TRANSPORTE FERROVIÁRIO

Cláusula de contrato gera perdas para tradings

Tradings buscam evitar cláusula que as obrigam a pagar pelo transporte mesmo sem produto em novo contrato
Por: -Leonardo Gottems
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A Bloomberg noticia que o coração agrícola do Brasil está se preparando para uma grande briga. De um lado estão traders como a Bunge e a Louis Dreyfus, que compram grãos de agricultores e transportam aos portos que podem estar a dois mil quilômetros de distância. De outro, a Rumo, única operadora de ferrovia nas linhas das principais regiões produtoras.


Os contratos de transporte da Rumo devem expirar no ano que vem. Um contrato comum geralmente tem muitas páginas, mas o conflito está em três palavras-chave: "leve ou pague". A cláusula exige que as tradings paguem pelos custos de transporte ferroviário mesmo quando não possuem carga. Há duas colheitas, quando houve uma seca no Centro-Oeste, as empresas tiveram que pagar a Rumo R$ 283 milhões de reais em nome dessa regra. Durante partes do ano passado, como as margens ficaram muito apertadas, as tradings compraram soja e milho somente para encher os trens vazios.


“Nós só não queremos estar presos a uma situação onde seremos forçados a ter margens negativos, como foi o caso para maioria da indústria no ano passado”, disse o CEO da Bunge Soren Scroder a investidores em Fevereiro. “Não há razão para isso”.

A razão da Rumo de querer a manutenção do contrato é clara. As cláusulas ajudam a estabilizar as margens da operadora de ferrovias mesmo quando a demanda caiu. “Leve ou pague é uma cláusula justa para os dois lados e deve continuar”, disse Ricardo Lewin, CFO da Rumo. A regra assegura a Rumo um retorno depois de investir R$ 7 bilhões para expandir a capacidade nacional em anos recentes, enquanto fornece serviços de transporte acessíveis. De outra forma, os traders teriam de depender de fretes de caminhão e estariam expostos aos riscos de variação de preço.  


Lewin, da Rumo, afirmou que as negociações devem ser intensificados na segunda metade de 2018.  Para André Pessoa, diretor da Agroconsult, enquanto o contrato causa perdas para os traders, ano a ano, serão beneficiados no longo prazo em função de a capacidade ferroviária está prevista para diminuir.


“Os contratos podem não ser favoráveis neste momento, mas você tem que pagar muito mais no futuro sem acesso garantido a ferrovia”, disse Pessoa na saída de um evento em São Paulo.


Os exportadores do Brasil pagam uma média de US$ 2,31 por bushel para transportar a commodity para fora do estado do Mato Grosso, mais do que o dobro do custo de uma distância similar nos Estados Unidos. Apesar disso, os custos no Brasil melhoraram em anos recentes depois de investimentos massivos em novos terminais no Norte do país.
“A flexibilidade tem um custo – todo mundo quer flexibilidade, mas é necessário calcular o custo”, disse o CEO da Rumo, Júlio Fontana Neto. “As tradings estão neuróticas em função das perdas com milho em 2016”.

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