Pecuária

Confinamento de bois cresce 5% com queda no preço do milho durante o ano

O aumento da oferta reduziu a cotação do grão, principal insumo da ração dos animais, ajudando a impulsionar adoção da modalidade
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O preço baixo do milho ao longo de todo o ano, devido à grande oferta do grão na supersafra, estimulou os produtores a elevar o confinamento de bovinos no Brasil, que deve encerrar 2017 com um aumento de 5% em relação ao ano passado. Os dados foram revisados e anunciados ontem pela Associação Nacional de Pecuária Intensiva (Assocon).

O incremento representa um total de 3,3 milhões de animais confinados neste ano, segundo estimativa do gerente executivo da Assocon, Bruno de Jesus Andrade. Os dados finais para o segmento só serão confirmados pela entidade no dia 5 de dezembro.

No ano passado os pecuaristas brasileiros terminaram 3,2 milhões de animais no cocho. Na previsão anterior, feita durante a Conferência Internacional de Pecuaristas (Interconf), em setembro, Andrade estimava uma retração de 3,1%.

"No primeiro semestre os preços da arroba estiveram muito ruins, mas na segunda metade do ano eles melhoraram e isso estimulou os produtores que ainda não tinham tomado a decisão sobre o confinamento. Esse aumento da cotação ganhou força em agosto e muitos pecuaristas já tinham decidido se confinariam ou não em julho", diz Andrade.

Segundo ele, esse incremento foi registrado especialmente em grandes estados de confinamento, como Mato Grosso, onde a perspectiva da associação é de elevação de 8,5% na quantidade de animais confinados. De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) os pecuaristas confinaram 694,1 animais neste ano, crescimento de 12,7% em relação ao ano passado.

Para o próximo ano, o aumento da modalidade dependerá da demanda do mercado interno e externo, avalia Andrade. "Oferta de animais nós sabemos que haverá em um nível bom e a um custo atrativo, mesmo com o aumento do milho proporcionado pela redução na oferta", argumenta. "Quem aproveitar para comprar o grão neste final de ano também fará um bom negócio", acrescenta.

Entre os pecuaristas a perspectiva é de um 2018 de incertezas. "Este ano foi muito difícil e acredito que a insegurança persiste no ano que vem", afirmou o proprietário do Confinamento Ipamerim, de Jussara, Goiás, João Paulo Porto. Em 2017, ele confinou 13 mil cabeças, 10% a menos do que no ano anterior. Na propriedade, Porto ainda mantém 1,2 mil hectares de lavouras de soja e de milho, utilizado para silagem. "Os preços do milho estavam caros no primeiro giro e depois recuaram bem. Mas, no geral, foi um ano de bastante volatilidade, assim como para os preços da reposição", argumentou.

O CEO da Agropecuária Jacarezinho, Ian Hill, espera ver um aumento nos animais terminados no cocho apenas no ano que vem, quando projeta confinar entre 110 e 115 mil animais nas propriedades que o empresário Marcos Molina, da Marfrig, mantém na Bahia e em Mato Grosso do Sul. Neste ano, a Jacarezinho, que tem capacidade estática para terminar 78 mil cabeças, confinou 94 mil cabeças, ante 130 mil em 2016. A atividade responde por 50% dos negócios da Jacarezinho. "A queda dos preços dos insumos facilitou, mas ainda assim os preços do bezerro no ano passado estavam muito caros. No ano que vem, esperamos ter animais mais baratos no mercado, mesmo com um milho levemente mais alto", salientou o pecuarista.

Funrural

Na manhã desta sexta-feira (17) entidades que representam pecuaristas devem aproveitar o terceiro dia da InterCorte - um dos maiores eventos da pecuária que está sendo realizado em São Paulo - para lançar um manifesto contra a cobrança do Fundo de Assistência do Trabalhador Rural (Funrural), contribuição paga à Previdência Social pelos produtores rurais pessoa física que empregam trabalhadores. "O setor pecuário nacional exige que se cumpra a constituição e que seja respeitada a decisão do presidente do Senado, terminando essa injustiça ressuscitada pelo Funrural, não contemplando os desdobramentos negativos que isso terá sobre o sistema produtivo do País", afirma o presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Maurício Velloso. "O risco não é de causar prejuízos. O setor vai quebrar de forma generalizada, trazendo uma crise de abastecimento nunca antes vista", avalia.

O pagamento do tributo, de 2,1% sobre a receita bruta da comercialização, foi considerado inconstitucional pelo STF em 2011. Em março deste ano, porém, uma nova decisão considerou a cobrança constitucional, o que gerou negociação ainda em curso para que produtores tenham parte ou todos débitos perdoados pela União.

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