Com previsão de verão seco, produtores rurais gaúchos temem estiagem

Agronegócio

Com previsão de verão seco, produtores rurais gaúchos temem estiagem

Até dezembro, choveu apenas 30% do que era previsto para o mês
Por: -Aline Adolphs
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Na zona rural de Portão (RS) são cultivados cítricos, flores e hortaliças

Portão (RS) - A previsão de um verão seco, com pouca chuva nos próximos três meses, preocupa os produtores rurais gaúchos. Em Portão, eles ainda não sentiram os efeitos da estiagem deste ano, mas nem querem pensar em repetir o ano de 2008. ‘‘Foi uma estiagem forte, que nos prejudicou bastante’’, diz o produtor de frutas cítricas, Paulo Mützemberg, 41 anos, lembrando o verão em que o Rio dos Sinos chegou a 70 centímetros por falta de chuva. Na terça-feira (21), o nível do Sinos estava em 1,40 metro, mais um metro abaixo do normal, que é 2,50 metros. Segundo a MetSul Meteorologia, em janeiro a previsão é que chova mais e amenize a estiagem na região. Até agora, em dezembro, choveu apenas 30% do que era previsto para o mês.

Irrigação salva as alfaces

A concorrência é o que mais atrapalha Valdir Arend, 41 anos, que há seis produz alface de três qualidades: lisa, crespa e americana. ‘‘Até julho estava bom, mas depois muita gente resolveu começar a produzir alface. Ano passado, pelas minhas anotações, estava vendendo a dúzia (da alface americana) por R$ 6,00. Hoje está em R$ 2,50’’, diz Arend, contabilizando o prejuízo. Ele explica que as hortaliças contam com sistema de irrigação. ‘‘Se não tivesse isso, a água da chuva apenas não seria o suficiente’’, destaca. A irrigação começa pouco antes do meio-dia e segue de hora em hora até o final da tarde.

No ano passado, a grande quantidade de chuva destruiu plantações de alface, mas para Arende o prejuízo não foi grande porque ele tinha colhido boa parte da produção antes dos temporais. Recentemente, porém, uma invasão de lagartas fez com que o produtor perdesse alguns exemplares. ‘‘Quem trabalha nessa área é preciso cuidar muito da plantação, tratar com carinho’’, diz ele, que vive da agircultura desde pequeno.

Frutas que dependem da chuva

Mützemberg conta com a água da chuva para irrigar o extenso pomar de bergamotas, limão, laranja e caqui que mantém em sociedade com o sogro e os cunhados na localidade de Sertão Capivara, em Portão. No local não há açude. ‘‘Dependemos de Deus’’, diz. A época de colheita tem início em março e segue até outubro. Produtor rural há 20 anos, Mützemberg deixou o setor de calçados para se dedicar às frutas e, mesmo à mercê das mudanças climáticas, garante que valeu a pena. ‘‘O crédito para o produtor nunca esteve tão bom quanto agora’’, avalia. Ele diz que um dos piores momentos da produção ocorreu há dois anos, quando um temporal prejudicou as plantações e fez subir o preço da bergamota. Agora, com o pomar dando frutos, ele recebe turistas até da Alemanha que vêm apenas para conhecer a cultura.

Flores e sol

Portão também produz flores e folhagens. Um desafio que Regina Engel, 42 anos, assumiu há 11 anos depois que um surto de pragas ameaçou toda a plantação de bergamotas da família. ‘‘Foi a alternativa que encontrei para ganhar dinheiro. No começo foi difícil. Tinha um fusquinha azul e saí com ele de floricultura em floricultura tentando vender duas caixas de flores’’, conta ela, que agora fornece plantas para floriculturas e atacados de Porto Alegre, Novo Hamburgo e Caxias do Sul.

Com cerca de 80 tipos de folhagens, Regina diz que no verão são precisos cuidados especiais por causa do sol. As plantas são protegidas por telas e estufas. No inverno, as flores crescem menos por causa do frio. Em qualquer época, porém, a água é fundamental. ‘‘Colocamos irrigação há pouco tempo. Antes tinha que molhar com a mangueira e fazia isso das 7 às 19 horas’’, lembra a produtora, que possui vertente para dar conta de tanta planta.

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