Cotações do trigo subiram

Trigo

Cotações do trigo subiram

Média de março bateu em somente US$ 4,53, contra US$ 4,98 em fevereiro e US$ 4,74/bushel em março/18
Por: -Aline Merladete
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As cotações do trigo em Chicago subiram para níveis que não eram vistos desde o final de fevereiro, com o bushel atingindo a US$ 4,71 no dia 03/04. Posteriormente, o fechamento da quinta-feira (04/04) ficou em US$ 4,70/bushel. A média de março bateu em somente US$ 4,53, contra US$ 4,98 em fevereiro e US$ 4,74/bushel em março/18. Assim, nos últimos 12 meses a média mensal recuou 4,4%.

A primeira semana de abril iniciou sob influência do relatório de intenção de plantio nos EUA. Para o trigo, o mesmo apontou um recuo de 4% na área semeada total em relação a 2018. A mesma deverá ficar em 18,5 milhões de hectares. Quanto aos estoques trimestrais, na posição 1º de março, o relatório indicou um aumento de 6% sobre o ano anterior. Tais estoques somavam 43,3 milhões de toneladas. 

A soma dos dois relatórios acabou sendo relativamente neutra para as cotações. A partir daí, o clima sobre as regiões produtoras dos EUA é que ditará o rumo do mercado. Dito isso, houve sinais de melhoria na demanda pelo trigo estadunidense, com as inspeções de exportação atingindo a 418.424 toneladas na semana encerrada em 28/03. 

Mas as condições melhores do que o esperado para as lavouras dos EUA diminuiu o ritmo de alta, havendo expectativas de rendimentos maiores neste ano.

No Mercosul, a tonelada FOB para exportação ficou entre US$ 215,00 e US$ 220,00, com a nova safra argentina permanecendo em US$ 180,00, todos para a compra.

E no Brasil, os preços se estabilizaram, com a média gaúcha fechando a semana em R$ 41,53/saco, enquanto os lotes permaneceram no equivalente a R$ 48,00/saco. No Paraná, o balcão ficou entre R$ 45,00 e R$ 48,00/saco, enquanto os lotes se estabeleceram entre R$ 54,00 e R$ 55,20/saco. Já em Santa Catarina, o balcão registrou valores entre R$ 42,00 e R$ 45,00/saco e os lotes fecharam em R$ 51,00 na região de Campos Novos.

A necessidade de importação coloca o dólar como variável principal, no momento, para a definição do preço do trigo no Brasil. A desvalorização recente da moeda brasileira torna mais cara as compras externas. Tal realidade melhora potencialmente os preços internos, porém, aqui há pouca liquidez na medida em que praticamente não existe trigo de qualidade superior a ser negociado. Ao mesmo tempo, os moinhos estão abastecidos e um movimento de compras maior talvez venha apenas no meio do ano.

Assim, os preços pouco se alteram no mercado interno brasileiro, não havendo grandes possibilidades de elevação, mesmo que haja estímulo do mercado externo, via câmbio.

Logo mais o mercado ficará atento ao plantio da nova safra nacional de trigo e o comportamento climático sobre a mesma. Neste sentido, o setor privado aponta que a produção futura possa atingir a 6,64 milhões de toneladas, contra 5,24 milhões no corrente ano comercial, o que representa um aumento de 27%. A área semeada poderá avançar 12%, passando a 2,31 milhões de hectares. A futura produção do Paraná é projetada em 3,5 milhões de toneladas, com 35% de aumento sobre o ano anterior, e a do Rio Grande do Sul em 2,3 milhões de toneladas, com 22% de aumento sobre o ano anterior. (cf. Safras & Mercado)

No contexto de todos estes elementos, os preços nacionais se encontram ajustados às paridades de importação, estando somente 2% inferiores aos preços argentinos.
 


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