Controle de sanidade na fronteira é questionado
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Agronegócio

Controle de sanidade na fronteira é questionado

Diretor do Instituto G.Caporale, Alberto Mancuso, alerta sobre interação entre países
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Diretor do Instituto G.Caporale, Alberto Mancuso, alerta sobre interação entre países
 
"Qualquer tipo de problema de sanidade animal e vegetal enfrentado por um país não é uma questão dele somente, é de todos os países, é global. O controle sanitário nas fronteiras não é eficiente. É preciso que os países trabalhem juntos para melhorarem seu controle sanitário".

A afirmação foi feita pelo médico veterinário e diretor do instituto italiano G. Caporale, Alberto Mancuso, em Campo Grande, no seminário "A Segurança Alimentar do Produtor ao Consumidor e o Acesso aos Mercados Internacionais", promovida pela Associação Brasileira de Produtos Orgânicos (ABPO).

Outro diretor da entidade, Giacomo Migliorati, ainda falando sobre a dimensão das questões sanitárias animais e vegetais no contexto global, destacou a importância da rastreabilidade dos produtos e lembrou que em casos recentes de contaminações por microorganismos identificadas na União Europeia e nos Estados Unidos, a descoberta rápida dos focos levou a suspensão das importações dos produtos que eram origem dos problemas.

Migliorati lembrou que uma pizza consumida na Europa, pode, por exemplo, segundo um levantamento feito por autoridades sanitárias da Irlanda, conter 35 ingredientes diferentes, e que conforme as respectivas cadeias produtivas destas matérias-primas podem ter origem em 60 países, de cinco continentes.

Ele alertou ainda que a responsabilidade pela sanidade dos produtos comercializados é dos produtores e que eles serão responsabilizados civil e penalmente, caso sejam descobertas contaminações. "Não podemos esperar das autoridades esse controle. Isso tem que partir dos produtores. Eles têm de ter essa responsabilidade e a consciência de que uma contaminação, o uso de um produto inadequado, de alguma coisa que esteja fora da conformidade, pode fechar os mercados", concluiu.

Conhecer a legislação

Alberto Mancuso destacou ainda que a legislação adotada pela União Europeia no que se refere às questões sanitárias animais e vegetais são as mais rígidas do mundo e que servem de modelo para outros países. Ele comentou que mesmo em um momento de crise, como o atual, não existe flexibilização dessas leis, e sim, pelo contrário, a redução do consumo.

O diretor do Instituto G. Caporale ressaltou ainda que questões de sanidade animal e vegetal não podem ser utilizados como justificativa para a aplicação de barreiras econômicas-políticas a entrada de determinados produtos em alguns países.

"Quando isso acontece a melhor resposta que os países exportadores podem dar é apresentar dados científicos que atestem o controle sanitário bem feito. Contra os dados científicos não existe argumentação que resista", recomenda.

Por fim, Mancuso diz que os produtores e países interessados em vender para os países europeus têm que conhecer a legislação da União Europeia. "Os países não precisam necessariamente adotar as mesmas ações de controle sanitário como as seguidas pela Europa, mas precisam sim, adotar medidas que levem aos mesmos objetivos", recomenda.

Instituto

O Instituto G. Caporale nasceu em 1941, em Teramo, na Itália. É uma entidade sanitária que funciona como uma ferramenta técnico-cientifica com atuação no mercado nacional, europeu e internacional, oferecendo conhecimento e inovação na área de saúde pública veterinária e proteção ambiental, para assegurar a saúde dos animais e dos seres humanos.

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