Clima nos EUA mantém soja e milho sob pressão

Agronegócio

Clima nos EUA mantém soja e milho sob pressão

Analista explica que a tendência de longo prazo é de baixa para os dois grãos porque as perpectivas para a safra americana são muito boas
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O clima favorável ao desenvolvimento da safra de verão dos Estados Unidos continua pressionando as cotações da soja e do milho na Bolsa de Chicago (CBOT). Ontem, as condições climáticas praticamentes perfeitas para o desenvolvimento das lavouras renderam nova baixa para o milho, que terminou os negócios do dia cotado a US$ 3,08 o bushel (25,4 quilos), ou US$ 7,28 a saca. É o menor preço de fechamento em mais de seis meses. Em julho, o cereal já acumula queda de 11%.

A soja, apesar de ter encerrado o pregão de ontem em leve alta, também vem registrando desvalorizações consecutivas, com retração de 17% acumulada neste mês. Ontem, o primeiro contrato do grão terminou os negócios trocando de mãos a US$ 10,185 o bushel (27,2 quilos) na CBOT, o equivalente a US$ 22,47 a saca.

Steve Cachia, analista da Cerealpar, explica que a tendência de longo prazo é de baixa para os dois grãos porque as perpectivas para a safra americana são muito boas. O plantio foi encerrado no mês passado e as primeiras áreas começam a ser colhidas em setembro nos EUA. Até o início da semana, 67% das lavouras de soja e 71% das plantações de milho estavam em boas condições, conforme o USDA, o departamento de agricultura do país. “O mês decisivo para os americanos é agosto, mas não vai ser uma seca de alguns dias que vai quebrar a sasafra deles. Então o mercado se antecipa e leva os preços para baixo”, afirma Cachia.

Mercado interno

No mercado doméstico, os preços dos dois grãos acompanham a tendência baixista. Ontem, a cotação média soja paranaense foi de R$ 41,50 a saca. Em maio, esse valor era R$ 45,98 e, em junho, R$ 45,07. O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab) Otmar Hubner explica que essa gradual desvalorização é influenciada por diversos fatores. “Basicamente porque a safra americana está indo muito bem. Além disso, o estoque mundial do grão aumentou em relação ao ano passado e o dólar baixo ajuda a depreciar o produto”, enumera.

Os produtores de milho, cotado ontem em R$ 15,26 a saca no Paraná, também enfrentam problemas com o preço baixo. “Desde 07 de julho a cotação está abaixo do valor mínimo, que é de R$ 16,50”, informa a agrônoma do Deral Margorete Demarchi. Na safra 2007/08, houve uma produção recorde, na qual o Brasil colheu 58,65 milhões de toneladas, e isso se refletiu na produção deste ano. “O estoque de passagem foi muito alto. O consumo brasileiro é de 45 milhões de toneladas por ano, como já havia 11,86 milhões de toneladas estocadas, 2009 entrou com um quadro do consumo interno garantido”, diz Margorete. Apesar das substanciais perdas causadas pela estiagem, o Paraná tem potencial para produzir neste ano mais do que o mercado pode absorver: 11 milhões de toneladas. “Mas isso ainda pode mudar, porque 35% do que está no campo pode ser afetado por geadas”, aponta Demarchi.

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