Cotonicultor antecipa venda de três safras

Agronegócio

Cotonicultor antecipa venda de três safras

A alta dos preços do algodão em junho na Bolsa de Nova York estimulou a exportação
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A alta dos preços do algodão em junho na Bolsa de Nova York (Nybot) estimulou a exportação para os próximos três anos. Segundo levantamento da Safras & Mercado, junho foi o mês com maior negociação: 30% das vendas externas para 2010 foram efetivadas agora. Para 2009 foram 16% do contratado e, para 2008, 8%.

O produtor de algodão nem comprou os insumos, mas já negociou para o mercado externo 35% do cultivo da temporada 2007/08. As duas próximas produções também estão bem vendidas: 15,4% para 2008/09 e 3% para 2009/10. Apenas neste mês, até ontem, o contrato de julho do ano que vem na Nybot valorizou-se 8,3%.

"O produtor está cada vez alongando mais, fazendo negócios à frente", diz Miguel Biegai Júnior, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, até 2003/04, os contratos eram para dois anos. "O produtor não têm mais medo de negociar em prazos longos, que é o que o mercado internacional está acostumado", avalia. De acordo com o analista, o ideal é que na colheita, 60% da produção tenha sido vendida.

As próximas três safras têm sido comercializadas entre US$ 0,65 a libra-peso e US$ 0,67 a libra peso, dependendo do ano. "Historicamente, em dólar, são preços excelentes", diz Biegai Júnior. O preço médio histórico é de US$ 0,52 a libra-peso. Atualmente está em US$ 0,56 a libra-peso no mercado spot (entrega agora). No entanto, segundo ele, com o câmbio atual, o ideal seria entre US$ 0,65 a US$ 0,70 a libra-peso.

O produtor Orcival Guimarães, de Lucas do Rio Verde (MT), já tem as próximas três safras vendidas em mais da metade e diz que "logo começa comercializar a de 2011". Os últimos negócios foram travados entre US$ 0,65 a libra-peso a US$ 0,67 a libra-peso, dependendo do ano - mas teve contrato anterior a US$ 0,60 a libra-peso. "A venda antecipada permite planejar melhor a produção", diz Guimarães. Ele afirma que geralmente trabalha "fechado", pois o preço do produto cai na safra e não há comprador. "Como a lavoura é cara, o melhor é ter pelo menos o custo garantido", conclui. Segundo o cotonicultor, o aumento de área depende de o mercado mostrar antecipadamente preços remuneradores. Além disso, ele acrescenta que essas permitem se programar para honrar compromissos, uma vez que as compras de maquinários são feitas em cinco a seis anos. Para o diretor da Agrosecurity, Fernando Pimentel, o grande benefício da venda antecipada é o uso destes contratos como lastro para financiamentos. "Se os preços são préfixados, o risco fica apenas no câmbio", afirma.

Segundo Biegai Júnior, além do "mercado de clima", o que elevou as cotações em junho foi a questão bioenergética. De acordo com ele, com os preços do petróleo a US$ 70 o barril em Nova York, as cotações da soja e do milho se elevam, indicando uma redução na área cultivada de algodão nos Estados Unidos.

Na avaliação do analista, é aconselhável o produtor travar exportações futuras em momentos de "repiques de preço", mas escalonando as vendas.


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