Colheita de cana deve estar 100% mecanizada em 2017 em Piracicaba

Agronegócio

Colheita de cana deve estar 100% mecanizada em 2017 em Piracicaba

Segundo o vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, terreno irregular do município atrapalha mecanização
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Segundo o vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, terreno irregular do município atrapalha mecanização completa na cidade

A topografia de Piracicaba deve desfavorecer a implantação da colheita mecanizada da cana-de-açúcar em 100% do território da cidade até 2015. A previsão é do vice-presidente executivo da Raízen, empresa resultado da joint venture entre Shell e Cosan, Pedro Mizutani. Hoje, a média da colheita mecanizada em todo o setor canavieiro é próxima dos 60%. No quadro de usinas da Raízen, há regiões com 90% do sistema já mecanizado. Na cidade, o índice está próximo aos 70%, e só deve chegar aos 100% em 2017. Por conta disso, é provável que, em breve, a empresa lance novidades no que diz respeito à produtividade em solos como o do município. Estudo vem sendo realizado para que se desenvolva uma biomassa capaz de gerar etanol e que ocupe o espaço da cana em pontos onde o cultivo se agrava.

“É uma possibilidade que estamos trabalhando. Mas ainda está no processo inicial, estamos fazendo estudos para ver se essa alternativa é mesmo viável”, afirmou Mizutani. As mudanças atendem ao Protocolo Agroambiental – mesmo documento que abre brecha para que nem toda área da cidade tenha ainda colheita mecanizada até 2015, conforme seu terreno irregular –, que prevê a antecipação do fim da queima da palha da cana, assinado com o governo do Estado de São Paulo. As informações foram reveladas em coletiva de imprensa realizada na Usina Costa Pinto, nesta quarta-feira (01-06) pela manhã.

Para o próximo ano, segundo Mizutani, o consumidor não deve se preocupar com o aumento no preço do etanol durante a entressafra – o que aconteceu em 2011, quando o álcool nos postos de combustíveis chegou aos R$ 2. O preço do produto não deve ser tão volátil. “Na safra 2011/12, as previsões são de que iremos aumentar nossa produtividade e de que as chuvas não devem atrapalhar tanto quanto no último período. Por isso, o consumidor pode ficar mais sossegado”, disse o vice-presidente. O mix para este ano da produção da Raízen continua igual ao do ano anterior: 55% de etanol e 45% para o açúcar.

Outro ponto salientado pelo executivo é a questão da produtividade em solos da cidade, que não deve aumentar futuramente. “Em Piracicaba, temos que nos atentar às melhores condições de produtividade. Creio que não há mais espaço para que a cidade aumente suas lavouras, só sua produtividade”, observou. A Raízen aposta em outras áreas, como o oeste do Estado, e Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, para continuar expandindo sua produção.

Para esta safra, a companhia espera contar com uma moagem de cana-de-açúcar 7% maior que a safra passada. A produção prevista é de 58,1 milhões de toneladas. Na safra 2010/11, a moagem foi de 54,5 milhões. O acréscimo será sustentado pelos investimentos realizados na ampliação de moagem nas usinas da empresa. Além disso, a Raízen irá contar com o potencial extra de moagem de uma nova planta em Araraquara, adquirida no ano passado do grupo Zanin, com capacidade para moer 2,6 milhões de toneladas ao ano. As projeções de produção são de atingir os 4,4 milhões de toneladas de açúcar e chegar aos 2,2 bilhões de litros de etanol.

RAÍZEN – A empresa, maior produtora de açúcar do país, tem um faturamento anual de R$ 50 bilhões e mais de 40 mil funcionários em todas as 24 usinas que o grupo possui. Até 2015, a empresa também espera alcançar as 100 milhões de toneladas moídas e ter plantado mais de 800 mil hectares de cana – o que representa dez vezes o equivalente à região metropolitana de São Paulo. O crescimento pretende, em parte, sanar a demanda mundial que existe pelo combustível. Para suprir essa demanda, é preciso que, em um período de dez anos, haja investimentos anuais de R$ 9 bilhões, levando em conta somente o percentual que a empresa é capaz de gerar hoje. O Estado de São Paulo é responsável por 70% da produção brasileira de açúcar e 60% de etanol. Do etanol que produz, a Raízen exporta 20%, em especial para o setor industrial farmacêutico e químico.

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