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Clima: o entrave da safra 2023/24 de soja

Monitoramento revela impactos da falta de chuvas e das ondas de calor nas lavouras


Foto: Pixabay

O boletim de Progresso de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta um avanço no plantio da soja no Brasil, com 93,8% da área estimada já semeada. No entanto, o clima ainda preocupa em algumas regiões, com atrasos no plantio e condições desfavoráveis para o desenvolvimento das lavouras.

Em Mato Grosso, por exemplo, o plantio da soja está quase concluído, com apenas cerca de 5% da área destinada à cultura ainda pendente, principalmente em solos mais arenosos e áreas de replantio. A variação nas condições de desenvolvimento das lavouras é notável, indo de áreas em condições ruins a outras com bom desenvolvimento, especialmente nas regiões Nordeste, Médio-Norte e Norte do estado.

No Rio Grande do Sul, o clima tem sido um aliado dos agricultores, contribuindo para o avanço significativo no plantio, sobretudo em áreas com boa drenagem. Apesar disso, algumas áreas semeadas em condições de alta umidade precisarão ser replantadas. Além disso, a região enfrenta problemas pontuais com doenças fúngicas, com relatos também observados no Paraná. No Paraná, o tempo firme tem favorecido a realização dos tratos culturais essenciais para o bom desenvolvimento das lavouras.

Em Goiás, a situação hídrica atual tem mantido as lavouras em condições de regulares a boas, um sinal positivo para a produção. Já em Mato Grosso do Sul, as lavouras apresentam um bom desenvolvimento e estão se recuperando dos déficits hídricos e das altas temperaturas anteriormente registradas. No entanto, há uma preocupação com a ocorrência de pragas, como o percevejo, demandando atenção e medidas fitossanitárias adequadas.

Minas Gerais mostra um panorama diferente, com o plantio progredindo lentamente devido à irregularidade das chuvas, especialmente na região Noroeste. As altas temperaturas têm acarretado um encurtamento do ciclo da cultura e o abortamento de flores e vagens, afetando a produtividade. Situação semelhante é observada na Bahia, onde a irregularidade das chuvas não só atrasou o plantio, mas também levou a um replantio superior a 10% da área.

No Tocantins, o estresse hídrico tem impactado negativamente as lavouras, com abortamento de flores e redução do potencial produtivo em algumas áreas. Maranhão e Piauí também enfrentam desafios, com baixas precipitações provocando redução de estande e necessidade de replantio em várias áreas, e o plantio seguindo um ritmo lento no Piauí, dependente da ocorrência de chuvas.

"Com a safra da soja praticamente finalizada no país, os destaques vão para as lavouras que estão passando pela floração. A safra 2023/24, vem sendo marcada pelas temperaturas muito acima da média, o que representa um risco para o potencial produtivo das lavouras de soja, uma vez que condições extremas podem abortar a fecundação das plantas. Porém, a média do avanço da semeadura nos 12 estados monitorados, saiu de 89.9% para 94.6% em uma semana, indicando um ritmo acelerado de plantio, mas ainda ligeiramente atrasado em comparação com o ano anterior", conforme analisa o meteorologista do Agrolink, Gabriel Rodrigues.

Em Tocantins, houve um avanço de 10% em uma semana, passando de 75% para 85%, indicando um progresso considerável, mas ainda está atrasado em relação à safra anterior. 

Maranhão também mostra um ligeiro avanço, de 4%, passando de 50% para 54%, mantendo-se atrasado em comparação com o ano passado. 

Piauí registrou um aumento mais robusto, de 12%, saindo de 68% para 80%, mas ainda está atrás do ano anterior. A Bahia teve um incremento de 10%, passando de 75% para 85%, mas segue atrasada em comparação com a safra passada.

Em Mato Grosso, o progresso foi menor, com um aumento de 0.3%, atingindo 99.6%, mantendo-se praticamente alinhado ao ritmo da safra anterior. Mato Grosso do Sul registrou um crescimento similar de 0.6%, alcançando 99.6%, e está quase em paridade com o ano passado.

Goiás apresentou um aumento de 4%, chegando a 97%, mas ainda ligeiramente atrás da safra anterior. 
Minas Gerais teve um avanço de 7%, alcançando 96%, mas ainda está um pouco atrasado em relação ao ano passado. 

São Paulo e Paraná mantiveram 100% do progresso, alinhados com a safra anterior. Santa Catarina teve um aumento de 5%, chegando a 95%, mas ainda está um pouco atrasada em comparação com o ano passado. Rio Grande do Sul mostrou um significativo avanço de 15%, passando de 74% para 89%, mas ainda está atrasado em relação à safra passada.
 

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