Clima e preço antecipam venda de grãos no Paraná
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Agronegócio

Clima e preço antecipam venda de grãos no Paraná

Cerca de 30% da soja e 10% do milho já estão vendidos
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Cerca de 30% da soja e 10% do milho que ainda serão plantados no Paraná na safra 2012/13 já estão vendidos. O produtor paranaense está aproveitando as altas cotações no mercado internacional para garantir o preço e proteger parte da produção. A movimentação foi constatada pela pesquisa de campo realizada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. O relatório mensal de acompanhamento da safra de grãos foi divulgado nesta sexta-feira (28).

O relatório contém ajustes que elevam a expectativa de produção de grãos no Estado, em relação à estimativa divulgada no inicio do mês. Segundo o diretor do Deral, Francisco Simioni, as preocupações com o clima foram afastadas com as chuvas do fim de semana, que permitiram a retomada, de forma intensa, do plantio de milho e feijão em todo o Estado.

Segundo Simioni, as atenções se voltam agora para a reta final da colheita da safra de trigo, cuja qualidade e preços em alta no mercado animam o produtor paranaense, após cerca de cinco anos de frustração de safra, ora por causa do clima ora por causa de preços desestimulantes.

Com o retorno da corrente El Niño, prevista pelos principais institutos de meteorologia do País, a expectativa para a safra de grãos de verão 2012/13 é de aumento na produtividade dos principais grãos cultivados no Paraná. A previsão aponta para retomada da regularidade do clima, com elevação de chuvas na primavera e verão, favorecendo a produtividade das lavouras.

PESQUISA – A pesquisa do Deral informa que a previsão para a produção de grãos de verão da safra 2012/13 foi reajustada para 22,62 milhões de toneladas de grãos este mês, 240 mil toneladas a mais que a estimativa feita no mês passado, de 22,38 milhões de toneladas.

O ajuste ocorreu com o aumento da intenção do produtor paranaense em plantar mais soja. “O plantio no Paraná iniciou no último dia 21 e acontece até o final do ano, podendo ter vários ajustes até lá”, explica o economista do Deral Marcelo Garrido, chefe da Divisão de Conjuntura Agropecuária do Deral. Cerca de 3% da área prevista já foi plantada. O leve avanço no plantio da soja está ocorrendo sobre áreas antes previstas para o milho e feijão.

A expectativa de produção da soja passou de 14,99 milhões de toneladas estimadas no mês passado para 15,14 milhões de toneladas, com a intenção do produtor em avançar em pelo menos mais 20 mil hectares na área plantada. A estimativa atual prevê ocupação de 4,58 milhões de hectares contra 4,56 milhões de hectares previstos anteriormente, embora mantendo um aumento de 4% na área total plantada com soja no Estado em relação à safra plantada no ano passado.

MILHO - O plantio de milho já alcançou 26% da área prevista que é de 847.300 hectares, a menor área já plantada com milho nessa época do ano no Estado, que nesta safra está recuando em torno de 13% em relação à safra passada. Na pesquisa anterior, previa-se plantar 851.910 hectares. Segundo a engenheira agrônoma do Deral, Juliana Tieme Yagushi, a tendência nesta primeira safra é da permanência dos produtores de milho que usam um grau maior de tecnologia.

Segundo a técnica, esses produtores estão de olho no cenário internacional, que tende a se manter com preços sustentados para o grão diante da queda dos estoques internacionais e escassez de oferta em função da seca que aconteceu nos Estados Unidos que dizimou parte da produção. A previsão é que o Brasil se torne o terceiro maior exportador de milho do mundo, na safra 2012/13.

Apesar da retomada do plantio, ele está atrasado em relação a anos anteriores, em consequência da falta de chuvas no mês passado. Conforme o levantamento do Deral, na média dos últimos três anos, o plantio já tinha acontecido em 33% da área estimada e este ano o plantio está em 26% da área prevista. A produção está estimada em 6,9 milhões de toneladas, que corresponde a um aumento de 5% sobre a produção em igual período do ano passado quando foram colhidas 6,6 milhões de toneladas.

FEIJÃO – O feijão da primeira safra é outra cultura que está com o plantio atrasado. Na média dos últimos três anos já tinha ocorrido em cerca de 35% da área prevista e este ano avançou sobre 18% apenas. A área plantada este ano, estimada em 216.579 hectares também é 13% inferior à safra em igual período do ano passado que atingiu 247.569 hectares.

Já a produção deve alcançar 381.691 toneladas, um aumento de 9% sobre a produção do ano passado que totalizou 350.248 toneladas. “O aumento de produção está sendo previsto em função da expectativa de aumento de produtividade das lavouras”, disse o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Salvador.

Os preços do feijão também devem se manter sustentados no mercado diante do quadro de escassez de oferta do grão no mercado interno. “O plantio também caiu em outras regiões produtoras e a previsão é de redução de 18% na área plantada e de 22% na produção brasileira de feijão”, explicou Salvador.

TRIGO – Este ano, o Paraná plantou a menor área com trigo dos últimos 10 anos, 761.249 hectares onde se espera colher 2,13 milhões de toneladas. “O clima contribuiu com o desempenho da safra e a colheita está revelando uma produção de ótima qualidade em praticamente todo o Estado”, disse o diretor do Deral Francisco Simioni.

Após cinco anos de safras difíceis, esse é o primeiro ano que o produtor está satisfeito com a comercialização do grão. O trigo está sendo vendido entre R$ 34,00 a R$ 35,00 a saca, que remunera em cerca de 30% sobre o custo variável da cultura, ou seja, sobre o desembolso feito pelo produtor em sementes, insumos e combustíveis para o maquinário.

Simioni explica que os bons resultados com a produção e a reação dos preços no mercado, vieram numa boa hora, pois os produtores de trigo estão muito desestimulados face às sucessivas dificuldades de clima e mercado. “Esse bom momento de produção e preços para o trigo, não recupera a rentabilidade perdida nos anos anteriores, mas certamente motiva os produtores a continuarem a produzir o cereal, que é fundamental na composição dos custos da propriedade e no sistema de rotação de culturas”, explicou.

A produção de trigo e as demais culturas de inverno plantadas no Paraná como aveia, canola, centeio, cevada e triticale devem render 2.781.727 toneladas. As lavouras de inverno também estão com bom desempenho e a previsão é de qualidade dos grãos em fase de colheita.

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