Cochonilha ataca palmas na Paraíba e em Pernambuco

Agronegócio

Cochonilha ataca palmas na Paraíba e em Pernambuco

Inseto ameaça as lavouras no Nordeste
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Um inseto que chegou a ser encarado como alternativa para o incremento da atividade econômica na região do semi-árido nordestino vem proliferando rapidamente nos últimos anos e destruindo lavouras de palmas forrageiras, plantas que representam importante fonte de renda e base da alimentação de rebanhos durante longos períodos de estiagem.

O pesquisador Edson Batista Lopes, da Emepa (Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba), estima em R$ 140 milhões o prejuízo causado pela ação da cochonilha (Dactylopius opuntiae) nos Estados da Paraíba e de Pernambuco. Segundo Lopes, a cochonilha consome lavouras em ao menos 32 municípios, o que perfaz cerca de 70 mil hectares dos cerca de 500 mil plantados em todo o semi-árido do Nordeste.

Nos locais atingidos pelo inseto, o diagnóstico é que, em média, 80% das plantações já estão comprometidas. A perspectiva é de aumento do prejuízo.

O inseto é uma subespécie da cochonilha-do-carmim (Dactylopius coccus), originária do México e Peru, da qual se extrai o ácido carmínico, matéria-prima natural para a produção do carmim -tintura de alto valor comercial.

Age na planta como parasita. Depois de se instalar na folha, suga a seiva da planta e inocula toxinas até secá-la, o que pode ocorrer em até 120 dias em estágio avançado de infestação, de acordo com o pesquisador da Emepa.

Importância econômica:

Espécies de cactos, as palmas forrageiras são capazes de se adaptar a condições adversas de clima e solo devido à falta de água. No Nordeste, segundo relatório da Faepe (Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco), três tipos são mais comuns: gigante, redonda e miúda.

Na região, a planta serve de alimento para rebanhos bovinos, caprinos e ovinos, principalmente em longos período de estiagem. Cotação da Emepa aponta que cada hectare de palma chega a dar retorno de até R$ 2.000 por safra.

No México, a industrialização de diversos tipos de palmas dá origem a doces, geléias e óleos para consumo humano, além de ser usada também para a produção de adesivos, colas e produtos cosméticos e farmacêuticos -sabonetes, loções, cremes umectantes, xampus, antiinflamatórios e medicamentos para hipertensão, entre outros.

Integrante do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) do governo federal e professor do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco, o médico Malaquias Batista Filho defende o processamento das palmas para consumo humano.

Na sua opinião, a planta representa uma alternativa para a fixação do homem no semi-árido e sua convivência com o regime irregular de chuvas na região.

"Os brotos de palma representam uma boa fonte de vitamina A, sob a forma de caroteno, bem superior à couve, ao repolho, ao tomate, ao chuchu e à cebolinha", afirmou, em artigo sobre a ameaça da cochonilha para as culturas de palmas no semi-árido.


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