Cadeia produtiva do tabaco: “É preciso garantir uma cultura viável e rentável para diversificar”
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Cadeia produtiva do tabaco: “É preciso garantir uma cultura viável e rentável para diversificar”

Para a cadeia produtiva do tabaco, acelerar a diversificação é garantir aos produtores uma alternativa competitiva e viável a médio e longo prazo
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Para a cadeia produtiva do tabaco, acelerar a diversificação é garantir aos produtores uma alternativa competitiva e viável a médio e longo prazo. Porém, a participação efetiva do governo brasileiro nesta demanda vem frustrando o setor nos últimos anos.

Ao avaliar o anúncio da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco e de seus Protocolos (Conicq) de que o Brasil irá formalizar um documento solicitando mais atenção e prioridade ao tema durante a Conferência das Partes para o Controle do Tabaco, a cadeia produtiva questiona dados e cobra soluções práticas da comissão que irá representar o Brasil no evento internacional.

Em entrevista à Folha, a secretária-executiva da Conicq, Tânia Cavalcante, adiantou nesta semana que a formatação deste documento tem por objetivo convocar os outros 180 países que integram a Conveção-Quadro a fortalecerem e acelerarem as ações do artigo 17, que trata sobre alternativas economicamente viáveis para os produtores de tabaco.
Para o presidente da Câmara Setorial do Tabaco e secretário da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Romeu Schneider, esta mobilização é 'uma válvula de escape, pois a maioria dos produtores de tabaco são diversificados. Aliás, o tabaco faz parte da diversificação.'

Ele recorda que a Afubra foi criada, em 1955, com o objetivo de garantir suporte para o produtor diversificar, inclusive com o fornecimento de insumos para que possa apostar em outras culturas. 'No entanto, o tabaco cresceu e outras culturas nunca tiveram mercado garantido e preço competitivo. Na época que o Brasil assinou a Convenção-Quadro, a proposta da Afubra era justamente essa: que o governo brasileiro garantisse mercado e preço por pelo menos dez anos, para então avaliarmos a segurança que o produtor teria e, só então, o País poderia exigir a redução do plantio de tabaco.'

"O governo só se beneficia da arredação de impostos que o setor gera e, por outro lado, impõe dificuldades." -
ROMEU SCHNEIDER - Presidente da Câmara Setorial do Tabaco e secretário da Afubra

Para o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke, as políticas de diversificação 'não andam' pois as entidades que conhecem o setor e a realidade do produtor não são convidadas para o debate. Por outro lado, sustenta Schünke, a maioria dos produtores já consorcia outra cultura na mesma propriedade, seja para a subsistência ou comercialização, de alimentos por exemplo. 'Venâncio Aires é um exemplo positivo de município agrícola que diversifica, que aposta em muitas culturas', acentua.

O dirigente reforça que o Brasil, até hoje, não apresentou um programa eficiente e que compactue com a demanda e a realidade das pequenas propriedades. 'O MDA [Ministério de Desenvolvimento Agrário] fala há anos de subsídios para os produtores, mas isso nunca se concretiza. As propostas do governo são muito vagas', frisa.

"O que o governo brasileiro sugere que o produtor plante, na mesma área, e que ofereça receita financeira no mesmo patamar que o tabaco?" 
IRO SCHÜNKE - Presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco)


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