Câmaras Setoriais apresentam demandas do setor ao ministro da Agricultura
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Agronegócio

Câmaras Setoriais apresentam demandas do setor ao ministro da Agricultura

Mendes Ribeiro se reuniu com presidentes das 34 Câmaras Setoriais e Temáticas do MAPA
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Mendes Ribeiro se reuniu com presidentes das 34 Câmaras Setoriais e Temáticas do MAPA. Sete destes colegiados são comandados por representantes da CNA
Investimentos em logística e infraestrutura, controle das importações dos países do Mercosul, registros para novos agroquímicos, isenção de carga tributária, melhoria dos programas sanitários animal e vegetal e criação de mecanismos de proteção à produção. Estas foram algumas das reivindicações apresentadas ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro, nessa quarta-feira (8-2), pelos presidentes das Câmaras Setoriais e Temáticas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), neste primeiro encontro, em Brasília. Sete das 34 Câmaras são comandadas por presidentes de Comissões Nacionais da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) ou por lideranças que representam a entidade nestes colegiados, que funcionam como fóruns consultivos, com reuniões periódicas para debater questões relacionadas aos segmentos do agronegócio.

Presidente da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística e vice-presidente diretor da CNA, José Ramos Torres de Melo Filho, pediu o apoio do ministro para ampliar os investimentos em hidrovias e portos da região conhecida como Corredor do Arco Norte, que abrange importantes produtores de grãos, como Mato Grosso, além dos Estados do Norte e do Nordeste. Segundo ele, o escoamento da produção de grãos até estes terminais portuários desafogaria a demanda de cargas que chega aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), os mais movimentados do País. “Produzimos 131 milhões de toneladas de soja e milho e apenas 16% desta produção são exportados pelo Arco Norte”, explicou Torres de Melo, que também defendeu medidas para ampliar a utilização das ferrovias e a aprovação do Projeto de Lei 3009/97, em tramitação na Câmara, que prevê a construção simultânea de eclusas com usinas hidrelétricas.

A melhoria das condições de logística também foi defendida pelo presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja e vice-presidente da CNA, Rui Prado, principalmente para a região Centro-Oeste, para facilitar o transporte da oleaginosa até os portos. Segundo ele, as despesas com transporte na produção, diante da precariedade dos modais existentes no Brasil, totalizam, em média, R$ 2,5 bilhões por ano. Prado, que também preside a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (FAMATO), pediu o apoio do MAPA para acelerar o registro de novos agroquímicos para controle e erradicação da ferrugem asiática, praga que costuma atacar a lavoura da oleaginosa, causando prejuízos aos agricultores. “Precisamos de agilidade para impedir a destruição de nossas lavouras, porque temos hoje poucos produtos e eles são caros”, disse.

Já o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina e do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, defendeu a reestruturação do programa sanitário do Ministério da Agricultura para o combate à brucelose, doença que tem atingido o rebanho bovino, preocupando os pecuaristas. “É um programa bem antigo, que nunca funcionou”, argumentou. Outras demandas apresentadas por Nogueira foram a isenção do PIS/Cofins sobre a ração e os suplementos minerais utilizados na alimentação dos animais, além do apoio do Governo para financiar programas de desenvolvimento sustentável da pecuária, a inserção do sistema de confinamento de gado no Programa ABC e o fortalecimento da rede de laboratórios do MAPA que trabalham com a atividade pecuária.

Para o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados e da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, o principal problema enfrentado pelo setor lácteo é o volume de importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai, em detrimento do produto nacional. Mesmo após o acordo fechado com a Argentina para a importação de até 3,3 mil toneladas por mês, o volume que entrou no Brasil em janeiro superou a cota estabelecida e voltou a preocupar o setor. No caso do Uruguai, ainda não há acordo para limitar a importação do produto e a quantidade importada pelo País no mês passado foi superior a seis mil toneladas. “Não quero afirmar nada, mas será que o Uruguai produz o suficiente para exportar seis mil toneladas ao Brasil em um mês? Será que está havendo triangulação de fora do Mercosul via Uruguai? É um fato que começa a gerar desconfiança ”, questionou.

O prejuízo com as importações de países do bloco econômico também foi levantado pelo presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz e representante da CNA no colegiado, Francisco Lineu Schardong. Segundo afirmou, o volume do cereal oriundo dos países vizinhos tem pressionado para baixo os preços pagos aos rizicultores. Para ele, a situação não foi pior por causa de algumas medidas tomadas pelo Governo para exportar a produção.

O seguro rural para a fruticultura foi outro ponto discutido no encontro e reivindicado pelo presidente da Câmara Setorial de Fruticultura do MAPA e da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, Carlos Prado. “Produzir fruta no Brasil, hoje, é um cassino, no qual jogamos no escuro, sem garantia alguma para as perdas”, justificou, solicitando maior agilidade na liberação de novos agroquímicos para o setor. A formalização do abate de animais, a criação de um programa de melhoramento genético e a isenção de PIS/Cofins sobre a suplementação matrizes foram reivindicadas pelo presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos, Edilson Maia, que também preside a Comissão Nacional do setor na CNA.

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