Castigada pelas geadas de 1975, Itambé/PR reencontra prosperidade na soja e no milho

Agronegócio

Castigada pelas geadas de 1975, Itambé/PR reencontra prosperidade na soja e no milho

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Com 90% de seus moradores fixados na área urbana, Itambé (a 42 quilômetros de Maringá) tem uma das menores populações da região de Maringá, cerca de 6 mil pessoas, e sua área rural, na maior parte formada por grandes propriedades com soja e milho. Mas, nem sempre foi assim: no início dos anos 70, na febre da cafeicultura, Itambé chegou a ter 30 mil moradores, com mais de 80% morando na zona rural, geralmente em propriedades que iam de dois a cinco hectares.

“A geada de 1975 mudou radicalmente a vida de Itambé”, lembra o produtor rural Dair Gregoletto, que chegou à região ainda na década de 50 e nunca deixou de trabalhar com agricultura. Dair e mais cinco irmãos eram pequenos quando seu pai, Kuinto, comprou uma propriedade na nascente Itambé e de lá para cá viveu todas as fases da agricultura.

Hoje, ele e os irmãos, os filhos e netos continuam trabalhando na mesma propriedade comprada por Kuinto. “Tudo girava em torno da cafeicultura, até as poucas famílias que moravam na cidade viviam de atividades relacionadas ao café, mas tudo mudou de um dia para o outro”, lembra. A geada de julho de 1975 queimou o cafezal, os proprietários se desesperaram, os trabalhadores mudaram para as cidades, os agricultores que tinham dinheiro chegaram comprando as pequenas propriedades para formar grandes fazendas e assim plantar soja.

Como a área rural de Itambé é propícia para a mecanização, os milhares de trabalhadores da agricultura foram trocados por tratores e colheitadeiras na medida em que os cafezais deram lugar à soja, que chegou com grande força por ser, desde aquela época, moeda forte e garantida na política de exportação.

Hoje, os filhos de Kuinto também plantam soja, têm alguns equipamentos próprios e, na colheita, terceirizam colheitadeiras. “Como nossa terra não chega a ser grande, não compensa gastar tanto dinheiro em um equipamento tão caro”, diz Dair.

“A soja e o milho safrinha estão dando uma nova vida a Itambé”, diz o engenheiro agrônomo Diogo Aparecido Grigoleto, filho de Dair e diretor do Departamento de Agricultura e Meio Ambiente da prefeitura. “Demorou para o município se adaptar à nova realidade, mas já encontrou seu caminho ao deixar de depender somente do campo”.

Hoje, o município conta com pequenas indústrias e o comércio tem vida própria. Mas o agronegócio ainda é a principal atividade econômica do município e representa 80% do Produto Interno Bruto (PIB). “A soja domina, ocupando 16 mil dos cerca de 18 mil hectares agricultáveis, mas já tem agricultor se dedicando ao trigo, café, frangos e hortaliças”, diz o responsável pelo Departamento de Agricultura.

O produtor João Bortolasso, de 54 anos, passou toda sua vida na zona rural de Itambé. Seus pais estão entre os primeiros moradores do município e assim ele viveu todas as fases da história agrícola de Itambé. Sua família também perdeu cafezais, mas se adaptou às culturas rotativas. Hoje, ele e a mulher, Edna, cultivam 140 alqueires de soja e não têm do que se arrepender. Na última safra, perderam tudo para a seca e a geada, mas os anos anteriores foram bons.

“Na agricultura, onde a gente depende da natureza, é sempre assim”, diz Edna. Tudo indica que a família vai continuar se dedicando à produção agrícola, pois os três filhos do casal Bortolasso se formaram na área de administração do agronegócio e trabalham com o pai e a mãe na agricultura.

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