Chuvas fazem preços das hortaliças subirem até 60%

Agronegócio

Chuvas fazem preços das hortaliças subirem até 60%

As folhagens são os produtos que mais sofreram impactos em suas qualidades
Por: -Daniel Popov
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O setor de hortifruti do Estado de São Paulo pode visualizar uma redução na oferta de hortaliças de até 30%, dado principalmente ao volume excessivo de chuvas. As folhagens, como o alface, almeirão ou a rúcula, entre outras, são os produtos que mais sofreram impactos em suas qualidades. Já os preços já estão entre 15% e 60% maiores. Na fruticultura, que experimentou em 2010 preços bastante atrativos ao produtor, não está sofrendo tanto com os efeitos do clima, salvo pelo cultivo de uvas que deve ter uma redução de 30% no volume ofertado neste ano.

O produtor paulista de hortaliças pode começar o ano com uma rentabilidade maior em seu negócio, isso porque as chuvas que tem castigado o estado também estão influindo na qualidade e produção de folhagens. Segundo José Robson Coringa, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Hortaliças do Ministério da Agricultura (Mapa), todo começo de ano é mais complicado para o setor pelo excesso de precipitação. Entretanto, o volume observado nestas primeiras semanas de 2011 foi considerado por ele um desastre. "O volume de chuvas está reduzindo drasticamente a nossa oferta, e a qualidade do produto está péssima. Isso é um desastre", contou.

Com isso, o presidente aposta em uma redução de até 30% na oferta de hortaliças no estado além é claro de preços mais altos ao consumidor e qualidade duvidosa de folhagens. "A quebra pode ficar muito maior podendo superar a marca de 30% de redução na oferta de hortaliças. Se a chuva continuar castigando o estado teremos uma situação mais grave com produtos ainda mais maltratados e feios, e mais caros também", afirmou Coringa.

Para o economista da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), Flávio Godas o aumento dos preços já podem ser vistos pelo consumidor, e partem desde um aumento de 15% até 60% em alguns itens. "As verduras foram bem atingidas pelas chuvas. Todo o nosso cinturão verde em São Paulo tem sofrido bastante com isso, e a qualidade dos produtos está muito ruim, alguns produtos tiveram aumento de até 60%".

As altas dos preços nos pontos de vendas podem chegar a até 300%, no caso do alface em Mogi das Cruzes, não são repasses de preços vistos na Central de Abastecimento (Ceasa), afirmou Coringa. "Muitos comerciantes se aproveitam desse momento para elevar demais os preços das hortaliças. Só que no Ceasa os preços estão pouco maiores apenas, não 300% como visto por aí", disse.

Segundo o Ceagesp, a expectativa é que, passado o período de chuvas, os preços das hortaliças voltem a patamares mais baixos, como vistos em 2010. Já para o presidente da Câmara Setorial, a tendência é de preços mais altos ao consumidor, por conta da baixa oferta prevista.

Frutas

O setor de fruticultura produziu 43,5 milhões de toneladas no ano passado, ante as 42 milhões de toneladas de 2009, espera ampliar a sua produção em 3,5%, e fechar 2011 com 45 milhões de toneladas. Tão logo, a expectativa é de preços mais atrativos ao consumidor ao longo do ano. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva, os preços das frutas estavam mais altos em 2010, dado ao consumo aquecido do mercado interno e externo. "A laranja influenciou o mercado de frutas brasileiro, puxando os preços para o alto. Entretanto neste ano a tendência é de baixa, já que a produção deve aumentar", contou.

Já nas exportações em 2010 o volume comercializado foi menor do que os patamares vistos em 2009, fechando com 759 mil toneladas, ante os 780 mil toneladas do ano anterior. Entretanto a receita cresceu 9% nesse período, saltando de US$ 559 mil de 2009, para US$ 609 mil no ano passado. "Prevemos um incremento de 10% no volume de exportações este ano, e de 15% na receita das vendas para o exterior. Esse é o caminho para recuperarmos os índices vistos em 2008" comentou Moacyr Saraiva.

Em relação às chuvas, Saraiva afirmou que o setor pouco sofre com isso, por não concentrar o cultivo de determinadas culturas em apenas um estado. Esse é o caso da uva niagra, que com as chuvas no estado paulista deve ter uma redução de até 30% em sua oferta. "Apesar dessa redução esperada no estado, outros estados também a produzem, e isso minimiza os danos", finalizou.

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