no complexo gaúcho para a estatal.



JC Empresas & Negócios - Qual a sua opinião quanto à diversificação da matriz de matérias-primas no setor de biodiesel?

Erasmo Carlos Battistella - A diversificação de culturas é fundamental. Existem muitas iniciativas no Brasil dando certo. Por exemplo, a canola na região Sul do País, a mamona no Nordeste, a palma no Norte e o girassol no Centro-Oeste. Essa ação é viável. O que demanda a diversificação é o mercado. Eu defendo que quanto mais os mercados de biodiesel e de consumo de proteínas vegetais crescerem, mais produziremos no campo e mais variada será a produção.

Empresas & Negócios - Qual é a vantagem da diversificação?

Battistella - Com essa postura, no caso da indústria, é possível diminuir a dependência da soja (que hoje é a principal oleaginosa usada na fabricação do biodiesel). Para os agricultores, é uma oportunidade para ampliar o número de insumos trabalhados.

Empresas & Negócios - Quais são os planos da BSBios para expandir o uso de oleaginosas?

Battistella - O nosso trabalho com a diversificação está sendo desenvolvido com a cultura da canola. Iniciamos essa atividade há cerca de quatro anos e neste ano chegamos a 25 mil hectares fomentados. Utilizamos a soja, mas somos os pioneiros no fomento da cultura da canola e quanto à diversificação na região Sul.

Empresas & Negócios - Qual a sua avaliação sobre o momento vivido pelo setor de biodiesel?

Battistella - O segmento ainda não está do tamanho adequado, até porque é um setor jovem no Brasil. Formalmente, ele iniciou em 2008, com o começo da adição do biodiesel na fórmula do óleo diesel, então a nossa expectativa é de continuar crescendo. Há dois motivos para apontar essa direção. Um é a elevação do consumo do diesel no País e outro é que esperamos que o governo federal crie políticas públicas para aumentar o percentual do biodiesel no óleo diesel, que hoje é de 5%.


Empresas & Negócios - Os empreendedores estão unidos na defesa do aumento do percentual de biodiesel na fórmula do óleo diesel?

Battistella - Essa é uma solicitação de toda a cadeia produtiva, da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), dos produtores, da indústria e da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (AbrasCanola), da qual eu sou presidente. Fabricar biodiesel no Brasil mostrou-se uma operação eficiente e agrega muito valor às nossas matérias-primas. O governo está ouvindo todos os elos da cadeia para discutir um novo marco regulatório, que deve ser a política estruturante que precisamos para continuar o desenvolvimento desse mercado.

Empresas & Negócios - O que deveria ser contemplado nesse novo marco regulatório?

Battistella - Um ponto muito importante, e espero que o governo federal construa alternativas nesse sentido, é criar ferramentas para que o Brasil comece a exportar biodiesel. Hoje, por exemplo, a Argentina é uma grande exportadora de biodiesel. Além disso, aquele país adiciona 7% de biodiesel na fórmula de diesel e está indo para 10%.

Empresas & Negócios - Por que a exportação é inviabilizada?

Battistella - No momento, não exportamos biodiesel a partir do Brasil por questões tributárias, ineficiência da infraestrutura e um dólar extremamente baixo, o que faz com que percamos competitividade.

Empresas & Negócios - Há empecilhos técnicos para concretizar a venda para o exterior?

Battistella - Já há empresas nacionais que conseguiriam atender às necessidades dos compradores internacionais, como é o caso da BSBios. Acredito que o biodiesel a ser exportado possa ser feito à base de soja, com algum blend (mistura) com outra matéria-prima. Depende do mercado que será explorado.

Empresas & Negócios - Quais seriam os países-alvo para a exportação?

Battistella - Principalmente, as nações da União Europeia.

Empresas & Negócios - Em que ritmo a indústria poderia atender ao aumento da adição de biodiesel na composição do óleo diesel?

Battistella - Um incremento gradativo traria tranquilidade para a cadeia toda, para os produtores de biodiesel e de oleaginosas. Temos condição de aumentar a participação a 1 ponto percentual ao ano, dando as garantias necessárias para os consumidores. Poderemos, no futuro, alcançar uma composição de 20% (B20).


Empresas & Negócios - Nos próximos anos, com a maturidade do setor, a perspectiva é de uma consolidação do segmento de biodiesel?

Battistella - Eu acredito nisso. Acho que deve haver uma consolidação formando grandes empresas nesse segmento.

Empresas & Negócios - Há espaço para o desenvolvimento da agricultura familiar com a de grande escala no setor?

Battistella - Com certeza. O programa de biodiesel tem a condição de satisfazer esses dois elos da cadeia. A iniciativa brasileira é uma das poucas no mundo que contempla a participação e resguarda uma fatia do fornecimento de matéria-prima para a agricultura familiar.

Empresas & Negócios - A discussão sobre a possível falta de alimentos devido ao uso de oleaginosas na produção de biocombustíveis ficou no passado?

Battistella - Felizmente essa baboseira acabou. Inclusive, a própria FAO (Organização da ONU para Agricultura e Alimentação), disse claramente que produzir biocombustível, em especial biodiesel, é aumentar a oferta de alimentos e gerar inclusão social. O Brasil é um grande exemplo nesse cenário. Era uma discussão que nós, do setor produtivo, sempre dissemos que não tinha fundamentação e agora está mais do que comprovado.

Empresas & Negócios - Como o Rio Grande do Sul está inserido hoje no segmento de biodiesel e qual a expectativa para os próximos anos?

Battistella - O Rio Grande do Sul é hoje o maior produtor, por sua vocação e seu empreendedorismo. Mas vejo que estamos chegando ao limite. Se não tivermos aumento de mercado, um estado que certamente irá sofrer com isso é o gaúcho, devido à quantidade de indústrias que tem em operação. Então, precisamos com urgência expandir o mercado.

Empresas & Negócios - Quais são os planos de crescimento?

Battistella - Temos o objetivo de crescer juntamente com o setor, mas o nosso planejamento estratégico não permite revelarmos a estratégia ainda. Hoje, temos uma capacidade de produção de 160 milhões de litros de biodiesel ao ano na unidade de Passo Fundo e de 130 milhões de litros ao ano no complexo de Marialva, no Paraná.


Empresas & Negócios - Qual a importância da parceria feita com a Petrobras, que agora tem 50% de participação na unidade de Passo Fundo?

Battistella - É uma aliança estratégica. A Petrobras é uma empresa competitiva e com domínio de tecnologia. Na planta de Passo Fundo, a partir de 2012, também pretendemos fabricar um novo produto, que é o biolubrificante.

Empresas & Negócios - Qual ação a BSBios desenvolve no transporte urbano de Curitiba?

Battistella - A BSBios fornece biodiesel puro, 100% da fórmula, para abastecer os ônibus triarticulados da cidade de Curitiba. Essa é uma iniciativa inovadora do município. Discute-se muito a questão econômica, mas deixamos de lado um ponto muito importante que é a situação ambiental. Os nossos governantes precisam ser mais responsáveis nessa área e adotar medidas e não apenas discursar.

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