Cooperativa uruguaia de leite vai construir fábrica no Brasil
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Agronegócio

Cooperativa uruguaia de leite vai construir fábrica no Brasil

A Conaprole quer investir na construção de sua primeira fábrica fora do país de origem - e o alvo é o território brasileiro
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O Brasil está na mira de empresários investidores uruguaios. A Conaprole - Cooperativa Nacional de Produtores de Leite -, do Uruguai, cujo faturamento anual é de US$ 500 milhões, quer investir na construção de sua primeira fábrica fora do país de origem - e o alvo é o território brasileiro.

O valor do investimento ainda não foi divulgado porque, segundo o gerente-geral da Conaprole do Brasil, Agenor Magalhães, o local, por enquanto, não foi definido. A companhia espera por resultados de levantamentos que estão sendo feitos para mapear as regiões produtivas, com o objetivo de verificar o potencial das bacias leiteiras.

"No final deste ano, quando esperamos que estejam prontos os levantamentos, a Conaprole deverá decidir que tipo de investimento pode ser viável. Há interesse e grandes possibilidades de investir no Brasil", afirmou. Técnicos da Emater-RS confirmaram a elaboração de estudo para ser entregue à Conaprole.

A companhia já atua no mercado brasileiro, como fornecedora de leites e subprodutos para indústrias alimentícias como a Sadia, Perdigão e Yakult, por exemplo. Esse é um dos motivos para o Brasil ser o alvo da escolha, além do potencial da produção de leite e da sua proximidade geográfica com o Uruguai.

A Conaprole do Brasil atua desde 2000 e sua estrutura no país, por enquanto, se resume ao escritório administrativo e ao de armazenagem e distribuição.

Em um primeiro momento, a intenção da companhia é continuar apostando no mercado institucional - ou seja, no fornecimento de produtos para a indústria. "O mercado institucional responde por 95% de nossa atuação", diz o responsável no Brasil. Entre os itens comercializados, cita Magalhães, estão o leite em pó integral e desnatado, misturas lácteas e creme de leite. A Conaprole tem forte atuação no Uruguai e exporta para cerca de 50 países. O Uruguai é conhecido pela excelência genética holandesa de seu rebanho.

Geografia do leite

No Brasil, o ranking mais atualizado de regiões produtoras aponta o estado de Minas Gerais como a maior delas, seguido pelo Paraná e Rio Grande do Sul. Dos 26,5 bilhões de litros produzidos em 2007, segundo dados fornecidos pela Embrapa Gado de Leite, os mineiros foram responsáveis pela produção de 7,3 bilhões/litros; o Paraná contabilizou 2,9 bilhões/litros; e o Rio Grande do Sul somou 2,7 bilhões de litros, números que correspondem à estimativa do passado.

Rosângela Zoccal, pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, diz que se nota expansão significativa da produção leiteira principalmente nas Região Sul do País (sobretudo no oeste de Santa Catarina, norte do Rio Grande do Sul e sudoeste do Paraná), onde novas indústrias se instalaram e demandam a matéria-prima. O triângulo mineiro e a parte central de Minas Gerais, além do sul da Bahia, também chamam a atenção quando o tema é crescimento da produção de leite.

"Na Região Nordeste, todos os governos têm programas de incentivo à pecuária leiteira para manter o pessoal no campo", diz Rosângela. As propriedades são pequenas, mas os programas de incentivo garantem a venda do produtor. "Para eles, a produção de leite garante a renda mensal, é como ter um salário", finaliza.

Apesar do clima desfavorável para a criação de gado leiteiro no nordeste, a técnica da irrigação tem sido utilizada pelos produtores para viabilizar a criação na época da seca.

Menor participação

Cristiane Turco, consultora da Scot Consultoria, lembra que a Região Sudeste, apesar de ser a principal produtora de leite, vem perdendo participação na produção de leite nacional.

Em 1996, por exemplo, essa região respondia por cerca de 46% do total de leite produzido pelo país. No entanto, em 2006, a participação desses estados caiu para fatia correspondente a cerca de 38%. Um dos destaques na redução dessa participação é o Estado de São Paulo, que já ocupou o segundo lugar no ranking dos maiores produtores. No ano de 2006, os paulistas ocuparam a quinta colocação. Os custos de produção relativamente elevados e a concorrência com outras atividades mais lucrativas explicam essa mudança.


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