Cientistas brasileiros anunciam sequenciamento de bovinos zebuínos
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Agronegócio

Cientistas brasileiros anunciam sequenciamento de bovinos zebuínos

Trabalho foi primeiro desse porte feito 100% no País
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Trabalho vai beneficiar produção de leite e foi primeiro desse porte feito 100% no País
 
Um grupo de cientistas brasileiros anunciou na última sexta-feira (4) o sequenciamento genético de duas raças de gado leiteiro, durante a 78ª ExpoZebu, em Uberaba (MG). Pela primeira vez, 100% do sequenciamento de um animal desse porte foi feito exclusivamente com recursos e pesquisadores nacionais. Também se trata dos primeiros sequenciamentos de raças leiteiras zebuínas, que tem origem indiana e estão no sangue de 80% do rebanho brasileiro.

O consórcio entre a Embrapa Gado de Leite, o Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu o sequenciamento das raças gir leiteiro e guzerá em um dois anos e meio. Os recursos de R$ 1,3 milhão vieram da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Os primeiros beneficiários das tecnologias que surgirão a partir dessa pesquisa serão os criadores de gado de elite. Depois, os benefícios chegarão para os produtores de leite e, por fim, aos próprios consumidores.

A partir do conhecimento do genoma, os pesquisadores agora estão trabalhando para relacionar conjuntos de genes a determinadas características dos animais. Assim, uma análise laboratorial vai poder indicar ainda quando o animal for jovem se ele terá alto potencial de produção de leite, tolerância ou suscetibilidade a determinadas doenças, fertilidade.

Com essas informações, os criadores saberão quais animais deverão se tornar reprodutores (machos) ou matrizes (fêmeas) para o melhoramento do restante do rebanho. Sem o uso dessa tecnologia genética, chamada de marcadores moleculares, os criadores precisam esperar até a idade adulta para ter real noção das características que os animais poderão ou não transmitir para as gerações seguintes.

A médio prazo, essa maior precisão na seleção vai resultar em um rebanho nacional mais produtivo e saudável. O que, por sua vez, refletirá em uma oferta de leite maior e melhor. “Apesar do cunho científico, esse projeto tem forte aplicação prática”, diz o coordenador do Centro de Excelência em Bioinformática (Cebio) da Fiocruz Minas, Guilherme Oliveira.

A estimativa dos cientistas é que a tecnologia sobre a qual trabalham hoje chegue aos produtores dentro de mais dois ou três anos, na forma de kits de análise genética. Alguns kits do gênero já estão no mercado, mas trazem testes de poucas características e têm uma precisão baixa no rebanho brasileiro, principalmente por serem baseados em marcadores moleculares de raças europeias. “Quando o genoma do primeiro bovino foi anunciado, em 2009, vimos que as raças zebuínas, predominantes no Brasil, precisariam de marcadores próprios”, conta a professora da UFMG Maria Raquel Carvalho.

A ideia, no entanto, não é gerar competição, e sim fazer com que a tecnologia chegue ao criador pelos melhores canais. “É possível que os marcadores que nós identificarmos sejam usados em kits de empresas já existentes, que englobam marcadores de diversas características diferentes”, prevê o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Marcos Vinícius Barbosa.

Avanço científico
Além dos benefícios que esse trabalho trará para a seleção e o melhoramento das espécies, a própria ciência brasileira foi beneficiada. Ao contrário de outros projetos nos quais cientistas brasileiros participaram, ou mesmo lideraram, sequenciamentos genéticos, nem todo o trabalho foi realizado localmente. “A capacidade instalada para sequenciar genomas deste tamanho não existia e agora vai permanecer no País, à disposição para outros trabalhos”, diz Raquel.

Em se tratando de espécies desenvolvidas e melhoradas no Brasil, Oliveira vê uma importância estratégica no fato de os dados não terem sido processados no exterior. “A genética desses animais é um patrimônio brasileiro, mineiro, e não podemos abrir mão dessa informação”, avalia. Os próximos passos do grupo são o mapeamento das raças sindi e girolando, também da espécie zebu.

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