Café: Produção pode recuar até 40%

Agronegócio

Café: Produção pode recuar até 40%

As chuvas registradas em importantes regiões produtoras de café, entre maio e junho, impactaram na qualidade dos grãos e vão reduzir a oferta de cafés especiais.
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As chuvas registradas em importantes regiões produtoras de café, entre maio e junho, impactaram na qualidade dos grãos e vão reduzir a oferta de cafés especiais. Com a demanda mundial crescente, a tendência é de valorização dos preços pagos pelos grãos diferenciados. A estimativa inicial é que a produção dos cafés de alto padrão recue entre 20% e 40% nas regiões afetadas, como o Sul de Minas Gerais. A quebra de safra ocorre em um período em que a demanda mundial cresce cerca de 10% ao ano.
 
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Adolfo Henrique Vieira Ferreira, as chuvas ocorreram no período de colheita da safra, o que causa perdas da qualidade dos grãos que foram derrubados precocemente e pelo aumento da umidade.
 
“Estávamos com expectativa muito boa para este ano. A estimativa era de uma safra maior e de alta qualidade, mas as chuvas interferiram nos planos. As precipitações ocorreram por uma temporada longa em um período crítico, que é a fase de colheita dos grãos. O fator climático não vai inviabilizar a produção, mas vamos disponibilizar menor quantidade de cafés especiais para um mercado que vem crescendo continuamente”, explicou.
 
Apesar de não ter uma estimativa do impacto da menor oferta nos volumes a serem exportados, a tendência é de manutenção da demanda em alta e, consequentemente, de valorização da saca. Os principais países compradores do café de alta qualidade são os Estados Unidos, seguido pela Europa e Japão.
 
“A oferta menor contribui para uma ligeira elevação dos preços dos grãos especiais, como também do café commodity. A demanda pelos cafés diferenciados cresce em torno de 10% ao ano, o que deverá sustentar os preços. Além de atender os mercados norte-americano, europeu e japonês, recentemente, outros países asiáticos têm mostrado um grande interesse pelo café especial brasileiro, o que é muito importante”, disse Ferreira.
De acordo com os dados da BSCA, a produção de café arábica especial no País responde por 20% da produção total do arábica, que, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), será de 40,3 milhões de toneladas. Minas Gerais é o principal produtor, com um volume total de 28,1 milhões de sacas. Em 2015, o Brasil produziu 6,5 milhões de sacas de cafés especiais, sendo o Sul de Minas Gerais a região com maior produção.
 
“Ainda não fizemos uma estimativa, é difícil porque são muitas as microrregiões no Sul de Minas Gerais e as consequências das chuvas variam conforme a propriedade e o grau de maturação do café afetado pelas chuvas. Acredito que teremos perdas não só nos cafés especiais, mas em toda a produção. A chuva vai prejudicar a qualidade entre o mínimo de 20% e o máximo de 40%, dependendo da região”.
 
Expectativas
 
Apesar da quebra de safra, as expectativas em relação ao mercado para o café especial são positivas. Isto pelo fato de os cafeicultores estarem cada vez mais empenhados em investir na produção do grão diferenciado, o que agrega valor e contribui para o planejamento futuro da produção.
 
“Nós, da BSCA, apesar do ano atípico, continuamos muito animados e engajados na campanha de promover e valorizar o café especial do Brasil. O Brasil é o único País capaz de atender a demanda mundial crescente pelos cafés especiais. O produtor brasileiro já descobriu que é possível produzir café de qualidade e vem buscando novas tecnologias para ofertar ao mercado esse produto e agregar valor. A medida que se investe em tecnologia e procura aprimorar, o cafeicultor aumenta a qualidade como um todo, desde o café mais baixo até o padrão alto. Com isso, agrega qualidade e valor como um todo”, disse Ferreira.
 
Em relação ao consumo nacional, a expectativa é que a crise econômica não interfira na demanda pela bebida especial. “Observamos que quando ocorrem períodos de preços mais altos, o consumidor migra a forma de consumo, às vezes deixa de consumir fora do lar, mas não suspende o consumo”.

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