Clima afetará geografia do campo brasileiro
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Agronegócio

Clima afetará geografia do campo brasileiro

De acordo com a pesquisa, além da mudança na geografia do campo, o Brasil perderá R$ 6,7 bilhões em 2020, com a redução de áreas hoje cultiváveis
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Em pouco mais de uma década, o Brasil terá um novo mapa de produção agrícola. O Rio Grande do Sul, cuja vocação é para grãos, poderá plantar café; enquanto a Bahia que expande as lavouras de soja e algodão, só cultivará plantas nativas, exceto se investir na irrigação. O cenário, pessimista para os produtores, foi traçado Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Universidade de Campinas (Unicamp).


O estudo considera o impacto do aquecimento global na agricultura brasileira em 2020. De acordo com a pesquisa, além da mudança na geografia do campo, o Brasil perderá R$ 6,7 bilhões em 2020, com a redução de áreas hoje cultiváveis - excluindo-se as lavouras de cana-de-açúcar e mandioca - em um cenário mais otimista, com aumento de 1,5ºC a 2º C em 30 anos - de 1990 a 2020 - a área da soja cairá 21,6%, o que provocará um prejuízo de R$ 3,9 bilhões. O cálculo da perda é baseado no valor bruto da produção do Brasil em 2006. O café será o segundo produto mais afetado: recuo de 6,7% na área, somando uma perda de R$ 600 milhões.

Segundo o estudo, a soja intensificará a transferência do plantio do Sul - que hoje tem 33% da produção - para o Centro-Oeste - atualmente com 48% da colheita. Esta região será o celeiro do País e também vai incorporar parte da cana-de-açúcar e do algodão oriundos do Nordeste. "O algodão possui grande importância para a economia nordestina. Para contornar essa situação poderão ser ampliadas as culturas típicas de regiões áridas como a palma forrageira e a serigüela", exemplifica Hilton Silveira Pinto, diretor associado do Cepagri/Unicamp e um dos coordenadores da pesquisa. Ele observou que a irrigação e o melhoramento genético podem minimizar esse impacto, gerando variedades mais resistentes à falta de água.


O café vai predominar em locais montanhosos e só será viável no Nordeste de São Paulo e Sul de Minas Gerais, além do Paraná - regiões que já cultivam o produto. Por sua vez, segundo Silveira Pinto, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul poderão vir a plantar café. De acordo com o pesquisador, com a menor incidência de geadas no Sul, a região absorverá não só a produção de café como também a de cana-de-açúcar.

Silveira Pinto explica que o Norte e o Nordeste do País serão as regiões mais afetadas pelo aquecimento global pois o calor aumenta a transpiração da planta e exige um maior consumo de água, que faz secar o solo. Ele diz que as estiagens serão mais extensas nestas regiões e também no Sul. "Isso poderá trazer algum problema para o milho safrinha em locais como o Norte do Paraná. Como o grão suporta no máximo 15 dias de seca, a estiagem pode prejudicar".


O pesquisador ressaltou que a situação pode se agravar com queimadas e desmatamento. "Se conseguíssemos acabar com a queimada, o País cairia da 4ª para a 10ª oitava posição entre os maiores poluidores do planeta". Com isso e o uso dos combustíveis vegetais a expectativa é que a temperatura suba 2,5° C e não os 4° C esperados até 2100.

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