Canola: crescimento limitado pela falta de sementes
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Agronegócio

Canola: crescimento limitado pela falta de sementes

Estimativa inicial previa incremento de 30% na área em 2013
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A época de semeadura da canola começou em 1º de março no Paraná e se estende até 30 de junho no Rio Grande do Sul, estados que concentram mais de 90% da produção. A escassez de sementes no mercado pode prejudicar o avanço da cultura neste ano, com área que deve repetir os números do ano passado limitada a 48 mil hectares. O cenário de produção de canola no Brasil é tema da palestra de abertura do VII Curso de Capacitação e Difusão de Tecnologia na Cultura de Canola, que acontece dia 18 de abril, na Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS).

A área de canola semeada em 2012 foi de 48.704 hectares (ha), uma redução de 18% em relação ao ano anterior. Para 2013, as estimativas iniciais apontavam para um incremento de área superior a 30%, realidade que acabou frustrada devido à falta de sementes. Atualmente, os híbridos mais utilizados nas lavouras brasileiras são Hyola 61, Hyola 571, Hyola 411 e Hyola 433, importados principalmente da Argentina, onde uma forte estiagem nos campos de multiplicação causou quebras significativas, reduzindo a oferta de sementes. De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Tomm, ainda é cedo para fazer finalizar a estimativa da área de canola nesta safra, avaliando que a intenção de plantio pode sofrer diversas variações até o final da época de semeadura.

Nos últimos cinco anos, a área de canola tem apresentado crescimento constante, com exceção de 2012, quando a estiagem de verão estendeu a falta de umidade até o período de semeadura da canola. Na avaliação do Gerente de Tecnologia Agrícola da BSBIOS, Fábio Júnior Benin, a canola passa de uma fase considerada como “cultura alternativa” para uma “cultura permanente” nos sistemas produtivos da Região Sul e Centro-Oeste do Brasil. “Nos últimos anos, importantes fatores que tem ligação direta com o cultivo de canola foram ajustados, como, por exemplo, a publicação do zoneamento agroclimático, a consolidação do mercado produtor de biodiesel, a profissionalização da produção com a capacitação de profissionais com conhecimento específico para a cultura da canola e um mercado consumidor de óleo vegetal em franca expansão”, avalia Benin. Ele destaca, também, a disponibilização de novos híbridos de canola no mercado, avanços no processo de registro de defensivos químicos para a cultura e a criação de entidades representativas do setor produtivo (ABRASCANOLA): “Estamos numa fase de amadurecimento e profissionalização do setor produtivo da canola, destacando o Brasil como líder no setor produtivo de oleaginosas aptas a atender os mercados emergentes de óleos vegetais”, conclui. Nos últimos três anos, os produtores que adotaram a cultura têm mantido a canola no sistema de produção, ao contrário do passado, quando a rotatividade nas áreas de cultivo era mais frequente, impedindo a organização da cadeia produtiva.
 
Preço atrai

Visando incentivar o crescimento da área de canola no Brasil, as empresas de fomento têm pago pela canola o preço vinculado à soja, colocando a oleaginosa no ápice da cotação de grãos no ano passado. Porém, os preços no momento da colheita e comercialização da canola têm sido elevados e bem maiores do que os preços no mercado futuro, quando o óleo e o farelo de canola serão vendidos a partir do processamento dos grãos, situação preocupante para as empresas de fomento. Em resumo, os atuais preços da canola estão excelentes para os produtores, gerando lucros elevados mesmo para quem obteve produtividade menor do que a média nos últimos anos, em torno de 1.500 a 1.600 kg/ha, considerando que os custos de produção têm ficado em torno de 900 kg/ha (15 sacas).

Na propriedade em Vila Maria, RS, o produtor Tales Rosso reduziu a área de canola pela metade no último ano, mas o rendimento aumentou em 30%. A comercialização foi de R$ 68,00 o saco de 60kg, destinado à indústria de biodiesel. A expectativa do produtor é com a relação à chegada de uma nova cultivar de canola no mercado que permite o melhor controle do nabo, invasora que ainda depende de capina mecânica para ser eliminada da lavoura. “Estou satisfeito com a cultura da canola. Se o cenário continuar favorável, com boas perspectivas de clima e preço, devemos aumentar a área neste ano”, afirma Rosso.

Além do preço, a liquidez da canola é outro atrativo. Toda a canola produzida no Brasil e grande parte da produção dos 70 mil hectares cultivados no Paraguai e industrializados no Brasil, é destinada à alimentação humana. Assim, os brasileiros estão consumindo óleo mais saudável e tem destinando o óleo de soja à produção de biodiesel. As vantagens da canola para a indústria de biodiesel está no teor de óleo, enquanto que nos grãos de canola o índice chega a 40%, nos grãos de soja o teor de óleo é de 18%. 

De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Canola (ABRASCANOLA) existe enorme demanda por óleo de canola no mercado nacional e internacional. Para atender apenas uma solicitação recebida recentemente da Europa, seria necessária uma área 200 vezes maior que a área cultivada atualmente no Brasil. “As empresas, as cooperativas e o governo estão trabalhando para a expansão da produção de canola para que a quantidade de óleo disponível no Brasil viabilize seu emprego na produção de biodiesel. Isto permitiria a exportação para países, como os da Europa, onde o biodiesel, produzido com óleo de soja e sebo não atende as especificações”, afirma o Diretor Presidente da BSBIOS, Erasmo Carlos Battistella.

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