Clima preocupa produtores de trigo em todo o Paraná

Agronegócio

Clima preocupa produtores de trigo em todo o Paraná

A chuva e o frio que vem se intensificando em todo o Paraná nos últimos dias está preocupando os produtores rurais
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A chuva e o frio que vem se intensificando em todo o Paraná nos últimos dias está preocupando os produtores rurais, em particular os que cultivam trigo. Por ser suscetível à umidade e geada, o produto corre o risco de sofrer algumas perdas nesse ano.

De acordo com o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Otmar Hubner, o trigo é uma planta que não gosta de tempo úmido e que precisa de um ar mais seco para se desenvolver.

"O tempo mais úmido favorece o aparecimento de doenças no trigo. Esse ano, por ter chovido mais, o trigo ficou mais vulnerável à doenças como a ferrugem e a helemintus poriose. Isso vai fazer com que a planta receba mais fungicida e encareça o custo final do trigo. Além disso, boa parte da plantação está na fase de maturação, e com mais chuva, vai atrapalhar o seu desenvolvimento. A parcela do trigo que já está próxima de ser colhida corre o risco de perder a qualidade se a chuva persistir", afirma.

Entretanto, problema maior para os produtores de trigo está no frio e formação de geada. Hubner conta que, dependendo do estado em que se encontra a plantação de trigo, a geada pode ser extremamente prejudicial.

"Com o frio que vem fazendo nas regiões oeste e sudoeste (expoentes na produção de trigo), os produtores têm demonstrado uma certa preocupação. A geada é ainda pior do que a chuva para o trigo", garante.

A opinião de Hubner é compartilhada pelo gerente técnico da Ocepar, Flávio Turra. Segundo ele, essas duas situações podem gerar algumas perdas para o trigo. "Esse frio mais intenso e a chuva contínua deixam uma ponta de inquietação. Por mais que tudo esteja controlado até o momento, é sempre bom a gente ficar atento para essas situações. Por ser um problema decorrente do tempo, não há o que o agricultor possa fazer para reverter essa conjuntura", conta.

O gerente técnico conta que a única maneira para evitar surpresas desagradáveis é escalonar o plantio. "O produtor que adotou o escalonamento tende a sofrer muito menos problemas com o que plantou tudo de uma vez. Escalonar é plantar uma determinada cultura em diversas épocas. Caso haja algum problema, o próximo plantio vai reduzir os prejuízos anteriores. Contudo, quem arriscou em fazer tudo de uma vez não tem como voltar atrás", explica.

Uma preocupação de Turra é de que chova justamente na hora de colher o trigo. De acordo com ele, isso faz com que a qualidade do produto caia bastante. "Se chover na hora da colheita, há risco de que o trigo germine.

Quando isso ocorre, esse trigo é rejeitado para a produção de alimentos, de modo que o produtor só vai encontrar utilidade para a produção de ração animal. Para efeitos de comparação, o preço da saca de trigo é de R$ 28.

Se o trigo for destinado para a ração, o preço da saca cai bastante e ele vende por aproximadamente R$ 16, quase 50% de prejuízo. Tudo bem que apenas uma parcela pequena do trigo hoje está próxima de ser colhido (normalmente as colheitas ocorrem no mês de outubro), mas ninguém quer ter prejuízo", afirma.

Apesar da apreensão toda por causa do clima, tanto o engenheiro agrônomo quanto o gerente técnico garantem que, até o momento, ainda não há registro de perdas de trigo. Eles também afirmam que não é possível prever a quantidade do estrago se o tempo continuar a não colaborar.

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