Conselho de Altos Estudos discute produção de etanol em fazendas
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Agronegócio

Conselho de Altos Estudos discute produção de etanol em fazendas

Desde a década de 1980, a UFV desenvolve trabalhos com microdestilarias para a produção de álcool em fazendas
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O Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara recebe nesta quarta-feira (27) o professor Juarez de Sousa e Silva para falar sobre a instalação, em fazendas, de microdestilarias para a produção de álcool combustível e seu aproveitamento na geração de energia elétrica.

Docente do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Juarez acaba de lançar o livro “Produção de álcool combustível na fazenda e em sistema cooperativo”, no qual defende a permissão para que pequenos agricultores possam produzir etanol de cana-de-açúcar, para atender às demandas próprias e das comunidades vizinhas. Proposta semelhante está prevista em projetos em tramitação na Câmara, como o PL 3314/12, do deputado Márcio Macêdo (PT-SE).

Juarez acrescenta que a medida representa uma alternativa sustentável que poderá mudar rapidamente a vida de milhares de brasileiros que vivem no meio rural e em municípios distantes de usinas geradoras de energia (mecânica, térmica ou elétrica). “A cana de açúcar é uma cultura que já faz parte do dia a dia da agricultura brasileira: é fonte de energia para o gado em períodos de seca, permite a produção de melaço, rapadura, aguardente e, hoje, com a tecnologia disponível, pode perfeitamente agregar o álcool combustível em produção integrada – uma fonte de energia limpa”, afirma.

Preço

O pesquisador destaca que, desde a década de 1980, a UFV desenvolve trabalhos com microdestilarias para a produção de álcool em fazendas. “Nossos estudos mostram que não é difícil produzir um litro de etanol na fazenda a custos inferiores a R$ 0,80, enquanto, no mercado regional, o produto vem sendo comercializado em torno de R$ 2,50”, informa.

Juarez complementa que, com a participação do pequeno e médio agricultor, a oferta de álcool seria mais bem distribuída. “Temos a maior frota de veículos a álcool do mundo, e, por mais contraditório que possa parecer, tivemos de importar em 2011 mais de um bilhão de litros de etanol, à base de milho, dos Estados Unidos”, comenta.

Vontade política

O presidente do Conselho de Altos Estudos, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), concorda com os argumentos do professor. Na opinião do parlamentar, “a produção de álcool combustível em microdestilarias, seja em sistemas cooperativos ou individuais, poderá, de fato, transformar a realidade e a qualidade de vida de milhares de brasileiros”. Ele ressalta a necessidade “de vontade e decisão política” para concretizar a medida.

Também integrante do conselho, o deputado Jesus Rodrigues (PT-PI), que é vice-presidente da subcomissão especial que trata da agricultura familiar, da extensão rural e das energias renováveis, destaca que produção de energia a partir do álcool produzido em microdestilarias, formadas por cooperativas de produtores rurais, “poderá suprir não só as demandas regionais, mas, igualmente, comercializar o excedente segundo normas oficiais”.

A reunião será realizada às 15 horas, na sala de reuniões da Mesa.

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