Cana ainda representa prova de fogo para o milho em SP

Agronegócio

Cana ainda representa prova de fogo para o milho em SP

Novo recuo na área do cereal indica que os preços regionais terão de subir mais para reverter essa tendência
Por: -José Rocher
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Novo recuo na área do cereal indica que os preços regionais terão de subir mais para reverter essa tendência

O mercado coloca à prova neste ano a resistência da produção de milho ante o avanço da cana em São Paulo. Os produtores e cooperativas afirmam que haverá nova redução na área do cereal, antecipando as projeções oficiais para a safra. O milho ocupou 597 mil hectare no verão passado, com perda de 70 mil hectares em duas safras, conforme censo estadual. Para esta temporada, está previsto novo recuo de cerca de 20%.

Apesar da forte demanda por milho sustentada pelas indústrias de ração para frango e gado, a Região Noroeste terá redução de 20% a 25% no plantio de milho, calculam os técnicos da Cooperativa do Agronegócio e Armazenagem de Votuporanga (Coacavo). As áreas mais extensas de produção de grãos estão recebendo cana e, em propriedade menores, cedem espaço para alternativas como seringueiras, relata o gerente comercial da Coavavo, Osvaldo de Carvalho. Em sua avaliação, só um aumento nas cotações – maior do que o de R$ 14 para R$ 22 a saca, registrado nos últimos quatro meses – pode reverter o quadro.

“Recebemos 1 milhão de sacas na última safra, 500 mil a menos que em 2002/03, e agora devemos receber 800 mil. Esperamos que a produção se estabilize nesse patamar”, afirma.

Por outro lado, quem insiste no cereal diz que as coisas começam a melhorar. “O preço estava ruim demais. Ainda não está bom, mas ficou melhor”, afirma Eder Esteves. Ele plantou 200 hectares de soja e 100 de milho na safra passada e na atual está cultivando parcelas iguais de 150 hectares. “Os bois é que puxam a renda”, relata. Sua família engorda 400 bovinos por ano e explora também a pecuária leiteira, com produção de 1,5 mil litros ao dia.

A cana compete com a produção de grãos do Centro-Oeste ao Nordeste do país, mas mostra menos força diante das lavouras de soja. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, os produtores consideram que a área da oleaginosa segue estável. Porém, o estado tem, além das 13 usinas em funcionamento, 23 programadas. Se cada projeto tomar de 40 mil a 50 mil hectares, a pressão será inevitável, diz Sadi Depauli, assessor especial da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) no estado.

Região da soja reforça opção pelo grão

A rotação de cultura prevalece na Região Sul de São Paulo. Os produtores monitoram o mercado e, na hora de decidir, levam mais em conta a produção a longo prazo, mudando de planos somente dentro de uma margem de segurança. Mesmo com essa preocupação, “o milho perdeu 15% de área para a soja”, afirma o responsável técnico da Castro­­landa em Itaberá (Sul paulista). A cooperativa paranaense abrange 12,4 mil hectares cultivados com a oleaginosa e 3,1 mil hectares do cereal nessa região. Como na maior parte do estado, o milho já foi plantado e, após as chuvas do fim de semana, é hora de semear a soja.

O produtor Carlos Moulatlet conta que manteve 1,1 mil hectares de soja e 640 ha de milho para seguir o sistema de rotação de culturas. “Se não seguisse, no futuro posso ter de plantar proporção ainda maior de uma cultura inviável, ficaria refém do mercado”, justifica. Sua perspectiva é que os preços da soja estão melhores que os do milho, mas podem continuar subindo. “Tudo leva a crer que quem antecipou não fez a melhor venda.”
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