Cooperativismo amplia banco de alimentos
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Agronegócio

Cooperativismo amplia banco de alimentos

Produtores de MG organizam-se, reduzem as perdas da agricultura e estendem a oferta de hortifrúti
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Produtores do Campo das Vertentes (MG) organizam-se, reduzem as perdas da agricultura e estendem a oferta de hortifrúti

A produção da rede de associações e cooperativas de agricultores familiares de Barbacena, Campo das Vertentes (MG), que atualmente abastece entidades municipais da cidade e restaurantes populares de Belo Horizonte com produtos hortifrúti, chega ao Banco de Alimentos da CeasaMinas (Prodal). Hoje, a instituição atende a 170 entidades beneficentes de 23 municípios. A oferta de produtos de Barbacena foi conseguida por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A coordenadora da Divisão de Apoio à Agricultura Familiar e Economia Solidária de Barbacena, Conceição "Tutuca" Costa, conta que a organização dos produtores, iniciada em 2004, conseguiu reduzir as perdas do campo, de 40% para cerca de 18%.

No ano passado, o segmento movimentou recursos da ordem de R$ 1,580 milhão na cidade. O projeto para fornecer para o Banco de Alimentos da CeasaMinas foi encomendado pela própria instituição aos produtores e apresentado à Conab no ano passado.

Representa mais um canal seguro para escoamento da produção de uma das cooperativas, a do Palmital, formada por 80 produtores. Trinta e cinco deles contribuem para o abastecimento do Prodal da Ceasa.

"É um canal certo, com estrutura adequada para receber o excedente de produção", comenta Tutuca, acrescentando que a alternativa também livra os produtores dos atravessadores.

Na CeasaMinas, o presidente em exercício, Márcio Cunha, destaca que o conhecimento que a entidade tem da capilaridade do Estado, favorece a distribuição de alimentos. "Nosso banco alimenta hoje cerca de 70 mil pessoas",enfatiza.

A nutricionista do Prodal, Fabiana Costa, comanda uma equipe de 18 pessoas encarregadas da separação, higiene e processamento dos alimentos recebidos da Conab, mercado livre do produtor e atacadistas.

Ela defende o programa de segurança alimentar com entusiasmo. "Explico para os funcionários que as instituições que recebem os alimentos não fazem caridade. São nossos clientes que ajudam a assegurar o direito constitucional à alimentação", detalha.

Ainda assim, ela diz que atacadistas e produtores precisam ser convidados sempre para fazer doações dos alimentos sem valor comercial. Cerca de 30% dos produtores doam alimentos, e a maior parte dos atacadistas não incorporaram a prática. Com a nova remessa vinda de Barbacena, o Prodal vai atender a mais 30 instituições. Conforme a nutricionista, existem 20 entidades aguardando na lista de espera.

Programa beneficia agricultores da região

Desde que foi criado, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab teve os recursos ampliados em 1.2 em Minas Gerais. Em 2004, foram liberados R$ 3 milhões, chegando a R$ 36 milhões em 2010. O número de produtores beneficiados saltou de 1.200 para 8 mil. Até o ano passado, cada agricultor familiar inscrito em projetos contemplados recebia R$ 3,5 mil. O valor passou para R$ 4,5 mil neste ano. Os alimentos arrecadados servem para regular a produção e para atender 450 municípios com baixo índice de desenvolvimento humano (IDH).

Em Rio Pardo de Minas, no Norte de Minas, produtores de polvilho compraram máquinas para embalar o produto que registraram como Dona de Casa. Com os projetos aprovados no PAA, conseguem renda de um salário mínimo mensal. Digna para a região.

"Pergunte se algum deles quer ir ganhar dois salários na cidade. Ninguém quer", defende o diretor executivo da Cooperativa de Produtores (Coopersam). Ele enfatiza a importância dos projetos para fixar os trabalhadores no campo. O senão ao PAA é que, até o momento, os produtores não conseguiram receber o recurso aprovado para implantar o primeiro programa de formação de estoque de polvilho. Estratégico para os agricultores que podem gerar recursos com a venda do produto na entressafra a preços melhores.

O gerente de Operações da Conab-MG, Eduardo Dumont, confirma que o Ministério de Defesa Social e Combate à Fome, que repassa os recursos à Conab, pediu suplementação de recursos ao Ministério do Planejamento. Não há garantias do recebimento neste ano.

"No ano que vem, deveremos ter esse recurso com certeza", diz. Conforme Dumont, o número de projetos apresentados vem aumentando a cada ano. Em Três Marias, a cooperativa Vitória das Marias, formada por 30 mulheres, 90% chefes de família conseguem renda de um salário e meio mensais. Mais da metade da produção de bolos e doces vai para entidades e escolas da cidade, via PAA.

Para a presidente da cooperativa, Marília Oliveira, organizadas, as mulheres aumentaram a capacidade de produzir. Sabem, por experiência, inclusive, como é rentável produzir com matéria prima livre de agrotóxicos. "Nossa produção de bolo semanal é de 554 quilos e a de doces, cerca de 400", diz, informando que o milho e as frutas para os doces são adquiridos diretamente da agricultura orgânica.

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