Cana: clima instável deixa safra mais curta

Agronegócio

Cana: clima instável deixa safra mais curta

Consumidores já sentem no bolso o problema da falta do etanol
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Com atraso de um mês no início da colheita, consumidores já sentem no bolso o problema da falta do etanol, que apresenta preços altos nas bombas

A safra da cana-de-açúcar está atrasada em um mês e deve ser mais curta. A colheita, que deveria ter começado na metade de março, vai começar somente nesta segunda quinzena de abril, ou até no inicio de maio, como aponta José Coral, presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana (Coplacana). “Isso se deve aos problemas que enfrentamos nos últimos anos com períodos de muita chuva e de estiagem muito grandes”, disse.

A explicação de Coral para o atraso é simples, já que, nos últimos três anos, os produtores passaram por três situações distintas e que prejudicaram a produção. “Em 2009, choveu muito e não colhemos boa parte do que foi plantado. No ano seguinte, colhemos mais cedo esta cana, que já estava pronta e não era de boa qualidade, ou seja, ficou um corte para trás. Além disso, neste mesmo ano, sofremos com pouca chuva e a cana não se desenvolveu o quanto era esperado”, comentou o presidente da Coplacana.

Em 2011, o atraso na colheita acarretou muitos problemas, entre eles a falta do etanol nos postos de combustíveis. “A perda de um mês de safra acabou acarretando no aumento dos preços. Mas, com a retomada da safra, os valores aplicados devem cair razoavelmente para o consumidor final”, afirmou Coral, apontando que o preço médio do etanol deve começar a cair em breve e, no auge na safra, pode chegar a R$ 1,70 na bomba.

Segundo ele, com a safra mais curta em 2011 – provavelmente de maio a novembro, se o clima ajudar – outros problemas poderão ser observados. “Os produtores produziram menos nos últimos anos, pagando menos impostos, e o giro de capital menor acarreta grandes impactos, pois a usina não contrata e o governo faz menos investimentos”, completou Coral.

ESTIMATIVA - As usinas e destilarias do Estado de São Paulo, maior produtor de cana-de-açúcar do país, irão processar 435,01 milhões de toneladas na safra 2011/2012, de acordo com a primeira estimativa de safra, divulgada nesta semana pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA). Caso a previsão seja concretizada, a moagem nesta safra será apenas 1,2% superior à da passada, de 429,95 milhões de toneladas.

Segundo o levantamento do IEA, a área de cana para a produção destinada à indústria será praticamente a mesma, variando de 5,71 milhões a 5,72 milhões de hectares entre os dois períodos, alta de apenas 0,2%. Com isso, a produtividade da cultura também terá uma pequena variação, de 0,3%, entre 2010/2011 e 2011/2012, de 83,72 t/ha para 84,01 t/ha.

Segundo José Coral, presidente da Coplacana, a região de Piracicaba, que ano passado moeu cerca de 42 milhões de toneladas de cana, deve processar, em 2011, apenas 37 milhões. “A redução na produção não deve gerar grandes prejuízos, porém, se o clima não ajudar, as próximas safras podem ser prejudicadas”, finalizou.

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