Clima e câmbio são temores dos produtores de soja nesta safra em Mato Grosso

Agronegócio

Clima e câmbio são temores dos produtores de soja nesta safra em Mato Grosso

Em Mato Grosso, há produtores que ainda não começaram a semeadura da soja
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Em Mato Grosso, há produtores que ainda não começaram a semeadura da soja

“A lavoura é estressante. É instável. É o ano todo olhando para o clima e para o câmbio”. A colocação é do produtor de Nova Mutum, Luiz Alberto Batista, ao endossar o coro dos demais agricultores mato-grossense de que o clima e o câmbio são os principais temores da indústria a céu aberto que é o campo. O receio é principalmente em decorrência ao stress hídrico sofrido na safra 2015/2016 e picos do dólar a R$ 4, o que auxiliou para encarecer o custo de produção do ciclo 2016/2017 que passa dos R$ 3 mil o hectare. 

Em Mato Grosso, há produtores que ainda não começaram a semeadura da soja, pois a água da chuva ou não chegou às lavouras ou ainda é insuficiente. Em alguns municípios os trabalhos foram paralisados a partir do momento em que a chuva cessou. Ao mesmo tempo em que estão de olho em São Pedro os agricultores observam o câmbio, que hoje está em R$ 3,15. Uma possível ausência da chuva ou excesso dela e o dólar abaixo de R$ 3 poderiam significar aos produtores prejuízos significativos.

“Hoje em dia, o produtor tem que estar com um olho na plantadeira soltando a semente e outro olho na previsão climática. Tem que estar de olho, ainda, na qualidade da semente, nos preços do mercado interno e externo e ainda fazer acompanhamento das pragas e doenças”, pontua o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Nery Ribas. 

Ribas afirma, em entrevista ao Agro Olhar, que “tudo isso é preocupação, é o temor. É a vida do produtor” e que a lavoura “é uma indústria a céu aberto onde o produtor deve ser acompanhado por especialistas para troca de experiências, troca de informação e tomada de decisões”.

O produtor Claudio Bortolo, em Nobres, semeará nesta safra 450 hectares, a mesma área do ciclo passado. Ele não nega que seus maiores temores são o clima e a câmbio. “Para o pequeno produtor é ainda mais complicado”, pontua. 

A possibilidade de um replantio hoje por falta de chuva, segundo o produtor de Nova Mutum, Luiz Alberto Batista, significaria um prejuízo de aproximadamente R$ 300 apenas com semente. Este é o valor de uma saca de 40 quilos. Ele revela que são necessários em torno de 50 quilos de sementes para semear um hectare. Já o excesso da chuva, comenta o produtor Clayrton Pavlack, também de Nova Mutum, é o temor na hora da colheita, pois a presença de soja ardida na lavoura pode significar descontos ao produtor, ou seja, receberá menos pelo produto.

Câmbio

O produtor que vendeu soja no mercado futuro em real não deverá ter prejuízos, de acordo com os produtores de Nova Mutum, Jefferson Castilho Bergamasco e Andrey Costa Beber. Segundo eles, uma retração na moeda norte-americana tem vantagens e desvantagens.

A principal vantagem com o dólar em alta é a maior remuneração do produtor. Em contrapartida, significa também insumos nas alturas, mais precisamente os fertilizantes e defensivos, como pontua Andrey Costa Beber. Ele comenta que 40% da produção já foi comercializada, das quais 25% para quitar custeio (financiamento). O restante da produção já vendida foi para aproveitar os bons preços tanto em real, onde vendeu entre R$ 62 e R$ 76, e em dólar. “A única vantagem caso o dólar caia é quanto aos insumos que ficarão mais baratos. A desvantagem é a baixa remuneração”.

Hoje, o câmbio está em R$ 3,15. Jefferson Castilho Bergamasco comercializou 50% da sua produção em real e o restante deverá vender em dólar, uma vez que as tradings pagam na moeda dos Estados Unidos. “Para quem vendeu em real não haverá prejuízo caso o dólar caia”.

Os temores dos produtores foram ouvidos pela reportagem do Agro Olhar durante o Circuito Tecnológico Aprosoja - Etapa Soja, que percorrerá até a próxima semana em torno de 500 propriedades com produção de soja em Mato Grosso. A reportagem acompanhou uma das oito equipes que estão na estrada nos dias 17 e 18 de outubro nos municípios de Nova Mutum, Nobres e Lucas do Rio Verde a convite da Aprosoja.

O Circuito Tecnológico está fazendo um raio-x da produção de soja em Mato Grosso buscando anseios e temores dos produtores. Durante as visitas é aplicado um questionário e coletadas amostras de sementes para análises.


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