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Comercialização de soja em Goiás chega a 60% após reação do mercado

Em meio às chuvas das últimas semanas, os trabalhos de campo prosseguem em todo o Estado de Goiás
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Em meio às chuvas das últimas semanas, os trabalhos de campo prosseguem em todo o Estado de Goiás. A colheita de soja foi concluída em cerca de 65% dos quase 3,4 milhões de hectares plantados, mas está atrasada na comparação com 2017, quando 80% das lavouras já haviam sido colhidas nesse mesmo período. Os dados são do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária Goiana (IFAG).

Em função do crescimento de 3,3% na área plantada, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO) acredita que a produção goiana da oleaginosa deve superar a marca de 11 milhões de toneladas este ano. Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra brasileira de soja em 113 milhões de toneladas.

Mesmo entregando essa grande oferta, o mercado internacional está aquecido. Assim como em outros Estados, a comercialização avançou rapidamente nas últimas semanas em Goiás. Neste momento, a Aprosoja-GO calcula que 60% da produção esperada para esta safra já foi vendida.

Um dos produtores que aproveitou a melhora do mercado para fechar negócios foi o diretor da Aprosoja-GO, Rubens Loyola. Ele, que ainda está colhendo soja em Piracanjuba, no Sul do Estado, avalia que este é um momento interessante para os produtores. Rubens fechou algumas vendas e hoje tem cerca de 40% de sua comercialização comercializada.

Ele conta que, para começar a vender, costuma partir de uma produtividade modesta, de 50 sacas por hectare, e procura chegar na colheita com 30% da produção estimada vendida. Assim, garante o pagamento de pelo menos parte dos custos. “Eu tenho feito vendas picadas, aos poucos vou travando uma pequena quantidade de soja aproveitando os momentos de mercado. À medida que a colheita vai avançando e consolidando a produtividade, eu também tenho vendido mais soja”, afirma Rubens.

Reação do mercado

A seca que está castigando as lavouras de soja na Argentina é a grande responsável pelo movimento altista no mercado. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatório afirmando que as perdas argentinas chegam a 8 milhões de toneladas sobre uma expectativa inicial de 55 milhões de toneladas.

O que também incentivou as vendas de soja no Brasil foi a recente alta do dólar em relação ao real. Dados do Banco Central brasileiro mostram que a moeda americana valorizou 2,5% entre o dia 1º de fevereiro e 7 de março, passando de R$ 3,16 para R$ 3,24. Nesse mesmo período, os contratos de soja com vencimento para maio de 2018 acumularam alta de quase 7% na Bolsa de Chicago, chegando a 10,65 dólares por bushell.

Porém, na última sexta-feira (9/3), o mercado em Chicago registrou forte queda, de mais de 20 pontos nos principais contratos negociados. Este movimento reflete os números divulgados pelo USDA na quinta-feira (8/3), que trouxeram aumento nos estoques americanos devido à esperada redução nas exportações do país. Contudo, diante da consolidação das perdas na Argentina, os fundamentos do mercado ainda se mantém altistas para os preços da soja, o que deve gerar novas oportunidades.

Seguindo a tendência de valorização, o preço da soja disponível em Goiás subiu 10% em pouco mais de um mês. De acordo com o IFAG, a saca de 60 quilos era comercializada a R$ 60,94 no dia 1º de fevereiro. Já na última quarta-feira (7/3), o mercado goiano registrou a média de R$ 67,03 por saca de soja, um dos maiores preços dos últimos meses.

Gestão da comercialização

O consultor de mercado Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, avalia que o produtor rural está mais profissional na gestão da comercialização. Ele lembra que no cenário de preços baixos registrado no último trimestre de 2017 e no início da colheita este ano, os produtores ficaram reticentes em fechar vendas porque a margem de lucro estava extremamente apertada. Segundo Ênio, as vendas aceleraram quando os produtores começaram a enxergar altas separadas ou conjuntas na Bolsa de Chicago e no câmbio.

Mas diante da volatilidade do mercado, o consultor alerta ser arriscado o produtor segurar a soja, esperando o pico de preços. Em vez disso, ele orienta focar na margem de lucro. “Você tem que administrar seu negócio. E como você faz isso? Olhando a margem. Eu não sei se Chicago vai subir ou vai cair, mas soja a R$ 68, R$ 69, R$ 70 por saca é um preço que dá margem ao produtor e quando dá boas margens, elas devem ser aproveitadas”, aconselha.

Além de ficar de olho nas lavouras de soja da Argentina, Ênio recomenda atenção ao movimento do câmbio, já que os momentos de altas fortes do dólar tendem a ser passageiros. O consultor também orienta acompanhar a demanda interna de soja e as exportações mensais da oleaginosa. Isso porque se o Brasil exportar muita soja, algo em torno de 67 a 70 milhões de toneladas, os estoques internos vão diminuir e os preços devem estar aquecidos mais ao final do ano.

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