Café arábica/CEPEA: Mesmo com maior oferta, 2010 foi de preços recordes

Agronegócio

Café arábica/CEPEA: Mesmo com maior oferta, 2010 foi de preços recordes

Cotações foram impulsionadas por preços internacionais
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Cepea – O ano de 2010 foi bastante favorável ao mercado de café arábica. Mesmo com a maior produção brasileira – segundo a Conab, de 48,1 milhões de sacas, 22% a mais que a temporada 2009/10, devido à bienalidade positiva da cultura –, os preços da variedade registraram aumentos significativos desde junho, quando se iniciou oficialmente a safra brasileira. No dia 23 de dezembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, atingiu R$ 409,28/saca de 60 kg, o maior valor nominal de toda a série do Cepea, iniciada em 1996. Desde então, o Indicador registrou recordes diários.

As cotações brasileiras do arábica foram impulsionadas pelas elevações nos preços internacionais. Em dezembro, na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o contrato de arábica alcançou o maior valor dos últimos 13 anos. Essa forte alta, por sua vez, foi justificada pelos baixos estoques mundiais, pelo consumo crescente e por problemas climáticos em outros países produtores do grão – como a Colômbia, que novamente deve produzir um volume bem abaixo do seu potencial produtivo.

A safra brasileira não foi favorável apenas pelos preços elevados. A produção foi maior, mesmo com a menor área – dados da Conab indicam que houve diminuição de 0,8% na área de 2009 para 2010. Isso foi possível porque a produtividade na safra 2010/11 foi cerca de 23% maior que a da temporada 2009/10, alcançando 23,16 sacas/hectare. Se comparada a safra 2010/11 com a 2008/09, que também foi de bienalidade positiva, o aumento na produtividade é de 9%.

Assim, aliando-se a produtividade alta aos elevados patamares de preços, o ano de 2010 permitiu boa rentabilidade ao produtor brasileiro, especialmente ao de arábica de melhor qualidade. Já em relação aos produtores com menor nível tecnológico, a alta nos preços permitiu, pelo menos, alívio no caixa da fazenda.

De modo geral, antes do início da safra, a expectativa de agentes era de ligeira redução nos preços assim que os novos lotes fossem disponibilizados. Esses agentes estavam fundamentados nos valores antes da entrada da nova safra, que já estavam acima dos observados nas temporadas anteriores. A colheita brasileira foi iniciada antes do previsto – em meados de maio – e, como os preços estavam em alta, parte dos produtores preferiu colher, mesmo com grãos ainda verdes.

Além dos altos patamares de preços, o clima favorável permitiu que os trabalhos de campo fossem feitos com poucas interrupções, já que, diferente da safra anterior, quase não choveu neste período. A qualidade do grão praticamente não foi prejudicada pela umidade. No entanto, houve desuniformidade dos lotes (grãos verdes e maduros no mesmo galho), devido às diversas floradas ocorridas em 2009.

No correr da safra, os preços do arábica subiram ainda mais, motivando um bom volume de vendas. Já em dezembro, o ritmo de negócios diminuiu visto que, além da intensificação das vendas nos meses anteriores, muitos produtores evitaram fechar negócios, diante da preocupação com declaração do imposto de renda. Assim, as vendas de dezembro foram, em sua maioria, efetuadas para entrega e pagamento em janeiro.

Entre 30 de dezembro de 2009 até o 30 de dezembro de 2010, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, subiu 51,53%, fechando a R$ 413,34/saca de 60 kg na último dia 30 de dezembro.




Café robusta/CEPEA: Competitividade externa limita valorização do grão brasileiro

Cepea – O cenário não foi tão positivo ao mercado de robusta em 2010. Os preços da variedade, apesar dos avanços também na Bolsa de Londres (Euronext.Liffe), não subiram significativamente no Brasil. A baixa competitividade do robusta brasileiro em relação ao de outros países – como o Vietnã – limitou os aumentos internos. Assim, os preços permaneceram praticamente nos mesmos patamares de junho a setembro de 2010 (a variação foi de, no máximo, 10 reais por saca neste período).

Outro fator desfavorável aos produtores de robusta foi a menor produção da variedade no Espírito Santo. Contrariando as expectativas iniciais, o clima seco no início de 2010 fez com que o desenvolvimento das lavouras fosse prejudicado. Dessa forma, os grãos não atingiram o seu tamanho ideal, resultando em cafés de menor peneira e, consequentemente, reduzindo o rendimento em sacas. Segundo a Conab, a produção de robusta no Espírito Santo caiu 3,4% ante a safra 2009/10, para 7,355 milhões de sacas.

Assim, as exportações deste grão recuaram. Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), de outubro/09 a agosto/10, o volume de robusta embarcado pelo Brasil foi de 924,7 mil sacas, volume 23% menor se comparado às exportações de outubro/08 a agosto/09 (1,2 milhão de sacas). Entre novembro/09 e outubro/2010, a redução é de 9,5%.

Em outubro/10, especificamente, as exportações de robusta subiram expressivamente se comparadas às de outubro/09 (houve aumento de 65% nesse período). Isso ocorreu devido ao atraso da entrada do Vietnã no mercado internacional, por conta de chuvas intensas ocorridas no país. O aumento nos embarques brasileiros, por sua vez, elevou os preços da variedade no físico nacional no final de outubro.

O Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 peneira 13 acima foi de R$ 198,29/saca de 60 kg no dia 30 de dezembro, acumulando alta de 16% em 2010.

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