Certificação: segurança para quem quer plantar soja não OGM
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Agronegócio

Certificação: segurança para quem quer plantar soja não OGM

Sementes passarão a ser comercializados com a garantia de Identidade Preservada
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Para especialistas, a causa da grande redução na área de plantio de soja convencional no Brasil é a dificuldade de segregação na cadeia logística, o que acentua a necessidade de certificação de toda a cadeia, a partir das sementes. A Conab – Companhia Nacional de Abastecimento – divulgou na quinta (08-12) a estimativa para a safra de grãos 2011/12. A área de plantio cresceu em torno de 1,1%, chegando aos 50,4 milhões de hectares. A soja bateu um novo recorde: 24,35 milhões de hectares, ou quase a metade da área total.

Pelas estimativas da Abrange - Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados, apenas 28% dos cultivos de soja no Brasil deverão ser de soja convencional na próxima safra, apesar do interesse cada vez maior de europeus, chineses e coreanos pela soja com “menos veneno” e algumas das maiores empresas em atuação no País, como Caramuru, AMAGGI, Sadia, Perdigão, Imcopa, Nidera e Selecta, entre outras, se posicionaram a favor de uma melhor remuneração pelo produto.
 
Segundo a Abrange, o que está acontecendo não é a falta de interesse. A maior dificuldade que os produtores estão enfrentando para expandir suas áreas de soja convencional está na falta de sementes confiáveis, uma vez que apenas Estados como PR, BA, MT, GO e RO contam com uma melhor estrutura de segregação e certificação.
 
O consultor Plínio Itamar de Souza, da ABRASEM – Associação Brasileira de Sementes e Mudas, disse que não existe nenhuma estatística, mas afirma que nos últimos 5 anos foi possível constatar uma diminuição no número de sementeiros especializados em cultivares convencionais. Mas não é só isso. Em regiões como no oeste e sudoeste paranaense, por exemplo, pequenos produtores e comerciantes do setor têm denunciado um verdadeiro boicote às sementes convencionais, exercido de forma velada por empresas maiores através da venda casada, mais conhecida como “pacotes de troca de insumos x grãos”. Nesse sistema, as sementes oferecidas junto com os fertilizantes e agroquímicos são apenas as geneticamente modificadas, sem opção.
 
Certificação
 
A preocupação com a qualidade das sementes de algumas cultivares que oferece no mercado e, também, como forma de garantir a confiabilidade do produto, levou a holandesa Nidera, gigante do setor, a buscar a certificação de seu sistema de rastreabilidade, produção e beneficiamento de sementes. O sistema foi verificado pelo IGCERT e certificado. A partir de agora os lotes passarão a ser comercializados com o selo de não transgênico e a garantia de que têm a Identidade Preservada. Presente em mais de 20 países, a Nidera comercializa mais de 1.500.000 sacas de sementes de soja por ano no Brasil e movimenta mais de 2 milhões de toneladas por ano em originação. 90% são exportados para a Europa e, principalmente, para a China, que compra 70% desse volume.
 
Para Ivan Paghi, diretor técnico da Abrange, a iniciativa da Nidera “irá criar um novo referencial na produção de sementes de soja livre de transgênicos. Mercados como a União Européia e a Ásia se mantém firmes na demanda por produtos GMO Free certificados, principalmente a lecitina e os farelos com alto teor de proteína e chegam a pagar bônus de até R$ 5,00 acima do preço de mercado para o produtor. Infelizmente, muitos sementeiros estão desistindo da atividade. Quem ficar nesse nicho deverá ser um especialista. E a produção de soja livre de transgênicos acabará sendo, também, um mercado para agricultores especialistas”.
 
Plínio Souza concorda, mas enfatiza que um aumento na área plantada com soja convencional depende unicamente da demanda do mercado. “Se houver um real crescimento no consumo por parte do mercado internacional, o setor sementeiro com certeza reagirá e voltará a produzir em alta escala para atender a essa demanda. Mas se esse mercado quer uma soja convencional de alta qualidade, ele tem que pagar um “plus” como estímulo ao produtor”.
 
Exemplo disso é um grupo de 100 pequenos produtores de soja convencional dos municípios de Capanema, Serranópolis, Matelândia e Medianeira, no sudoeste do Paraná. Eles representam apenas 5% do total da produção na região, onde 95% das propriedades cultivam transgênicos, mas em compensação, as 115 mil sacas que eles produziram na safra deste ano foram as que receberam os maiores prêmios: uma indústria processadora pagou 8% acima do valor de mercado; uma organização ligada ao plantio de soja responsável deu um bônus de 7 Euros por tonelada e um grupo de cooperativas de agricultores familiares recebeu um belo incentivo de 10% de duas outras cooperativas... européias.

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