Chuvas deixam colheita em MT ainda mais atrasada

Agronegócio

Chuvas deixam colheita em MT ainda mais atrasada

A colheita avançou para 1,3 por cento da área, ante 6,5 por cento na mesma época da safra anterior
Por: -Por Roberto Samora
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SÃO PAULO (Reuters) - As chuvas contínuas em Mato Grosso deixam a colheita de soja ainda mais atrasada, e a situação para o produtor pode piorar nos próximos dias se as precipitações continuarem, disseram nesta sexta-feira (21) representantes de agricultores e analistas.

O atraso na colheita de soja em Mato Grosso, após um plantio tardio da safra 2010/11, já era esperado. Mas a situação começa a preocupar os produtores, especialmente porque o fenômeno climático La Niña, que fez as chuvas demorarem a chegar na época da semeadura, agora provoca precipitações diárias, de acordo com a Somar Meteorologia.

"Está um pouco mais lento que o esperado. Era esperado um atraso, mas com a chuva fica bem difícil de colher, o atraso talvez tenha ficado acima da expectativa", afirmou o superintendente do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), Otávio Celidonio.

O Imea, órgão ligado aos produtores do Estado que é maior produtor de soja do Brasil, informou nesta sexta-feira que a colheita avançou para 1,3 por cento da área, contra 0,7 por cento na semana passada e ante 6,5 por cento registrados na mesma época da safra anterior, quando o plantio teve uma área semelhante.

O Estado plantou, segundo o Imea, pouco mais de 6 milhões de hectares e espera colher 18,6 milhões de toneladas, volume que representa 27 por cento da safra esperada para o Brasil.

"São chuvas constantes", ressaltou Celidonio.

Normalmente, durante o verão, as chuvas são fortes em Mato Grosso, mas em geral ocorrem no período da tarde, permitindo que os produtores realizem os trabalhos na outra parte do dia.

Este ano, com a influência do La Niña, tem ocorrido o que produtores chamam de invernada, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, que esteve em Mato Grosso esta semana.
Com as temperaturas mais amenas em função dos dias nublados, leva mais tempo para o solo secar e permitir que as máquinas entrem nas lavouras para realizar a colheita.

"Em Sapezal, Lucas do Rio Verde e Sorriso, os produtores não conseguem entrar nas lavouras", afirmou Santos com base em informações recebidas durante sua viagem.

Nesses municípios, que concentram grandes áreas produtoras, há lavouras em estágios mais próximos de colheita --em geral, iniciam o plantio precocemente.

Segundo o Celidonio, do Imea, havia a previsão de que o Estado pudesse colher ao menos 1 milhão de toneladas em janeiro, uma previsão que agora parece difícil de ser alcançada.

"Vamos ver até a semana que vem, não dá pra brincar com o clima", disse ele.

Na safra passada, quando o plantio começou logo em meados de setembro --na temporada atual os trabalhos só ganharam força em meados de outubro--, o Mato Grosso colheu 4 milhões de toneladas em janeiro.

Mas o superintendente do Imea não vê, por ora, grande pressão altista nos preços locais em função da chuva, lembrando que já era esperado que a colheita fosse mais lenta.

SITUAÇÃO PODE PIORAR

De acordo com a Somar, a região sul do Estado já recebeu mais chuva até o momento do que a média histórica prevista para o Estado em janeiro. Na parte norte, ainda não é o caso, mas mesmo assim o volume até agora é de 244 milímetros. Veja mais em:
E as chuvas permanecerão nos próximos dias na região Centro-Oeste, segundo a Somar.

Se essa situação se prolongar durante o mês de fevereiro, aí sim o Estado teria um problema, afirmou o diretor financeiro da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), Nelson Picolli, agricultor em Sorriso, o maior município produtor de soja do Brasil.

"Só atrasou um pouco o início da colheita... Ia começar ontem a colher, e daí choveu", ressaltou Picolli, lembrando que ainda não há um problema econômico decorrente das chuvas.

"A partir de 1º de fevereiro, quando a colheita será muito grande no Estado, se o clima continuar assim poderemos ter problemas", acrescentou.

Como o plantio foi mais concentrado este ano, teme-se inclusive dificuldades logísticas porque muitos produtores estarão em colheita ao mesmo tempo, algo que pode ser agravado se o tempo mantiver o padrão da última semana.
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