Chuva ameaça lavouras de café, feijão e hortaliças

Agronegócio

Chuva ameaça lavouras de café, feijão e hortaliças

O café e as hortaliças podem ter quebra devido ao excesso de umidade em SP
Por: -Fabiana Batista, Cristina Rios e Téo Scalioni
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As chuvas que caem em estados agropecuários estão afetando a produção. No Paraná há quebra nas lavouras de feijão e nas hortaliças - as estimativas oficiais serão divulgadas nos próximos dias. São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso podem computar quebras se as precipitações continuarem acima da média histórica.

No País, poderá haver queda de produção também no milho, soja e algodão. A chuva que é o alento em algumas regiões do País poderá trazer prejuízo aos agricultores em outras. Segundo analistas do setor, se as precipitações continuarem acima da média haverá perda na produção - por enquanto ainda não estimada.

Uma frente fria chega em São Paulo na quinta-feira e, traz consigo fortes precipitações para o estado. No domingo, essa onda fria avança para o Norte e leva mais chuvas a outras regiões, como o Centro-Oeste. "De forma geral, as condições do clima neste verão estão bem mais satisfatórias para a agricultura brasileira do que no ano anterior", segundo avalia o meteorologista da consultoria Somar, Paulo Etchitchury.

No entanto, problemas vêm sendo identificados em algumas regiões e culturas específicas. É o caso, por exemplo, das que adotaram o ciclo precoce, como ocorre com parte da soja em Mato Grosso. Em municípios como Sapezal, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Campo Novo do Parecis, os produtores estão evitando a aplicação de dessecante na área de soja, porque não estão conseguindo colher. De acordo com o analista de soja da consultoria AgRural de Cuiabá (MT), Eduardo Godoi, o resultado é que a colheita já está atrasada nessas regiões em cerca de uma semana. Nessa época do ano, em Lucas do Rio Verde, por exemplo, o percentual de soja colhida deveria estar em 3%, mas até agora, apenas 0,5% foi retirado do campo.

Godoi pondera que, neste momento, não se pode falar em perdas. Pelo menos, não houve registro. Mas, se as precipitações persistirem por mais uma semana, os prejuízos começarão a aparecer e não só na sojicultura, mas também no cultivo de algodão. Esta é a preocupação do produtor rural Guilherme Scheffer, com propriedade em Sapezal e Campos de Júlio (MT). Por conta das constantes chuvas, o cultivo dos 14 mil hectares da fibra está atrasado. Cerca de 95% da área deveria estar cultivada, no entanto, esse percentual é de 85%. "Se continuar assim até a próxima sexta-feira, teremos que transferir essa área para a safrinha de algodão, o que é mais arriscado, por conta da seca que comumente ocorre em maio", anuncia Scheffer.

E as previsões de chuvas para Mato Grosso não estão animadoras. A frente fria chega no domingo, causando uma semana chuvosa, com precipitações diárias de 20 milímetros a 30 milímetros, segundo Etchitchury. "O sol abre apenas no outro final de semana", completa.

Em São Paulo choveu nos primeiros sete dias de janeiro, mais que o total previsto para o mês. O resultado é que há riscos de problemas na colheita do feijão de ciclo precoce da região de Itapeva e nos produtos hortícolas e frutícolas. Segundo o diretor do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas de São Paulo (Ciiagro), Orivaldo Brunini, ainda não há perdas contabilizadas, mas se as chuvas continuarem por mais uma semana, é possível que o feijão comece a apresentar brotamento.

O café também pode ser atingido em São Paulo, mas com a incidência de focos de ferrugem, devido aos altos índices de umidade, segundo Brunini. As previsões são de chuvas fortes a moderadas a partir desta quinta-feira, em São Paulo, segundo o meteorologista da Somar. Ele informou ainda que, ao contrário do que vem ocorrendo nas outras regiões do País, no Nordeste o nível de chuvas em dezembro ficou cerca de 60% abaixo da média histórica, o que pode vir a prejudicar também a sojicultura.

Apesar de não haver levantamentos numéricos, no Paraná, já se registraram perdas na lavoura de feijão, segundo Margoreth Demarchi, engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). Os técnicos do departamento iniciam essa semana um levantamento sobre os estragos no campo, que atingem principalmente produtores das regiões Centro-Sul, nos municípios de Guarapuava e Irati.

As chuvas também estão prejudicando o milho da região Oeste paranaense. Mas, por enquanto, não há indícios de prejuízos significativos, segundo Margoreth. Em Goiás, as consequências das chuvas vêm sendo as melhores possíveis, segundo informações do presidente da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Macel Caixeta. O mesmo ocorre no Rio Grande do Sul, de acordo com Dulphi Pinheiro Machado Neto, agrônomo da Emater/RS. Naquele estado, as chuvas podem até contribuir para aumentar a produtividade esperada para o milho.

Em Minas Gerais a Secretaria de Agricultura não estimou os prejuízos causados pela chuva. Mas, informou que eles ocorreram, principalmente, nas hortícolas. "O susto ainda não passou e o tamanho do estrago não está estimado. Muita trovoada ainda pode vir pela frente", diz Gilman Viana, secretário de Agricultura de Minas Gerais. A secretaria pretende ter os perdas estimadas até o final do mês. Naquele estado há prejuízos também na pecuária. Estão sendo identificadas dificuldades na captação de leite, devido às condições das estradas, que estão intransitáveis.

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