CNA estima perda de 3% no PIB agropecuário de 2006

Agronegócio

CNA estima perda de 3% no PIB agropecuário de 2006

O PIB do setor agropecuário brasileiro atingiu R$ 148,31 bilhões em 2006
Por: -Assessoria de Imprensa
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O ano de 2006 seguramente não será lembrado com saudades pelos produtores rurais brasileiros. Foi um ano extremamente conturbado, atingido pelo ápice de uma crise de rentabilidade, que afetou o produtor tanto pelos preços como pelos custos, fazendo com que a maior parte dos produtos tenha sido comercializada com prejuízos. Para 2007, os preços internacionais das principais commodities agrícolas já dão sinais de melhora. Persistem, porém, sérios problemas para o ano que vem. Os produtores terão dificuldades para adequar suas receitas aos compromissos financeiros das prorrogações das dívidas de custeio e com fornecedores, adiadas para 2007.

O País colheu uma safra 5% maior que a anterior, apesar dos sérios problemas climáticos enfrentados no período, atingindo 120 milhões de toneladas de grãos. Quanto a pecuária, a despeito dos preços reais reduzidos, a produção continuou crescendo, mesmo que em ritmo menor. As taxas de aumento de 2% para os bovinos, 3% para leite e 6% para frango não foram suficientes para anular as perdas anuais de faturamento. As quedas generalizadas nos preços pagos aos produtores acabaram impedindo o aumento do PIB do setor para 2006, mesmo com uma pequena melhoria no volume da produção primária.

O PIB do setor agropecuário brasileiro atingiu R$ 148,31 bilhões em 2006. Comparado a 2005, quando o PIB agropecuário chegou a R$ 153,04 bilhões, houve queda de R$ 4,72 bilhões. A crise de renda que atingiu a agropecuária gerou reflexo em toda a economia brasileira. No agronegócio, representou perda de R$ 2,86 bilhões e a estagnação de um segmento econômico que vinha impulsionando o País.

O resultado deste quadro refletiu-se nas estimativas de desempenho da economia. Com crescimento estimado em 2,86% para 2006, abaixo da economia mundial e de muitos países que não têm mesmo o potencial agrícola do Brasil, a economia nacional poderia ter crescido a taxa de 3,0% se o agronegócio tivesse pelo menos mantido os mesmos valores de 2005. É o mínimo que se poderia esperar, caso as medidas reivindicadas pelo setor fossem efetivamente atendidas a tempo.

A estagnação do setor não representa somente a redução do ritmo de crescimento da economia, mas também a perda de uma oportunidade de expansão da atividade. O elevado grau de endividamento do setor contribuiu para a redução de 2,0 milhões de hectares de área plantada, em um momento em que o mercado internacional está aquecido e oferece oportunidades de avanços, a exemplo do que ocorreu em safras como a 2003/2004. Neste período, o PIB do agronegócio atingiu R$ 563,8 bilhões e o Brasil cresceu a 4,9%, o melhor desempenho desde a implantação do Plano Real.

Perspectivas 2007

No vai e vem do mercado, as perspectivas para o próximo ano, em termos de preços, são melhores que em 2006. Confrontando as estimativas de produção e as perspectivas de mercado, é possível projetar margens de rentabilidade melhores para as lavouras nesta safra. Porém, ainda muito estreitas, em média na casa dos 1,5% a 3,5%, ainda insuficientes para cobrir o endividamento do setor.

A projeção do Valor Bruto da Produção (VBP) para cereais, fibras e oleaginosas, para 2007, indica que o faturamento do segmento poderá atingir R$ 50,3 bilhões. Em 2006, o VBP de cereais, fibras e oleaginosas atingiu R$ 46,26 bilhões, sendo 14,79% inferior ao resultado de 2005, de R$ 54,29 bilhões. Em valores absolutos, essa redução atingiu R$ 8,03 bilhões.

A análise do faturamento bruto das culturas de cereais, fibras e oleaginosas, considerando a receita projetada para 2007, mostra que o segmento poderá recuperar cerca de R$ 3,78 bilhões. Restará, no entanto, um déficit de R$ 4,25 bilhões, cujo equacionamento depende da boa sorte das safras dos próximos anos.

Este saldo poderia até ser positivo se a agricultura brasileira contasse com uma política agrícola eficiente e os produtores não tivessem o saldo de R$ 20 bilhões em dívidas acumuladas. Por este motivo, o resultado da safra 2005/2006 será safra nova, ano novo e problemas antigos.

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