CE: Mamona ainda não é viável para o biodiesel
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Agronegócio

CE: Mamona ainda não é viável para o biodiesel

Maior parte da matéria-prima da usina de biodiesel de Quixadá é importada de outros estados
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Maior parte da matéria-prima da usina de biodiesel de Quixadá é importada de outros estados

A produção de mamona no Ceará ainda não atingiu o volume necessário para que a oleaginosa se torne viável economicamente à fabricação de biodiesel no Estado. Como consequência disso, a maior parte da matéria-prima utilizada para a produzir o combustível na usina de Quixadá é importada de outros estados, segundo informou ontem o diretor de Suprimento Agrícola da Petrobras Biocombustível (PBio), Jânio Rosa.

Por enquanto, a unidade utiliza-se de soja - que não é produzida em terras cearenses - e algodão - esta com pequenas plantações por aqui. "Para produzir biodiesel, a gente tem que analisar o aspecto de disponibilidade de matéria-prima em volume adequado e respeitando as questões de economicidade, ou seja, nós temos que trabalhar para produzir biodiesel buscando a matéria-prima que tenha o custo mais baixo possível para que o combustível se torne sempre uma atividade viável", justifica Jânio. Segundo ele, a mamona, pelo menos por enquanto, sai reprovada na equação que une volume, produtividade e preço.

Sem volume

"A mamona hoje na região não tem um volume tão grande. Consequentemente, a produtividade também é muito baixa e, por consequência, não tem um preço compatível pra concorrer com a soja, por exemplo", esclarece. O diretor informa que, no mercado de São Paulo, uma tonelada de óleo de soja hoje custa em torno de R$ 2 mil. Já a mesma quantidade de óleo de mamona sai pelo preço de aproximadamente R$ 4,2 mil.

"Não tem como pegar um produto nesse preço, porque senão teria que baixar o preço para o agricultor de tal maneira que, com a produção pequena que ele tem, não seria atrativa a renda. Mas se ele produzir bem mais, ele vai ganhar bem mais se o preço cair pela metade, é a lei da oferta e da procura", esclarece Jânio. A estatal desenvolveu uma tecnologia para que de todo o biodiesel produzido nas usinas, 30% possam ser produzidos por meio da mamona.

Contudo, para que isso se torne possível, é preciso avançar na produtividade das plantações. Rosa informa que atualmente são produzidos entre 200 e 300 quilos de mamona por hectare no Ceará, enquanto que em regiões produtivas da Bahia, por exemplo, chega-se a 1000 quilos. "E o preço ainda é alto por lá", compara.

Contudo, mesmo que a mamona não esteja sendo utilizada na usina de Quixadá, o diretor lembra que agricultor parceiro da PBio continua com o contrato, recebendo assistência técnica e semente certificada para a produção, além da garantia de compra. "O que precisa ser feito é o que está sendo feito da nossa parte. Agora, os programas de desenvolvimento, o apoio do Governo do Estado, a melhoria das técnicas de manejo, de plantio, a tecnologia, isso é uma coisa contínua. A resposta de produtividade não acontece do dia pra noite, leva um tempo", afirma.

AGRICULTORES
Apesar do incentivo, cultura não pegou

O drama de agricultores envolvidos com a cultura da mamona para produção de biodiesel no Ceará foi retratada em reportagem do Diário do Nordeste de 17 de fevereiro de 2008.

A edição mostrava que apesar dos incentivos dados pelo governo, muitos agricultores cearenses não estavam dispostos a investir na oleaginosa.

Os produtores já se revelavam desinteressados por um cultivo que consideravam de baixa rentabilidade e de difícil interação com atividades econômicas tradicionais, como a pecuária e o plantio de milho.

A frustração com as experiências das décadas anteriores, o risco de contaminação do gado pelas toxinas da mamona e a incerteza quanto à garantia de compra do insumo eram apontados como os maiores empecilhos à ampliação da lavoura da oleaginosa no Estado.

Para combater a resistência cultural dos produtores, o governo garantiu a compra de toda a mamona que fosse produzida pelos agricultores cadastrados junto a uma das duas usinas instaladas no Ceará.

A reportagem já mostrava também a opinião de um estudioso da área: "a produção de mamona para abastecer o mercado de biocombustíveis não trará impacto na renda agrícola do Estado". A avaliação foi feita pelo economista Demartone Coelho Botelho, da Universidade Federal do Ceará.

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