Cientista apresenta, em Praga, nova proposta de rota para obtenção de etanol 2G

Agronegócio

Cientista apresenta, em Praga, nova proposta de rota para obtenção de etanol 2G

Segundo Cristiane, a obtenção do etanol a partir de materiais lignocelulósicos ainda apresenta alguns obstáculos
Por:
1138 acessos

Segundo Cristiane, a obtenção do etanol a partir de materiais lignocelulósicos ainda apresenta alguns obstáculos

A pesquisadora Cristiane Sanchez Farinas vai apresentar em Praga, capital da República Checa, um estudo que propõe uma rota simplificada para a obtenção de etanol de segunda geração, mais rápido e menos oneroso. A pesquisa é um dos trabalhos que a cientista vai expor no 22º Congresso Internacional de Engenharia Química (CHISA 2016), que será realizado de 27 a 31 de agosto.

Apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) com recursos de cerca de R$ 300 mil, o estudo resultou em um coquetel enzimático mais eficiente na sacarificação de biomassa lignocelulósica e produção de etanol ao experimentar o cultivo misto de dois fungos, o Trichoderma reesei eArpergillus oryzae. O processo demonstrou uma diferença significativa em termos de glicose liberada durante a reação de hidrólise quando comparado ao cultivo individual de fungos.

"Os níveis de glicose liberados na hidrólise do bagaço de cana-de-açúcar utilizando o coquetel enzimático, obtido a partir do cultivo misto, resultaram em um ganho de cerca de 50%, comparado com o melhor cultivo individual, que foi com o fungo Arpergillus niger", afirma a pesquisadora.

Para o processo de conversão de biomassa a etanol, a pesquisa usou enzimas produzidas in-house, na hidrólise, em vez de comerciais. Ou seja, foram usadas enzimas do meio fermentado integral de fungos filamentosos cultivados por fermentação em estado sólido (FES).

De acordo com a pesquisadora, foram avaliadas a seleção e validação das condições de cultivo para maximizar a produção de enzimas usando diretamente o bagaço de cana-de-açúcar pré-tratado por explosão a vapor (BEX) como substrato da FES por diferentes fungos cultivados de forma isolada e em co-cultivo, incluindo o estudo da utilização de farelo de trigo e lactose como indutores na produção de enzimas.

Cristiane explica que ao utilizar o meio integral da FES é possível eliminar até três etapas do processo, que são a extração, a filtração e a centrifugação, oferecendo vantagens em termos de redução de custos do processo, além de evitar a geração de efluentes.

"Espera-se, com este projeto, o levantamento de informações que contribuam efetivamente para gerar os avanços tecnológicos necessários para o aumento da eficiência do uso da biomassa vegetal como fonte de energia renovável", acrescenta a pesquisadora.

Segundo Cristiane, a obtenção do etanol a partir de materiais lignocelulósicos pela rota bioquímica ainda apresenta alguns obstáculos técnicos para a utilização de todo o potencial produtivo, como a recalcitrância – dificuldade de degradação da biomassa - e a inacessibilidade da biomassa lignocelulósica, o alto custo das enzimas,  além da necessidade de se encontrar microrganismos capazes de fermentar eficientemente esses açúcares.

Por isso, a rota simplificada é vista pela pesquisadora como um avanço tecnológico necessário para aumentar a eficiência do uso da biomassa vegetal como fonte de energia renovável.

Orientada por Cristiane Sanchez Farinas, a pesquisa que propõe a simplificação do processo de conversão de biomassa a etanol, por meio da integração da produção de enzimas in-house foi apresentada pela estudante de engenharia química Larissa Maehara, ao programa de pós-graduação em engenharia química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) para obtenção do título de mestrado, em 2016.

Além dessa pesquisa, Cristiane ainda vai apresentar um estudo para melhorar a solubilização de fosfato natural, utilizando a combinação de rota mecânica com biológica.

Para a pesquisadora, apresentar trabalhos em eventos internacionais é uma oportunidade de mostrar à comunidade científica o que é desenvolvido pela Embrapa, além de permitir novas colaborações e interações.

CHISA

O CHISA é um dos principais eventos da Federação Europeia de Engenharia Química. O objetivo é proporcionar aos engenheiros, cientistas, pesquisadores, técnicos, estudantes, entre outros interessados, uma plataforma para apresentação dos últimos resultados de pesquisa, um intercâmbio de ideias, oportunidades de novos contatos, além de se estabelecer como palco de novas colaborações.

Para esta edição são esperados mais de 1500 trabalhos, que devem ser apresentados por cerca de 1000 participantes. O CHISA teve início em 1962, sendo que a partir de 1972 passou a ser realizado em Praga. Paralelo ao CHISA, será realizado a 19ª Conferência sobre Integração de Processos, Modelagem e Otimização de Economia de Energia e Redução da Poluição (PRES 2016)

Atenção: Para comentar esse conteúdo é necessário ser cadastrado, faça seu cadastro gratuíto.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink