Café deve ter safra até 27% menor

Agronegócio

Café deve ter safra até 27% menor

Entre os motivos estão a falta de chuvas e a bianualidade
Por: -Willian Marques
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A produção brasileira de café da safra 2007/2008 deve ser entre 23,9% e 26,9% menor do que a safra 2006/2007 que terminou de ser colhida recentemente. Em números, o Brasil deve colher em 2008 de 31,1 milhões a 32,3 milhões de sacas de 60 quilos, contra os 42,5 milhões de sacas colhidos neste ano. A estimativa é do primeiro levantamento feito pela Conab e divulgado no início da segunda quinzena de dezembro.

A falta de chuvas na época da florada é um dos responsáveis pelo desempenho negativo da cultura cafeeira para a próxima colheita. Outro vilão é a bianualidade baixa do grão. O resultado negativo para a próxima safra já era esperado devido ao ciclo natural do grão, tendo em vista que a produtividade cafeeira é marcada por ciclos de alta e de baixa que se alternam anualmente. A lavoura que será colhida no ano que vem é, justamente, da fase de baixa produtividade. Na safra 2005/2006, quando a bianualidade também era de baixa produção, o Brasil colheu 33 milhões de sacas de 60 quilos. Na última safra, período de produtividade alta, foram colhidos 42,5 milhões de sacas.

Sabendo desta situação, o mercado reagiu. Desde julho têm-se observado aumentos consistentes nos preços do produto no mercado doméstico e a expectativa é que esta situação permaneça até a próxima colheita.

Produção

Os Estados mais afetados, conforme a primeira estimativa da Conab, são Minas Gerais, onde a quebra na safra deve ficar entre 35,9% e 39,1%, São Paulo, entre 45,9% e 47,7% e no Paraná, entre 17,3% e 24,8%. Só nas regiões Sul e Centro-Oeste mineiro, onde se concentra a maior produção do País, a queda pode ficar entre 48,6% e 49,9%.

No Espírito Santo, onde está o segundo maior plantio de café do Brasil, a queda deve ser de 0,6% a 0,7% devido, principalmente, à diminuição do cultivo do tipo arábica. Atualmente, 79,3% da produção capixaba é do tipo conilon robusta.

Área

Além da falta de chuvas na época da florada e da questão da bianualidade do grão, outro fator que vai pesar na queda de produção na cultura cafeeira para a safra 2007/2008 é a redução de 2,8% da área plantada. Enquanto na última safra o café ocupou uma área de 2,15 milhões de hectares, a safra atual está sendo cultivada em 2,09 milhões de hectares. A maior queda foi registrada em Minas Gerais e São Paulo, onde parte das terras que era destinada ao café foi substituída pela cana-de-açúcar.

Estoque baixo e consumo em alta anima produtor

Apesar da expectativa de queda na produção da próxima safra de café, os produtores estão muito animados. Há muito tempo não se observava tamanha euforia. Isto porque as condições do mercado apontam para um cenário muito favorável. Além da quebra da próxima safra, os estoques mundiais estão baixos e o consumo é crescente.

"O Brasil exporta 26 milhões de sacas e o consumo interno equivale a 15 milhões de sacas. Se levarmos em consideração que a expectativa para a próxima safra é de 31,1 milhões a 32,3 milhões de sacas de 60 quilos, a conta não vai fechar. Mas o consumidor não precisa se preocupar, pois existe estoque suficiente para atender à demanda", comentou o gerente do Departamento de Cafés Especiais da Expocaccer, Marcelo Pedrosa.

Ele explicou que o dinheiro liberado pelo governo atendeu às necessidades dos cafeicultores e que os contratos com vencimento para fevereiro ainda poderão ser prorrogados por mais 12 meses. Desta forma, muitos produtores ainda devem deixar armazenada parte da última safra, aguardando assim melhores preços no mercado internacional.

"O que podemos dizer é que os preços pagos atualmente são muito bons. Para os contratos com vencimento em março na BMF, a cotação é de US$ 152,40. O conselho que damos aos nossos associados é que estabeleçam uma escala de comercialização do produto estocado. O mercado não segue fielmente a lei da oferta e procura. Existem fundos de investimentos que manipulam em busca de lucros. Por isso, não dá para prever com exatidão quando os preços deixarão de ser tão atrativos", concluiu Marcelo Pedrosa.

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