Capim-arroz adquire resistência a glifosato
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Imagem: Arquivo
COMUNICADO

Capim-arroz adquire resistência a glifosato

Cenário foi observado em ensaios na região de Santa Rosa/RS
Por: -Eliza Maliszewski

O Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR) emitiu um comunicado onde informa que estudos mostraram resistência do capim-arroz da espécie Echinochloa crus-galli var. crus-galli ao herbicida glifosato, pertencente ao grupo dos Inibidores da EPSPs (Grupo G).

Os estudos seguiram as metodologias preconizadas nas publicações “Critérios para relato de novos casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas” e “Dez passos para relatos de novos casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil”, reconhecidos no Brasil e internacionalmente. Consistiram em ensaios de curva dose-resposta ao herbicida glifosato em populações F1 e F2, caracterização da espécie, e adicionalmente extração de DNA e identificação do mecanismo de resistência. 

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pela Syngenta Crop Protection, na região de Santa Rosa (RS). Os resultados foram publicados na página internacional “www.weedscience.org” (Heap, I. The International Survey of Herbicide Resistant Weeds).

O comunicado ainda ressalta que o gênero Echinochloa possui biótipos com relatos de resistência no Brasil a outros mecanismos de ação, como Inibidores da ALS (Grupo B), Inibidores da ACCase (Grupo A) e Inibidores da síntese de parede celular (Grupo L), tanto resistência isolada quanto múltipla, ou seja, o manejo dessa espécie requer atenção ao uso das boas práticas agrícolas e técnicas preconizadas de manejo de plantas daninhas resistentes aos herbicidas.

O capim-arroz acomete várias culturas como arroz, cana-de-açúcar, algodão, soja, milho, tabaco, feijão, diversas espécies de hortaliças e tubérculos. Segundo o Agrolink Fito a planta invasora é muito frequente em lavouras de arroz inundado, sendo invasora séria em 61 países do mundo. Pode ocorrer em solos secos tanto em lavouras anuais como perenes. Suas sementes germinam de uma profundidade de até 10 cm. Quanto mais encharcado o solo, menor a profundidade de germinação. Uma única planta pode produzir até 40 mil sementes. A germinação não ocorre em solos encharcados. 

De acordo com dados do WeedScience em todo o mundo há relatos de 516 casos únicos (espécie x local de ação) de ervas daninhas resistentes a herbicidas. Ervas daninhas resistentes a herbicidas foram relatadas em 94 safras em 71 países.

Cuidados recomendados

O HRAC-BR ainda cita algumas medidas que podem ser tomadas pelos produtores para evitar a resistência:

- Uso correto do sistema integrado de manejo de controle de plantas daninhas; 
- Adoção de sementes certificadas e nacionais, não somente de culturas como milho, soja e arroz, mas também de forrageiras de inverno, de forma a evitar o ingresso de plantas daninhas nas áreas agrícolas; 
- Limpeza dos maquinários utilizados na semeadura e colheita das áreas do Rio Grande do Sul que transitam para outras áreas e, ou outros estados; 
- Redobrar atenção para áreas com falha de controle, priorizando a eliminação das plantas daninhas sobreviventes, seja manual e, ou através do uso de herbicidas de mecanismo de ação alternativos, fazendo-se da adoção da rotação dos diferentes mecanismos de ação; 
- Uso correto de tecnologias de aplicação, bem como o uso dos diversos mecanismos de ação para os herbicidas, em pré e pós emergência, nos corretos momentos e de acordo com sua recomendação
 


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