Cotações do trigo continuaram pressionadas para baixo
CI
Imagem: Pixabay
RELATÓRIO

Cotações do trigo continuaram pressionadas para baixo

Os estoques finais mundiais, por outro lado, ficariam em 267,5 milhões de toneladas, aumentando em quase um milhão de toneladas os números de junho
Por: -Aline Merladete

As cotações do trigo, em Chicago, continuaram pressionadas para baixo, com o fechamento desta quinta-feira (14) ficando em US$ 7,94/bushel, contra US$ 8,24 uma semana antes. O relatório de oferta e demanda, divulgado no dia 12/07 pelo USDA, indicou, para a safra 2022/23 de trigo, nos EUA, uma produção de 48,5 milhões de toneladas, com aumento de 1,3 milhão de toneladas sobre o indicado em junho. Já os estoques finais estadunidenses ficariam em 17,4 milhões de toneladas, ou seja, levemente superiores ao indicado em junho. Com isso, o preço médio para o produtor de trigo dos EUA, no ano comercial em questão, ficaria em US$ 10,50/bushel. Por sua vez, a produção mundial de trigo foi revista para 771,6 milhões de toneladas, em recuo de quase dois milhões de toneladas sobre o indicado em junho.

Os estoques finais mundiais, por outro lado, ficariam em 267,5 milhões de toneladas, aumentando em quase um milhão de toneladas os números de junho. A produção argentina foi reduzida para 19,5 milhões de toneladas, enquanto as exportações do cereal, pelo vizinho país, ficariam em 13,5 milhões. Já a produção brasileira de trigo está indicada em 8,5 milhões, com importações em 6,4 milhões de toneladas. Dito isso, nos EUA, até o dia 10/07, o trigo de inverno estava com 63% de suas lavouras colhidas, contra 61% na média histórica. Enquanto isso, o trigo de primaveraapresentava 70% das lavouras entre boas a excelentes condições. 

Também nos EUA, as vendas líquidas semanais de trigo, da safra 2022/23, na semana encerrada em 30/06, atingiram a 286.400 toneladas, em números revistos. A estimativa total do USDA é de exportações ao redor de 21 milhões de toneladas neste novo ano comercial. Já na semana encerrada em 07/07, o volume exportado ficou em 309.802 toneladas, ficando dentro das expectativas do mercado. Com isso, até a data indicada, os EUA haviam embarcado 1,92 milhão de toneladas do cereal, ou seja, 18% a menos do que no mesmo período do ano anterior. Na França, os produtores locais já colheram 30% de sua nova safra de trigo macio, até meados de julho. No início de julho estimava-se que 63% das lavouras deste tipo de trigo estavam em boas ou excelentes condições. Já a colheita de trigo duro chega ao redor de 70%. Este maior produtor de trigo da União Europeia deverá ter uma safra 7% menor neste ano, depois de forte calor e pouca umidade em alguns momentos da primavera/verão.

O Ministério da Agricultura local estima uma produção de 32,9 milhões de toneladas de trigo macio, a partir de um rendimento médio esperado de 6.990 quilos/hectare sobre uma área cultivada de 4,71 milhões de hectares. Mesmo assim, as exportações francesas de trigo macio, para países de fora da União Europeia, devem alcançar 10,3 milhões de toneladas, ou seja, 17% acima do que foi exportado no ano anterior. Boa parte deste aumento se deve as dificuldades de exportação da Ucrânia, após o início da guerra contra a Rússia. Por outro lado, na Rússia a colheita deve ser cheia, com o país devendo aumentar suas exportações neste ano, mesmo em plena guerra. Todavia, para julho, as vendas externas russas ainda serão baixas. Segundo a consultoria agrícola local IKAR, o volume deverá ficar entre 1,7 e 2 milhões de toneladas, recuando 300.000 toneladas em relação as previsões anteriores.

á a consultoria Sovecon mantém a projeção de 2,3 milhões de toneladas exportadas em julho, esperando que o volume aumente para 4 milhões em agosto. Assim, considerando o ano comercial julho/22 a junho/23, espera-se um total exportado de 42,6 milhões de toneladas de trigo por parte da Rússia. Neste momento, os preços do cereal russo estão em recuo. Em paralelo, a colheita de trigo na Argentina, para o ano 2022/23, está esperada em 17,7 milhões de toneladas. Bem abaixo do previsto pelo USDA e abaixo das 18,5 milhões de toneladas estimadas anteriormente. Esse recuo se deve a uma menor área semeada, a qual deverá ficar em 5,9 milhões de hectares, contra 6,2 milhões projetados em junho. Em maio, a projeção de área argentina de trigo era de 6,6 milhões de hectares.

Enfim, autoridades da Rússia, Ucrânia, Turquia e das Nações Unidas teriam concordado com os principais pontos de um planoara a retomada das exportações de grãos ucranianos pelo Mar Negro. A ideia é estabelecer um centro de coordenação em Istambul (importante cidade turca), onde representantes dos três países e da ONU supervisionariam os embarques de grãos. O entendimento é o primeiro avanço concreto após semanas de diplomacia liderada pela ONU e pela Turquia com o objetivo de aliviar uma crise alimentar global desencadeada pela invasão russa à Ucrânia. Com o conflito, milhões de toneladas de grãos ficaram retidas no país, resultando em menor oferta e preços mais altos nos mercados internacionais. Afinal, mais de 95% dos grãos da Ucrânia costumavam ser exportados pelo Mar Negro.

Com essa rota bloqueada, o país está exportando menos de um terço do volume normal, através de suas fronteiras com a União Europeia e por meio de barcaças no Danúbio, que descarregam em navios no porto romeno de Constanta. O acordo prevê que os grãos ucranianos poderão ser enviados de três portos da Ucrânia sob escolta de navios do país, com um cessar-fogo para proteger os navios. A marinha turca inspecionaria os navios vazios, que chegassem aos portos ucranianos, por causa do receio da Rússia de que as embarcações sejam usadas para transportar armas ocidentais para as forças de Kiev. A ONU estabelecerá um centro de comando e controle em Istambul para monitorar os níveis de ameaça aos embarques. Assim, se tudo isso se concretizar na prática, logo adiante os preços dos grãos, especialmente trigo e milho, poderão recuar ainda mais no mercado mundial. 

E no Brasil, os preços do trigo se mantiveram estáveis, porém, ainda com viés de alta em algumas regiões. A média gaúcha, no balcão, atingiu a R$ 115,16/saco, enquanto no Paraná houve recuo para níveis entre R$ 110,00 e R$ 112,00/saco. Em termos de plantio da nova safra, enquanto o mesmo está praticamente encerrado no Paraná, no Rio Grande do Sul o mesmo atingia, na semana anterior, a 80% da área prevista. Mesmo assim, a atividade está atrasada neste Estado, pois a média histórica é de 90% semeado nesta data. Já em São Paulo, estima-se, agora, uma safra final de trigo em 300.000 toneladas, devido a problemas climáticos, embora haja condições remotas para chegar as 400.000 toneladas considerando os cerealistas independentes no Estado. 

Enfim, a Conab reajustou para cima suas estimativas em relação ao trigo. Espera-se uma colheita total no Brasil de 9,03 milhões de toneladas, com alta de 17,6% sobre o ano anterior, sobre uma área que cresceu 6,6%, chegando a 2,92 milhões de hectares. Com isso, a entidade projeta uma produtividade média final em 3.092 quilos/hectare, com um crescimento de 10,3% sobre o ano anterior.

As informações são da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.