CNA cobra solução definitiva para contencioso do algodão
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Agronegócio

CNA cobra solução definitiva para contencioso do algodão

Segundo Kátia Abreu, com a nova lei americana, os subsídios darão ainda mais prejuízos ao país
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A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, cobrou uma solução definitiva, por parte dos Estados Unidos, para resolver a questão do contencioso do algodão. Os elevados subsídios concedidos pelo governo norte-americano a seus cotonicultores têm prejudicado os produtores brasileiros e causado fortes distorções no mercado internacional.

“Não precisamos ser rudes, mas não podemos ter excesso de diplomacia”, disse. Ela defendeu, também, que o Brasil busque alianças com outros países para questionar a nova lei agrícola norte-americana. “Não há qualquer explicação plausível para o atrevimento dos americanos em aprovar essa lei. Não podemos agir de forma isolada. Temos que denunciar em bloco”, justificou.

O tema foi abordado nesta quinta-feira (08.05), em audiência pública conjunta promovida pelas Comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de Relações Exteriores (CRE) do Senado. Parlamentares e representantes dos produtores e do governo   reuniram-se para debater os últimos desdobramentos do contencioso do algodão entre Brasil e EUA.

Segundo Kátia Abreu, com a nova lei americana, aprovada em fevereiro deste ano, os subsídios darão ainda mais prejuízos ao país, não apenas no caso do algodão, mas também em culturas como soja e milho. Ela advertiu que esta política vai na contramão do esforço mundial em garantir a segurança alimentar e reduzir a fome no mundo.

A presidente da CNA mostrou estudo divulgado pela entidade, em março, que aponta as perdas com o protecionismo norte-americano. O crescimento dos subsídios dos EUA será responsável por reduções nos preços mundiais estimadas em 4% no milho e no algodão, e em 3% na soja. Apenas para estas três commodities,  o apoio governamental soma US$ 64,5 bilhões.

“Eles terão estes subsídios, independentemente de ter produtividade ou não. Ninguém quer saber disso nos próximos cinco anos”, disse a senadora, em referência ao tempo de vigência da política agrícola norte-americana.

No caso da cotonicultura, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson Ferrúcio Pinesso, afirmou que a nova lei norte-americana trará mais distorções que a lei anterior. Considerando o preço de US$ 0,80 por libra/peso, o prejuízo, para os cotonicultores brasileiros, pode chegar a US$ 335 milhões/ano. Enquanto o governo ainda busca negociar com o Poder Executivo dos Estados Unidos, o setor produtivo brasileiro pede uma solução ágil, com a abertura de um novo painel de implementação na OMC.

“Os europeus abandonaram os subsídios para produtos específicos. Os americanos continuaram, de forma mais agressiva e desonesta, com nome, endereço e CPF”, concluiu a senadora.

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