Agronegócio

Chuva derruba cotações de bois e incrementa ferrugem

As chuvas acima da média no Centro-Sul ameaça facilitar a propagação do fungo da ferrugem
Por: -Luiz Silveira
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As chuvas acima da média que estão caindo sobre o Centro-Sul do Brasil já trouxeram impacto à agropecuária do País. Na soja, o aumento da umidade nas lavouras ameaça facilitar a propagação do fungo da ferrugem asiática, que derruba a produtividade. De acordo com a Embrapa, a doença provocou perdas de cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja na safra de 2004/05, causando um prejuízo de R$ 6 bilhões, por não ter sido diagnosticada e tratada em tempo hábil.

Na pecuária de corte, a chuva atrapalhou o confinamento e fez com que os bois desse regime produtivo chegassem ao mercado juntos e antecipadamente, o que derrubou os preços. Por outro lado, as chuvas estão fazendo as pastagens crescerem com vigor antes do período normal. Com isso, os pecuaristas terão bois de pasto prontos para o abate rápido e as vacas leiteiras estão aumentando a produção.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a captação de leite nos laticínios dos sete principais estados produtores cresceu 5,12% de setembro para outubro. No ano passado, o aumento na produção entre esses meses havia sido de apenas 0,97%.

“Como os preços do leite não estão bons, só podemos concluir que a captação deu esse salto porque as chuvas fizeram crescer a produção”, conclui a pesquisadora do Cepea, Raquel Gimenes.

Superoferta de gado

Já na pecuária de corte, o primeiro impacto das chuvas que chegaram no meio do período seco foi uma superoferta do gado que estava em engorda em confinamentos. O excesso de água estraga a ração nos cochos e faz os animais engordarem menos, pois mais energia é gasta para manter a temperatura do corpo. Além disso, a chuva leva os dejetos do gado, o que pode causar problemas ambientais.

“Por isso, houve uma antecipação na oferta dos bois de confinamento, o que derrubou os preços a partir de outubro. Mais de 90% desses animais já foram vendidos”, diz o diretor executivo da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Fábio Dias. Além disso, o consultor Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, alerta que já há bois de pasto prontos para o abate, que podem manter os preços baixos. “Mas como o mercado parece apontar para uma pequena recuperação de preços, o produtor deve segurar essa oferta para evitar uma nova queda na cotação”, destaca ele.

Impacto na soja

De acordo com o pesquisador Alceu Riquetti, da unidade de soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), “a chegada das chuvas no final do terceiro trimestre na região Centro-Sul favoreceu o desenvolvimento da doença”.

Já há 28 casos de ferrugem no País. Mato Grosso e Goiás são os que apresentam o maior número de focos da doença, ocasionada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. O clima úmido é mais propício à propagação do fungo.

Em Mato Grosso, são nove os municípios afetados e em Goiás são seis, que somam nove focos.

Entretanto, para Rui Prado, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja), o atual cenário é melhor que o da safra passada. Para o executivo, essa queda se dá, basicamente, por dois motivos. “O produtor está muito mais consciente com relação ao uso dos fungicidas. Além disso, a implantação do Vazio Sanitário, que proibiu o plantio de soja na entressafra durante 90 dias em todo o estado, contribuiu para uma menor quantidade de esporos no ambiente”, diz Prado. Já Richetti aponta um outro fator para a diminuição da ferrugem no estado.

“O custo do controle químico da ferrugem nesta safra apresenta uma redução de até 41% em relação à safra do ano anterior devido ao câmbio. Com isso, o produtor pôde comprar mais”, afirma. Alguns produtos, como o Opera, da Basf, que em 2005/2006 custava 60 reais por hectare, hoje custa 46 reais, uma diferença de 23%. A empresa utiliza o Projeto Minilab, para oferecer ao produtor de soja uma ferramenta de diagnose, próxima à sua lavoura, para ajudá-lo a realizar o controle de importantes doenças foliares, como a ferrugem.

Já o Stratego, da Bayer Cropscience, que custava 55 reais por hectare na safra passada, atualmente custa 40 reais por hectare, uma variação negativa de 27,5%.

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