Câmbio reduz custo de frete e aumenta em 7% valor da soja
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Agronegócio

Câmbio reduz custo de frete e aumenta em 7% valor da soja

Aos níveis atuais da cotação do dólar, o valor pago ao produtor seria 7,42% maior em MT, estado com piores logísticas de escoamento
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A mesma desvalorização cambial que minimizou a derrocada dos preços das commodities, vai promover menos descontos de frete no preço da soja ao produtor rural. Aos níveis atuais da cotação do dólar, o valor pago ao produtor seria 7,42% maior em Mato Grosso, estado que tem uma das piores logísticas para escoamento do grão no País. Se um sojicultor deste estado fechasse hoje um contrato para embarcar uma única tonelada do grão no mês de março pelo porto de Paranaguá (PR), ele receberia US$ 247,98, U$ 17,15 a mais do que o valor que lhe seria pago caso a cotação do dólar estivesse aos níveis anteriores ao agravamento da crise - R$ 1,75.

O custo frete, que há pouco ultrapassou a barreira dos US$ 100, agora tem um impacto 7,5% menor no valor pago ao produtor descontado pelas tradings. Da tonelada da soja que ontem foi cotada a US$ 341,68 no porto de Paranaguá - na Bolsa de Chicago (CBOT) fechou em US$ 9,24 o bushel - seriam debitados apenas US$ 85,70 referentes a custos de frete e cerca de outros US$ 8 referentes a outros encargos, o que significa dizer que o produtor receberia os tais US$ 17,15 a mais que na época em que, com um real supervalorizado, pagávamos R$ 1,75 pela moeda americana.

Os cálculos acima foram projetados pelo analista Eduardo Godoi, da empresa de consultoria AgRural, para a soja produzida em Sorriso, região noroeste do Mato Grosso. Ele lembra que no caso da formação do preço da soja deste estado, o valor do custo logístico deduzido da tonelada é maior que em qualquer outra região produtora do País. "O produtor poderia se beneficiar dessa matemática, mas isso não está acontecendo, o cenário ainda é de incerteza, pois amanhã o dólar pode estar ainda mais caro". No pico da cotação da moeda americana na semana passada, esse mesmo custo frete chegou perto dos US$ 70.

Porém, Godoi ressalta que nem todo produtor consegue aproveitar esse impacto positivo da desvalorização cambial no custo do frete. "Só os grandes produtores têm o privilégio de amarrar apenas esses custos. O que acontece na maioria dos casos é um fechamento integral do contrato, com o preço final fixado", explica o analista. E o que poderia ser visto como lucro, vira prejuízo. A mesma tonelada de soja cotada a US$ 247,98, resulta em míseros US$ 14,88 por saca, o que não paga os US$ 850 empenhados em cada hectare cultivado. "O produtor leva um prejuízo de duas sacas, e para fazer um mal negócio não precisa ter pressa", calcula Godoi. Alguns poucos produtores do Estado conseguiram fixar o preço da saca de soja com entrega em fevereiro em incríveis US$ 24, mas eles são exceções.

A coordenadora de logística da produção agropecuária do Ministério da Agricultura (Mapa) reconhece o impacto da logística no agronegócio em Mato Grosso e em todo o País. "Nós não temos uma medida precisa do tamanho desse custo, mas ele pode ser mensurado pelos investimentos que o Mapa precisa fazer em Mato Grosso. Se o ministério não colocar dinheiro para subsidiar a safra de lá, o produtor desiste", admite.

Se sobre a soja mato-grossense recai um custo de logística sufocante, sobre insumos, como calcário então nem se fala. Mesmo sem fórmula para calcular o tamanho do impacto da logística sobre o agronegócio, o pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-log) Augusto Gameiro não hesita em afirmar que a logística do calcário é mais cara que o próprio calcário. Nós estamos desenvolvendo um modelo para medir o impacto. Mas essa fórmula só vai quantificar o que a gente já sabe, o Brasil paga caro pelas safras produzidas".

Quando os cálculos acerca dos custos logísticos são apresentados em reais, aquela redução verificada com os preços cotados em dólar vira valorização. De acordo com os dados da Esalq-log, o custo do frete que leva a produção agrícola do norte de Mato Grosso para o Porto de Paranaguá subiu de R$ 184,67, para R$ 220, em um ano (comparação feita entre setembro de 2007 e 2008), aumento de 19,1%.Valorização que pode ser explicada pelo reajuste de 8% do diesel no referente período, e ainda pelo aumento do preço dos pneus. Enquanto isso, em estados como o Paraná, o que se viu foi uma queda acentuada de 10,9%. "Há uma certa heterogeneidade nos fretes explicada por diversos fatores. A queda pode ser devida, inclusive, ao efeito desse esfriamento nos mercados em decorrência da crise financeira".

Para o analista Fernando Pimentel, da Agrosecurity, o frete internacional caiu por dois fatores: pela queda do petróleo e ainda pela visível redução de fluxo comercial. "Com a recessão mundial o fluxo de navios e todos os outros modais tendem a reduzir" diz.


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