Casos de gripe ainda vão aumentar no Brasil, diz especialista

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Casos de gripe ainda vão aumentar no Brasil, diz especialista

Casos de gripe ainda vão aumentar no Brasil, diz especialista
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Segundo infectologista, sistema de saúde no país é irregular e nem todas as localidades estão preparadas para lidar com a pandemia

A gripe suína já circula de forma livre no Brasil, segundo estudos apresentados pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante a semana. Isto é, o contágio não é mais feito apenas por pessoas que saem do território nacional, ele já é feito internamente.

O país é o oitavo do mundo a entrar para a lista de regiões com transmissão sustentada, depois de Estados Unidos, México, Canadá, Chile, Argentina, Austrália e Reino Unido. Só na quinta-feira passada (17) foram anunciados sete novas mortes pelo vírus H1N1 no Brasil, elevando o total para 11 óbitos.

Para explicar em que estágio está a pandemia e onde o Brasil se coloca nessa situação, a Abril.com conversou com a infectologista Nancy Bellei, especialista em influenza da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A epidemia da gripe suína é grave? É possível que o governo tenha que decretar estado de emergência em algum momento em consequência da doença, como aconteceu na Argentina?
Nancy Bellei: A epidemia está começando aqui. O Brasil tem uma diversidade regional muito grande e é diferente da Argentina, onde o clima é mais estável e está fazendo frio em todas as regiões do país. Lá também é mais concentrado, é menor.

Aqui é possível que algumas regiões tenham mais casos e outras menos. Também depende muito se o sistema de saúde vai dar conta dos casos da gripe ou não. Vamos observar ao longo do tempo quando o número de casos aumentar. E ele vai aumentar consideravelmente.

A média de mortos em relação ao número de casos é de 0,4%, segundo dados da OMS. Qual é a análise que se pode fazer dessa estatística? Pode ser o número aumente?
Esse número é muito alto ainda, muito mais alto que a gripe comum. Em anos quando temos grandes mudanças do vírus da gripe comum, o índice pode chegar a 0,01%. Em anos em que o vírus não muda muito, dá 0,001%.

Então, estamos lidando com uma situação de 10 a 40 vezes mais [com o H1N1] do que a gripe comum, que ainda apresenta uma estatística alta de mortes. A OMS (Organização Mundial da Saúde) decidiu parar de contar os casos de pessoas contaminadas pela gripe suína, porque a transmissão é muito grande, e provavelmente nem vamos saber exatamente a mortalidade.

O sistema brasileiro está preparado para conseguir lidar com essa epidemia?
Isso é muito irregular no Brasil. Alguns lugares estão preparados para ter controle de casos graves, mas em outros lugares, as últimas ocorrências mostraram que o sistema de saúde está muito falho.

Qual seria um bom lugar para a pessoa contaminada pelo vírus da gripe suína se dirigir quando souber que tem a doença?
Isso é muito difícil de responder. Se essa pessoa tem convênio, ela tem acesso a hospitais melhores. Se ela não tem, deve procurar qualquer profissional de saúde para saber se ela está em uma situação de risco. Em São Paulo, tem o Hospital Emilio Ribas e o Hospital São Paulo.

A volta às aulas em agosto pode aumentar o contágio e espalhar ainda mais a doença?
Com certeza o número de casos vai aumentar, porque as crianças e os jovens são muito afetivos e, muitas vezes, não seguem padrões de higiene importantes, então acho que vai aumentar sim.

O que mais pode agravar a situação, aumentar o contágio?
A transmissão pode aumentar quando o clima fica mais frio ou quando se tem uma aglomeração [de pessoas], o que acontece nas grandes cidades. Outra coisa que pode agravar é se a população estiver desinformada. Se as pessoas não souberem o que está acontecendo, podem se contaminar mais.

E quais são as formas de evitar a gripe suína? O que fazer depois que notar sintomas da doença?
Para evitar, uma das coisas mais importantes é manter uma distância de um metro de quem tosse ou espirra. Se você tiver contato com uma dessas pessoas, deve lavar as mãos e observar se apresenta algum sintoma. No ambiente público, onde você não sabe quem pode ser infectado, deve evitar tocar a face, o nariz, a boca.

E quando entrar em casa, deve-se lavar as mãos. No ambiente de trabalho, após tocar maçanetas ou corrimão, evitar colocar a mão principalmente nas mucosas do corpo. Se você sentir sintomas de gripe ou falta de ar, a recomendação é procurar precocemente um serviço de saúde público ou privado.

Qual é a principal causa da morte, após contrair a doença?
Pneumonia causada pelo vírus ou pneumonia bacteriana.

A vacina vai dar certo? Quando deve sair? Estará disponível para todos?
Alguma vacina vai dar certo e ficará disponível comercialmente, só que cada país vai ter uma política de importação da vacina, produção ou há quem nem queira comprar. Temos que esperar para saber o que o ministério vai fazer.

Várias indústrias podem ter vacinas para vender, mas se a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não registrar esses produtos, não podemos comprar. E eles irão dizer quem é prioridade na vacinação. A expectativa é que a vacina fique pronta até outubro.

Quem são os grupos priorotários, já que nem todos terão acesso?
Houve algumas sugestões de grupos pela OMS como profissionais de saúde, crianças muito pequenas, pacientes de grupos de alto risco. Não sabemos se o ministério vai seguir essa orientação.
O que o governo poderia fazer para tentar controlar a epidemia?
Meu entendimento é de que as situações deveriam ser regionalizadas. Locais onde existe uma transmissão maior, tomar um tipo de atitude e, onde a transmissão é menor, outro tipo de atitude. Isso seria interessante. Ou medicar todo mundo em certo local ou só casos graves em outros. Também poderia fazer profilaxia de profissionais de saúde. Imagino que o ministério deveria descentralizar essas intervenções.


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