Colheita de cana é novamente prejudicada pelo clima

Agronegócio

Colheita de cana é novamente prejudicada pelo clima

Os números efetivos de moagem até o final do mês de julho indicam uma moagem acumulada de 246,66 mi de t
Por: -Renata
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A exemplo do que ocorreu no mês de junho, chuvas no decorrer de julho reduziram não só o aproveitamento do tempo disponível para moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, como também o acúmulo do teor de açúcar na cana colhida. Os números efetivos de moagem até o final do mês de julho indicam uma moagem acumulada, desde o início da safra 2009/10, de 246,66 milhões de toneladas, 14,96% superior ao acumulado no mesmo período na safra anterior. Mas a moagem na segunda quinzena de julho foi 5,98% inferior ao total da mesma quinzena na safra passada, atingindo 35,9 milhões de toneladas. Essa redução na moagem da quinzena foi conseqüência da redução no aproveitamento de tempo em julho em função das chuvas. O aproveitamento em julho de 2009 foi de 81,03%, muito abaixo da média histórica ocorrida nesse mesmo mes em anos anteriores, e do aproveitamento registrado em julho de 2008, de 91,93%, ou 2,5 dias perdidos em 2008 e contra aproximadamente 6 dias em julho de 2009.

Os estados mais afetados pelas chuvas em julho foram Mato Grosso do Sul e Paraná, bem como a região de Assis, Jaú e Piracicaba do estado de São Paulo. Já nos estados de Goiás e Minas Gerais, as condições climáticas foram favoráveis à colheita. Nos demais estados, e outras regiões canavieiras de São Paulo, o aproveitamento do tempo ficou dentro da média histórica.

O maior impacto na produção foi causado pela redução na quantidade de produtos obtidos por tonelada de cana esmagada. Enquanto na segunda quinzena de julho de 2008 foram obtidos 147,54 quilos de açúcares totais recuperados (ATR), na segunda quinzena de julho deste ano a quantidade obtida foi de 137,61 kg, ou seja, 9,93 kg inferior ao da mesma quinzena da safra anterior. As chuvas favoreceram o desenvolvimento vegetativo da planta (toneladas de cana por hectare) em junho e julho, tanto nas áreas já colhidas quanto nas áreas a serem colhidas no ultimo terço da safra, porém afetaram a concentração do teor de sacarose na cana. Assim, apesar de condições favoráveis à colheita observadas na primeira quinzena de agosto, a quantidade de produto por tonelada de cana esmagada continuará baixa em conseqüência das condições climáticas de julho.

Do início da safra até o final de julho, o volume total esmagado corresponde a praticamente 45% da moagem de cana prevista pela UNICA, porém já com uma redução acumulada de produtos da ordem de 841 mil toneladas de açucares totais. Até 1o de agosto, a quantidade de produtos obtidos por tonelada de cana esmagada nesta safra está 3,41 quilos inferior ao acumulado na safra anterior. Mesmo que a partir da segunda quinzena de agosto as condições permaneçam favoráveis à concentração do teor de açúcar, a produção de açúcar e de etanol está comprometida, já com uma redução de 340 mil toneladas de açúcar e 280 milhões de litros de etanol. Há ainda a incerteza quanto às condições climáticas até o final da safra, que impactarão ainda mais o resultado final da safra caso as tendências verificadas até agora se mantenham, comprometendo portanto ainda mais o resultado da safra em termos de quantidade de produtos.

Do total de cana processada desde o início da safra, 42,69% foi direcionada à produção de açúcar, resultando volume acumulado de 12,79 milhões de toneladas, 19,25% superior ao acumulado no mesmo período da safra anterior. Somente na segunda quinzena de julho, o volume de açúcar produzido foi de 2,13 milhões de toneladas, 6,46% inferior ao produzido na mesma quinzena há um ano. As unidades mistas, que produzem açúcar e etanol, devem responder por 82% da cana processada na Região Centro-Sul. Na média, essas unidades têm direcionado 50% da matéria-prima para a produção de açúcar e 50% para o etanol. Já as unidades dedicadas à produção exclusiva de etanol, denominadas destilarias autônomas, respondem até o final de julho por 26% do etanol produzido.

A produção acumulada de etanol na atual safra é de 10,56 bilhões de litros, 7,55% superior ao acumulado no mesmo período da safra anterior, com uma produção na segunda quinzena de julho de 1,58 bilhões de litros, 16,44% inferior ao da mesma quinzena da safra. Essa produção inferior resulta da combinação na redução da moagem e na quantidade de produtos obtidos por tonelada de cana. A expectativa, é que ao final da safra, a proporção de cana destinada à produção de açúcar se mantenha no nível projetado no início do ano, em 42,5%.
Das 23 novas unidades com início de atividades (primeira moagem) previsto para a safra 2009/2010 na Região Centro-Sul, 10 unidades já apresentam volume de moagem de cana. As demais continuam com previsão de inicio de moagem ainda nessa safra.

MERCADO
O volume de etanol anidro e hidratado entregue pelas unidades produtoras da Região Centro-Sul no mês de julho superou o volume de 2,07 bilhões de litros, dos quais 1,55 bilhão foram de etanol hidratado, utilizado nos veículos flex. Esse volume de vendas deve-se à competitividade do etanol frente à gasolina em 22 estados brasileiros, resultado dos baixos níveis de preços praticados pelos produtores e do incremento mensal na frota de veículos flex.

A variação no volume do etanol hidratado entregue em julho, comparado com o mesmo mês no ano passado, aponta para um incremento de 21%. Quanto às saídas de etanol para o mercado externo, o volume atingiu 403 milhões de litros, queda de 38,7%, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Os volumes exportados indicam a manutenção das exportações do etanol hidratado (-3,6%) e uma redução significativa nas exportações do etanol anidro (-65,5%), resultado das exportações de etanol hidratado para reprocessamento no Caribe, e da não exportação de etanol anidro diretamente ao mercado americano, como ocorreu no ano passado.

O volume das exportações de açúcar registrado pela Secex em julho foi de 2,36 milhões de toneladas, 16,6% superior ao mês de julho de 2008. Do total exportado, 73% é do tipo VHP e 27% de açúcar branco (cristal e refinado). No acumulado do ano civil, janeiro a julho, o acumulado das exportações atingiu 12,68 milhões de toneladas, contra 9,33 milhões no mesmo período do ano anterior.

Podemos concluir que os fundamentos de mercado são positivos para o setor sucroenergético, com aumento das exportações de açúcar, e preços cotados em dólar muito acima da média histórica, demanda de etanol no mercado interno crescente pela competitividade do combustível renovável frente ao combustível fóssil e do crescimento da frota de veículos flex, Enquanto os preços do açúcar estão remuneradores, mais de 57% da matéria-prima processada estará direcionada para produção de etanol, e ainda convive com preços abaixo dos custos de produção. O baixo aproveitamento de tempo e a quantidade de produtos obtidos por tonelada de cana implicam em maiores custos de produção, principalmente no processamento e na colheita de cana.

Os meses de agosto e setembro, que respondem por mais de 25% da safra no melhor período de maturação da cana, é que definirão a safra 2009/10. A revisão de projeção da safra 2009 pela UNICA ainda não foi concluída. Todavia, pode-se afirmar que será uma safra com a menor quantidade de produtos obtida por tonelada de cana dos últimos 10 anos.

As informações são de assessoria de imprensa.

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