CNA debate iniciativas para mulheres agregarem valor à produção agropecuária
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Imagem: Marcel Oliveira
MULHER RURAL

CNA debate iniciativas para mulheres agregarem valor à produção agropecuária

“Foram quase 900 participantes de 47 municípios em todo o país"
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O Grupo de Trabalho de Mulheres do Agro, coordenado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), se reuniu na quarta (19), por videoconferência, para debater iniciativas que podem auxiliar produtoras rurais a agregar valor aos produtos, com objetivo de gerar negócios e renda.

Durante o encontro, que contou com a participação de mais de 50 pessoas, a superintendente técnica adjunta da CNA, Natália Fernandes, ressaltou a importância da troca de experiências sobre projetos em andamento que valorizam o papel da mulher no campo, inclusive os produtos por elas produzidos.

“A reunião foi uma oportunidade de identificar os trabalhos de representatividade feminina no agro que têm gerado resultados positivos. Seja por meio de apoio institucional, financeiro ou pelas orientações quanto à forma de organização de grupos de mulheres. Podemos unir esforços e trabalhar de forma conjunta para ampliar essas iniciativas de sucesso”.

O primeiro tema da pauta foi o case de sucesso do grupo “Cafeína”, da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel). Segundo a gestora do grupo, Ana Luísa Leite, ele foi criado há mais de um ano e faz da Cocatrel a cooperativa de produtores de café com o maior número de mulheres do país, sendo 21% do total.

“Nós promovemos o empoderamento da mulher com informação, capacitação e ferramentas para que possam atuar na gestão das propriedades rurais. Infelizmente a pandemia do Covid-19 impediu a realização de cursos e treinamentos, mas o grupo de Whatsapp é atuante e as cooperadas são muito dedicadas”.

A atuação do grupo Cafeína ganhou tanta visibilidade que rendeu oportunidades de negócios no exterior. “No final do ano passado iniciamos a exportação de cafés finos e especiais produzidos apenas por mãos femininas. Inclusive, os produtos ganharam nomes de mulheres, como Aurora, Pérola, Violeta e Jasmine”.

Na reunião, a assessora da Fundação Banco do Brasil, Rosângela D’ Angelis Brandão, apresentou um projeto da entidade, em parceria com a ONU Mulheres, para promover a geração de renda e autonomia econômica, financeira e social de produtoras rurais.

“Foram quase 900 participantes de 47 municípios em todo o país. Na região Norte, por exemplo, o projeto realizou capacitações em agroecologia e gestão, além de aquisição de equipamentos e insumos para apicultura e horticultura. No Centro-Oeste, também foram adquiridos insumos, entretanto, para atividades de extrativismo, fruticultura, horticultura e apicultura”.

O analista técnico de Políticas Sociais da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, Rafael Dias, esteve no encontro e falou sobre a campanha Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), com apoio dos governos dos países da América Latina e do Caribe.

“O objetivo é construir uma plataforma regional para o intercâmbio de conhecimentos e cooperações, que aliviem a situação das mulheres rurais, indígenas e afrodescendentes dessas regiões, diante dos impactos da pandemia do coronavírus”.

A pauta também contou com uma apresentação da representante da FAO Brasil, Úrsula Zacarias, e do Representante Assistente para programa FAO Brasil, Gustavo Chianca, que falou sobre a agenda 2030 e os desafios rumo ao desenvolvimento sustentável.

“Os temas prioritários para 2020 são a digitalização e inovação na comercialização dos produtos rurais e negócio rural não-agrícola, especialmente o ligados a serviços como comércio e turismo”, disse Gustavo.

Por fim, a especialista do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Cristina Costa, destacou a atuação da entidade e o apoio a projetos de mulheres. Segundo ela, o enfoque de gênero do IICA é estratégico nas ações de cooperação técnica e considerado como um processo de construção social.

“A igualdade de gênero e oportunidades do Instituto envolve várias questões, como inclusão digital, integração do rural e urbano, agroecologia e preservação ambiental, combate à violência contra a mulher, resgate de autoestima e a valorização dos múltiplos papéis que desempenha (família, casa, produção, comercialização)”.

Os debates foram conduzidos pela coordenadora administrativa da Superintendência Técnica da CNA, Cecília Naves, que afirmou que “iniciativas voltadas para as mulheres do agro existem, e são exemplos como o do grupo Cafeína, que mostram que todo o trabalho é possível. É uma caminhada conjunta”.


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