Agronegócio

Coopemar teve papel importante no desenvolvimento da cafeicultura no país

Soluções pioneiras criadas aqui possibilitaram a expansão do café nos anos 70
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Quem nunca ouviu falar da infestação por nematóides que quase dizimou os cafezais paulistas na década de 70?. Depois de muitos problemas causados pela ferrugem ede uma geada queprejudicou boa parte dos cafezais de Marília, os cafeicultores se depararam comesse outro problema. As plantas remanescentes mostravam sinais de enfraquecimento e desnutrição e acabavam morrendo em reboleiras; as que não morriam, ficavam improdutivas, sem poder de vegetação.


A causa do definhamento do cafeeiro foi umas das maiores infestações de nematóides já registradas. Mais do que a presença de nematóides conhecidos, como Prathilenchusbrachiurus, Meloydogyne incógnita, Meloydogynecoffeicola e Meloydogyne exígua, foi verificada a presença de uma nova espécie, até então desconhecida no Brasil, o Prathilenchuscoffea. Pois é, para quem não sabe, a Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Maríliafoi pioneira na produção de mudas enxertadas resistentes a essaspragas, o que evitou a erradicação do café aqui e até quem sabe no mundo, já que atualmente o Brasil é o maior exportador de café. “Hoje, se a muda não for enxertada, não adianta nem plantar”, é o que afirma o engenheiro agrônomo François Regis Guillaumon, presidente da Coopemar há mais de 30 anos.

Em 1973, por meio de um trabalho de campo e pesquisa realizado pelos jovens engenheiros agrônomos François Regis Guillaumon e Tadeu Corsi, junto a profissionais do Instituto Agronômico de Campinas e Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ), de Piracicaba, a Coopemar “salvou” os cafezais paulistas e principalmente os da região de Marília.“Descobrimos uma variedade do robusta resistente a nematóide. Se não fosse a Coopemar não existiria mais parque cafeeiro em nossas terras.Não deixamos o café acabar. Portanto,  aqui nasceu a muda de café resistente a nematóide e logo após, as mudas em tubetes”, recorda Guillaumon.


Já em 1989, com a introdução de mais uma solução pioneira - o sistema de produção de mudas em tubetes - a cooperativa colocou à disposição dos cooperados mudas de qualidade superior e com o controle sanitário do mais alto nível. Esse estudofoi feito para possibilitar a produção de mudas mais baratas e para que o substrato da muda não tivesse contato direto com a terra contaminada. Os tubetes permitem mais saúde às plantas, oferecendo vantagens como a obtenção de mudas uniformes com melhor aproveitamento de espaço e com controle sanitário muito mais apurado, já que são preenchidos com vermiculita.A utilização de tubetes, em substituição aos tradicionais balaios de plástico, representou um grande avanço na tecnologia de produção de mudas de café.
 
O trabalho de enxertia e o uso de tubetesé desenvolvido até hoje no viveiro de mudas da Coopemar e foi adotado nas maiores cooperativas do Brasil. Para Valter Pereira dos Santos, classificador e degustador de café da Coopemar, a cooperativa sempre se mostrou à frente das grandes descobertas relacionadas ao café e, sem dúvida, tornou-se referência no mundo inteiro. “Em qualquer lugar do mundo em que haja enxertia de café e mudas em tubetes, com certeza, teve-se como referência o Brasil, através da Coopemar”, afirma.


A contribuição da Coopemar à cafeicultura nacional está registrada em livros sobre “Cultura de Café no Brasil”, publicados pelo Instituto Brasileiro do Café (IBC). “Para se ter uma ideia, a  Cooxupé (Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé - MG), a maior cooperativa de café do mundo veio buscar muda enxertada e mudas de tubetes aqui. Para nós isso é um orgulho! É deve ser um orgulho também para os nossos cooperados, porque todos aqueles que hoje estão na cafeicultura com mudas enxertadas devem ao nosso trabalho. Quando digo ‘nosso’, digo ‘todos’ em cooperativismo. E sempre que houver algo novocorreremos atrás, a cooperativa não pode ficar parada. Faremos tudo o que for possível aos nossos, assim, mesmo que passemos por percalços, jamais ninguém vai desejar que a cooperativa acabe, pois no dia em que a cooperativa morrer, morrerá parte da agricultura da região”, conclui o presidente da Coopemar.
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