Canavial urbano preocupa morador no interior de SP
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Agronegócio

Canavial urbano preocupa morador no interior de SP

O crescimento do setor chegou às portas das casas de moradores de Pirajuí
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O crescimento do setor sucroalcooleiro no interior de São Paulo chegou às portas das casas de moradores de um pequeno distrito da cidade de Pirajuí (398 km a noroeste de São Paulo). Em Santo Antônio da Estiva, onde vivem cerca de 400 pessoas, uma área de 15 alqueires próxima ao núcleo urbano está pronta para se tornar uma plantação de cana-de-açúcar. A poucos metros do limite da área do "canavial urbano" há várias casas e a igreja do distrito, onde missas são celebradas ao menos uma vez por mês e onde se realiza anualmente uma quermesse.

Ao saber que ganharão um canavial como vizinho, alguns moradores protestaram e o caso chegou à esfera judicial. Um deles é o aposentado Angelo Rigotto, 78, que diz ter receio de conviver com uma plantação de cana-de-açúcar a poucos metros de sua casa. "Vivo aqui há cerca de 40 anos. Antes, a vista que tinha do meu quintal era um pasto, árvores, gado. Agora terei um canavial para olhar. O principal receio é a realização de queimadas durante a colheita da cana. A gente tem medo de que bichos saiam da plantação, medo do uso de veneno no solo".

O veterinário e produtor rural João Paulo Primiano, 49, um dos dois sócios que arrendaram a área onde será o canavial, disse que não haverá queimadas para o corte da cana-de-açúcar naquela área (leia texto nesta página). Ele afirmou à Folha que irá plantar as mudas de cana no dia 28 de março. Com a proximidade do plantio, moradores disseram ter intenção de deixar o local. "Se isso ocorrer, vou embora daqui", afirmou o aposentado Alceu Gasparoto, 72.

O quarto onde dorme o filho de nove meses do agente penitenciário Roberto Ramalho, 45, fica a poucos metros do limite da área do futuro canavial. "Se for ter o canavial mesmo, tiro meu filho daqui". Nas casas que circundam a área do futuro canavial, há também moradores que não se importam com a chegada do insólito vizinho. "Plantar eles vão mesmo. Vai atrapalhar um pouco, tirar um pouco o sossego. Mas eu prefiro ficar neutro nessa questão", disse Fausto Franco Neto, 64.

Para a aposentada Hermelinda Máximo, 65, o canavial próximo à sua casa "não irá atrapalhar em nada". Ela se declarou "indiferente" à polêmica e afirmou que, com a chegada da cana-de-açúcar, pode ocorrer "geração de empregos".

Trânsito intenso:

Os habitantes do distrito também contam um problema vivido durante a época da colheita da cana: o trânsito constante de caminhões carregados pela única rua asfaltada do distrito. A rua Santo Antônio é uma continuação de uma estrada vicinal que foi inaugurada em 1988 e atravessa o distrito.

"Na colheita, o trânsito de caminhões é constante de dia e à noite. Eles passam carregados, acima da capacidade, derrubam fios, postes", disse a diarista Nelci de Almeida, 37. Ela afirmou que o tráfego intenso dos veículos que transportam a cana de fazendas para usinas da região já prejudicou a estrutura de alguns imóveis. Em sua casa, há rachaduras nas paredes e um muro foi reformado por risco de desabar.


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