Cotas russas fazem Doux Frangosul frear produção
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Agronegócio

Cotas russas fazem Doux Frangosul frear produção

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Pressionada por custos de produção ainda elevados e pela imposição de cotas de importação de frango pela Rússia, a Doux Frangosul desativou, em abril, um dos turnos de produção em sua unidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul, e está estendendo os prazos de pagamento aos fornecedores de milho e farelo de soja. A desativação do terceiro turno já provocou a demissão de 200 funcionários de um total de 2,5 mil.

A empresa também aumentou o intervalo entre as entregas de lotes de pintos de cortes para os integrados, o que, na prática, significa um freio na produção de frango. O presidente da empresa, José Augusto Lima de Sá, explicou que a parada do terceiro turno deve-se à imposição de cotas de importação pela Rússia, medida que entrou em vigor este mês.

A paralisação significou 100 mil aves abatidas a menos por dia, o equivalente a 10% da produção total da empresa. "Fizemos um planejamento responsável " , disse o executivo. Pelo novo sistema de cotas, o Brasil só poderá exportar 33 mil toneladas de carne de frango para a Rússia entre maio e dezembro deste ano. No ano de 2002, foram 295 mil toneladas. O terceiro turno da Doux Frangosul operava cinco horas por dia, ante as oito dos outros dois.

Três quartos das vendas do frigorífico destinam-se ao mercado externo e, conforme Lima de Sá, a redução nos abates tem reflexos sobre toda a cadeia produtiva. O "vazio sanitário", intervalo entre a data que a companhia recebe um lote de frangos e entrega uma nova partida de pintos para os integrados, também aumentou. Segundo criadores ligados à Doux Frangosul, o período, que era de até uma semana, subiu para três ou até quatro semanas.

Um funcionário da empresa afirma que uma "crise momentânea de liquidez" levou a companhia a renegociar datas de pagamentos "em todas as frentes". Dentro dessa estratégia está a nova política de pagamento a fornecedores de grãos. Segundo Lima de Sá, a companhia optou por fechar contratos para liquidação futura com as cooperativas, apostando na queda das cotações do milho com a entrada da safrinha. " É uma operação de arbitragem " , definiu.

O executivo assegurou que a redução no nível de atividade da empresa nada tem a ver com dificuldades financeiras. Fontes do setor afirmam, porém, que a empresa está em dificuldade por conta da decisão da controladora francesa de limitar investimentos no Brasil. Lima de Sá lembrou que dispõe de US$ 17,5 milhões liberados pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mediante o compromisso do aumento das exportações, para usar em qualquer finalidade, inclusive capital de giro.

Ele acredita que a empresa atenderá ao compromisso de crescimento das receitas com vendas ao exterior apesar da retração das vendas à Rússia porque "já está havendo uma recuperação dos preços em dólares" dos produtos exportados. Com as cotas impostas ao Brasil, a Doux passará a atender à Rússia a partir da França, realocando produção que até então era vendida na Europa, segundo Lima de Sá. Com isso, a controlada no Brasil também conta, "a médio prazo", com a possibilidade de atender parte do mercado europeu que ficará a descoberto.

No ano passado, a Doux Frangosul teve um prejuízo de R$ 7,1 milhões depois de registrar lucro líquido de R$ 46,2 milhões em 2001. A receita líquida cresceu 32,3%, para R$ 1,131 bilhão, mas a elevação dos custos dos insumos e a queda dos preços dos produtos finais fez a margem bruta da empresa encolher de 36,7% para 26,2% no período.


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