Com avanço agrícola, abate de fêmeas continua em MT
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Agronegócio

Com avanço agrícola, abate de fêmeas continua em MT

O descarte de matrizes continuará no rastro da expansão agrícola em Mato Grosso
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O descarte de matrizes continuará no rastro da expansão agrícola em Mato Grosso, segundo os pecuaristas do estado, cujo rebanho soma 28, 6 milhões de cabeças.

"O abate de fêmeas continua, e deve ser igual ao do ano passado", afirma o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari.Em 2012, quase metade (47%) do total abatido eram fêmeas.

O corte de 5,02 milhões de cabeças de gado no estado até novembro último foi marcado pela migração de pecuaristas às culturas da soja e do milho e à recria e engorda de bovinos.

O custo de produção da carne, se levado em consideração o ciclo completo do boi, elevou-se 4,2% no segundo semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, estando cotado a R$ 91,50 por arroba (quinze quilos).

O preço pago pela mesma medida oscilou entre R$ 84 e R$ 88,60 - impossibilitando, em teoria, o lucro dos criadores. "Houve uma pequena redução da lucratividade", pondera o criador Arno Schneider, de Cuiabá (MT).

Para agravar a perda de remuneração, justificando o descarte de matrizes, também o bezerro, hoje cotado a R$ 644 (pelo animal com oito meses de engorda), desvalorizou-se: o preço justo deveria superar R$ 700, segundo cálculos da Acrimat.

Êxodo

Com fazendas em três cidades, o pecuarista Olímpio Risso de Brito acredita que o abate de fêmeas levará a um "estrangulamento" da produção no futuro. No entanto, em busca de um retorno financeiro mais rápido para suas atividades rurais, ele decidiu substituir 300 hectares de pasto em que até o ano passado pisavam matrizes por um milharal.


Desse modo, ao longo de 2012, o pecuarista descartou 600 fêmeas de seu plantel, exclusivo da raça nelore - comum no Mato Grosso. Ele ainda conta com 1,2 mil matrizes.

Há anos Brito havia feito algo parecido, com a transformação de outros 700 hectares de pastagem em canaviais destinados à Usina Itamaraty. "Na agricultura, investe-se muito, mas o retorno é rápido", afirma o produtor. "Está havendo um êxodo da pecuária para a agricultura nas áreas de matrizes em Mato Grosso", observa ele.

Brito possui 6,7 mil hectares de terras em Denise, Rosário d"Oeste e Cuiabá (MT). Ele estuda empregar novamente a agricultura em 300 hectares este ano: desta vez, para reformar pasto a partir da rotação de cultura. Garante, porém, que parou com a redução de plantel.


"Acho que isso vai continuar no estado, mas, com o ciclo da pecuária, uma hora vai se estabilizar", opina o criador. "A médio prazo, vão criar fêmeas em outras áreas, embora a rentabilidade seja menor - a preferência é sempre pelo macho", acrescenta.

Crédito

Os pecuaristas de Mato Grosso, a respeito de uma alardeada queda da remuneração da atividade, reclamam da falta de crédito adequado à bovinocultura. Eles ainda sentem os reflexos da "crise de pastagem" de 2010, quando uma praga e a seca destruíram pastos sem que, depois do problema, tenha havido financiamento para resolvê-lo.


O Banco Central registra a distribuição de R$ 2,83 bilhões à pecuária, em 33,5 mil contratos, no ano passado. Um crescimento de 26% em comparação a 2011, mas considerado insuficiente. De uma demanda por R$ 840 milhões em crédito em 2012, o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-oeste (FCO) atendeu a 79,1% dos pedidos, que incluem agricultura e pecuária.

"Verba no Banco do Brasil tem sempre disponível", diz Schneider, de Cuiabá. "Pedir é que é difícil. Complicam tanto que leva um ou dois anos para sair, ou nem sai. Tem sido assim nos últimos de anos", ele lamenta.

No início deste ano, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Mendes Ribeiro Filho, prometeu tratamento diferenciado à pecuária no próximo Plano Safra 2013/2014.

"Queremos que haja um forte plano de retenção de matrizes. Serão linhas com forte carência e com prazo que vale a pena. Não adianta colocar linha de crédito que não venha a ser utilizada", salientou o representante público.

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